Pelourinhos em Terras de Riba Côa (23)

José Fernandes - Do Côa ao Noémi - © Capeia Arraiana

:: :: FIGUEIRA DE CASTELO RODRIGO :: :: – Ao conceder forais a determinadas aldeias, as ordens militares ou o Rei reconheciam a sua importância para a defesa ou consolidação do território nacional. No caso de Castelo Rodrigo que actualmente é uma freguesia do Município de Figueira de Castelo Rodrigo o foral e a sua transformação em concelho, ocorreu antes mesmo de o território integrar o território português.

Vista do Castelo de Castelo Rodrigo

Vista do Castelo de Castelo Rodrigo

Quando se pretende falar do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, tem necessariamente de se começar essa descrição pela povoação e actual freguesia de Castelo Rodrigo.
Esta povoação está situada no cimo de uma colina com a cota de 820 metros que faz parte da meseta Hispânica.
Castelo Rodrigo começou por ser um concelho da zona de ribacoa, limitado por 3 rios: a norte pelo Rio Douro, a Este pelo Rio Águeda que actualmente constiui a fronteira com Espanha, a oeste pelo Rio Côa e a sul pelo concelho de almeida.
Castelo Rodrigo foi o primeiro concelho a ser criado na zona por Afonso IX de Leão que em 1189 delimitou o concelho e acabou por conceder-lhe foral à vila em 1209. Este era o primeiro local, a sul do douro que poderia oferecer possibilidade de permitir a constituição de uma retaguarda para futuras expansões do reino de Leão para sul que na data era praticamente todo ocupado por muçulmanos. Quer Leão, quer Castela quer principalmente Portugal ou o seu embrião desencadeavam na altura incursões pela reconquista do território que estava ocupado. Por isso é que Castelo Rodrigo e depois Almeida eram tão importantes para os reinos vizinhos e também para Portugal. Por isso estas praças eram frequentemente conquistadas, perdidas de novo reconquistadas.
Foi já no reinado de D. Dinis que, tirando partido do problema dinástico em que Leão estava envolvido, foi decidida e bem sucedida uma incursão armada a Castela. No regresso foram ocupadas as praças de Ribacõa desde Castelo Melhor até ao Sabugal. Esta ocupação acabou por forçar alguns anos depois e ainda com D. Dinis à assinatura do Tratado de Alcanizes que definiu em definitivo as fronteiras entre Portugal e Castela.
Durante a crise de 1383/1385, o alcaide-mor de Castelo Rodrigo manteve-se fiel a D. Beatriz, herdeira do trono, tendo recusado a entrega das chaves ao mestre de Avis o que originou grandes combates. Tomado o castelo pelos adeptos do mestre de Avis, a vila foi punida de duas formas:
Por um lado, o castelo passava a depender do Castelo de Pinhel
Por outro, o brasão da vila passou a ostentar as armas colocadas sobre o escudo invertido, tendo sido também colocado na frontaria da torre de menagem no mesmo sentido. Armas colocadas invertidas queriam significar desonra. Pelos vistos, a politiquice já naquela época apresentava tiques de malvadez.

Brasão com o escudo invertid0

Brasão com o escudo invertid0

D. Manuel I atribui novo foral à vila em 1509.
No sopé do monte a freguesia de Figueira desenvolvia-se fruto da melhor qualidade dos solos e acessos mais fáceis ao mesmo tempo que no cimo do monte, Castelo Rodrigo ia decaindo.
Em 25 de Junho de 1836 D. Maria II atribui o título de vila à povoação de Figueira, tendo em Dezembro do mesmo ano sido extinto o concelho de Castelo Rodrigo e criado o de Figueira de Castelo Rodrigo.
A denominação do concelho, parece ter sido efectuada com cuidado provavelmente para não ferir ainda mais o velho Castelo, que tantas batalhas apoiou e que agora estava moribundo. Talvez por isso o nome do novo concelho tenha sido composto entre os nomes de ambas as localidades.
O brasão de Figueira de Castelo Rodrigo é um brasão de concelho assim como o brasão de Castelo Rodrigo. Qualquer deles possui 4 torres prateadas características dessa qualidade. O brasão do actual Município de Figueira de Castelo Rodrigo possui no centro um leão que admito ser uma referência histórica ao criador do primitivo concelho, por parte do rei de Leão.

Brasão de Figueira de C Rodrigo

Brasão de Figueira de C Rodrigo

Brasão de Castelo Rodrigo

Brasão de Castelo Rodrigo

Como concelho que era, Castelo Rodrigo possuía o seu pelourinho. Este, encontra-se localizado na freguesia de Castelo Rodrigo. Foi considerado imóvel de interesse público e a sua descrição pormenorizada consta (aqui).
Este pelourinho faz parte do inventário elaborado pela Academia Nacional de Belas Artes em 1935 (aqui).

Pelourinho de Castelo Rodrigo

Pelourinho de Castelo Rodrigo

Castelo Rodrigo, possui um castelo construído desde os tempos medievais, várias vezes ampliado e reconstruido ao longo do tempo. É que, este local, foi palco de batalhas, intervenções militares, cercos, etc. Quem não se lembra da batalha de Castelo Rodrigo durante a Guerra da Restauração? Bem, mas essa batalha foi a última que aquela localidade viveu com o pais vizinho. Muitas outras, em épocas anteriores tiveram a intervenção destas gentes.

Obras de recuperação no Castelo

Obras de recuperação no Castelo

Para além do Castelo, existe no concelho a célebre Igreja e Convento de Santa Maria de Aguiar cuja construção terá ocorrido no Século XII pelos beneditinos. É um conjunto em que predominam os estilos românico e gótico.

Divisão Administrativa de Figueira de Castelo Rodrigo (2013)

Divisão Administrativa de Figueira de Castelo Rodrigo (2013)

Castelo Rodrigo é uma freguesia do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo e com a reforma administrativa de 2013 (aqui) manteve o território que possuía, não tendo por isso sofrido qualquer alteração.O mesmo aconteceu à freguesia de Figueira de Castelo Rodrigo.
Em Castelo Rodrigo ou sobre Castelo Rodrigo, existem várias lendas. De todas as que encontrei, entendi fazer aqui uma referência especial à da Serra da Marofa. Pode lê-la (aqui).
A aldeia faz parte do programa das aldeias históricas (aqui) o que terá permitido efectuar algumas obras de manutenção e conservação quer da parte interior do castelo. No entanto muito mais há a fazer se se quiser recuperar a grandiosidade deste castelo.
Ir até Figueira de Castelo Rodrigo é quase um dever. Visitar, depois de lá nos encontrar-mos, Castelo Rodrigo e o seu Castelo é uma obrigação pois para além de tudo ali respirar história, não podemos esquecer-nos que este Castelo é dos mais antigos de toda esta Zona.
Ninguém pode ficar indiferente quando num local como este se podem ver pedras que afinal foram esculpidas quando a vila não era sequer território Português. Vamos até lá, e visitemos pelo caminho a praça de Almeida. Ninguém se arrependerá desta viagem.
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«Do Côa ao Noémi», opinião de José Fernandes (Pailobo)

jfernandes1952@gmail.com

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