Sobre as cinzas das eleições…

Fernando Lopes - A Quinta Quina - © Capeia Arraiana

As eleições para o parlamento europeu terminaram… e já começaram as legislativas de 2015! Era inevitável que assim fosse.

O PSD/CDS respirou de alívio face ao ter perdido por pouco

O PSD/CDS respirou de alívio face ao ter perdido por pouco

Estavam a ser mostrados os resultados das eleições e já se apresentavam planos e medidas para os próximos dias. A CDU apressava-se, baseado num resultado eleitoral lisonjeiro, uma Moção de Censura ao governo. O MPT, pela voz de Marinho e Pinto, deixava a dúvida sobre o futuro, usando a linguagem política cavaquista que consiste em apregoar que não se é político. O BE fez saber da sua vontade de estar na luta, confirmando-se, contudo, a sua falência. O PSD/CDS, respirou de alívio face ao ter perdido por pouco e numa conjuntura que não lhes era favorável. Todavia é uma derrota. Mas a derrota maior vai para o CDS. Projectando-se a ideia de que só sobreviverá coligado. O PS cantou vitória. Mas, uma vitória em que ganhou por pouco.
Perante isto, importa, obviamente, fazer alguma análise política.
A primeira observação vai para o número elevadíssimo de abstencionistas. Praticamente dois terços dos eleitores não foi votar. O que mostra que a maioria dos eleitores se está a borrifar para a gestão do espaço geográfico, social, cultural e político em que estão inseridos, para a gestão do país e para a democracia. Assim, os resultados que estas eleições nos trazem dizem respeito a um terço dos eleitores. O PS, que, efectivamente, ganhou as eleições, recebeu, sensivelmente, 10% dos votos, tendo em conta os 30% dos que foram votar. Portanto, uma em cada dez pessoas que foi votar votou no PS. É esta a miserabilidade dos números destas eleições e sobre os quais assenta a chamada e tão badalada «vontade do povo».
Assim, ressalva que, qualquer leitura, será sempre sobre um terço dos eleitores, ficando sempre a questão de que, para o ano, nas legislativas, será o mesmo número que irá ás urnas? Parto do princípio de que não. Irão mais eleitores. É perante este pressuposto que assenta a minha análise. Para a coligação que governa é a segunda derrota consecutiva e, contudo, parece tudo calmo. Seria um sinal de consistência mas, a verdade é que o CDS perde, o PSD perde. Mas, há sempre um mas, os resultados mostram que, em função, destes resultados, há a possibilidade de, com algum adocicar (leia-se embustear) dos cortes, conquistar terreno ao PS e, assim, até ganhar as eleições. É esta a leitura que faz a coligação e, daí, a aparente acalmia. Do lado do PS, mesmo ganhando as eleições, o resultado ficou aquém do projectado. A leitura que tem que ser feita é a de que o PS não foi capaz de convencer o eleitorado do seu projecto. Daí que logo tenham surgido vozes a contestar a liderança. É legítimo. É assim em democracia. Mas reparo que, os que aparecem agora, não quiseram antes sujeitar-se a estes sufrágios e perspectivam a vitória nas próximas eleições. É o ataque ao poder. É assim em política. A CDU, confirmou a fidelidade do seu eleitorado e foi mais além, resultado de um discurso anti quase europeu. Não creio que repita estes resultados nas legislativas. O BE reflecte a continuidade descendente em termos eleitorais, mostrando o fracasso, para já, da solução de uma direcção bicéfala. Veremos se nas próximas eleições não será o fim do movimento. Sobra o que fará o MPT, melhor, Marinho e Pinto. Se o resultado agora obtido não será gula para algo mais. Tendo em conta a personagem e o discurso, tudo é possível. Um registo para o partido Livre, formado recentemente e sem a mediatização, obteve um resultado interessante. A seguir nas próximas eleições.
Em resumo, quem ganhou, está agora a perder, o PSD perdeu, o CDS está desaparecer, tal como o BE. A CDU mantém-se. A expectativa está nesse surgimento de novos paridos e, claro, na abstenção.
As legislativas começaram nas cinzas das europeias.
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«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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