Maria Mim em Teatro no Sabugal

Sabugal - © Capeia Arraiana (orelha)

O grupo de teatro Guardiões da Lua, da Quarta-Feira, leva à cena a peça «Maria Mim», baseada no livro homónimo de Nuno de Montemor, cuja estreia está prevista para o dia 29 de Março (sábado), pelas 20h45, no Auditório Municipal do Sabugal.

Maria Mim em versão teatral

Maria Mim em versão teatral

No ano em que se cumprem 50 anos sobre o falecimento do grande escritor quadrazenho, os Guardiões da Lua homenageiam a memória do escritor interpretando a peça teatral baseada no livro que dedicou à sua terra.
A adaptação do texto foi feita por João Reis, o homem que fundou e dirige o grupo amador de teatro do concelho do Sabugal.
Maria Mim é um romance de denúncia e de revolta, face à perseguição que o Estado exercia sobre os contrabandistas quadrazenhos, que não eram ladrões nem facínoras, como os pintavam as autoridades, mas antes pessoas honradas e virtuosas.
Apaixonado pelo contrabando, por viver junto à raia, a um passo de Espanha, e por ter de sustentar a família, o quadrazenho avançava de carrego às costas, procurando ludibriar a vigilância de guardas-fiscais e carabineiros. Por exercer negócio ilícito era perseguido pelas autoridades e olhado com desconfiança por povos de outros lugares, o que o obrigou a criar uma linguagem própria, a gíria quadrazenha, para assim iludir quem o espiava e lhe ouvia as conversas.
O romance inicia-se tendo por pano de fundo o cordão sanitário formado pelos militares na raia sabugalense, que procuravam evitar que a cólera chegasse a Portugal. O ridículo e ineficaz dispositivo influiu na vida dos contrabandistas que tiveram de contornar mais um obstáculo para comerciarem com os povos do outro lado da fronteira. É aqui que aparece a quadrazenha Maria Mim, de «cabelos de seara madura e o rosto da cor do trigo, quando sai corado do forno», que, qual deusa Ceres, encanta o alferes Júlio Marinho, que chefiava um sector do dispositivo militar. Dali nasceu uma paixão mútua, sempre comedida pela solidez de princípios da quadrazenha, que já tinha um «conversado» ao qual quis ser fiel, e pela honradez do militar que respeitava os valores daquela gente boa e honesta.
No desenrolar do enredo aborda-se a forma de vida em Quadrazais e demais terras raianas, descrevem-se as ricas paisagens e a beleza dos monumentos do Sabugal, conta-se a lenda da Rosa da Montanha, expõe-se a organização da tradicional capeia arraiana. O romance culmina na concorrida romagem à Senhora da Póvoa, em Vale de Lobo, no sopé da Serra da Opa, onde os raianos afluíam em peregrinação.
Nuno de Montemor, pseudónimo do padre Joaquim Álvares de Almeida, não tinha uma pinga de sangue quadrazenho. Nasceu na aldeia porque os pais, oriundos de Pêga, aí haviam instalado uma fábrica de sabão. Saiu mesmo de Quadrazais ainda criança, afastando-se da terra de nascimento. Mas nunca esqueceu, nas suas próprias palavras, o dizer de sua mãe: «se um dia fores homem, lembra-te sempre da terra onde nasceste, porque não há gente boa como a de Quadrazais…». Os anos correram, o então menino fez-se homem e cumpriu o desejo da mãe escrevendo o livro Maria Mim, dedicado à gente boa, mas incompreendida, da terra onde nasceu.

Os Guardiões da Lua são um grupo de teatro do concelho do Sabugal, que já conta com mais de uma década de existência, cujos artistas são essencialmente da Quarta-Feira.
O seu fundador foi João Reis, que para além de encenador do grupo é também um brilhante escultor, com uma vasta colecção de obras de arte em pedra.
plb

Deixar uma resposta