Souto da Casa – «De quem é o Carvalhal?»

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Há cento e vinte e quatro anos, o Povo da Rama do Castanheiro mobilizou-se coletivamente e com todos os utensílios agrícolas à mão deslocou-se para o Carvalhal, território circundante ao império feudal da Casa Garrett, que estava a usurpar e a ocupar os baldios. O povo obrigou o proprietário a dizer que aqueles terrenos eram das gentes do Souto da Casa, obrigando-o a gritar: O CARVALHAL É NOSSO!

O Carvalhal - Souto da Casa

O Carvalhal – Souto da Casa

Este acontecimento faz parte da História do Povo do Souto da Casa, já foi alvo de notícias na RTP, em diversos órgãos de comunicação social escrita e falada, e a Companhia de Teatro ESTE do Fundão, já o levou à cena em muitas partes do País.
Nesta quarta-feira de Cinzas, dia em que o Carnaval foi libertado, fomos participar e ouvir alguns dos que se deslocaram ali, com muito sol e ao som de Bombos e foguetes.
Manuel Costa de Leiria – «É a primeira vez que aqui venho convidado por uns amigos e até adiei uma reunião em Lisboa para marcar presença. Não estou arrependido e gostei imenso».
José Nicolau dos Reis Silva de S. Vicente da Beira – «É uma festa que me agrada muito, principalmente pela convivência com as pessoas».
Carlos Santos do Souto da Casa – «Já em criança sempre ouvia falar na tradição do Carvalhal, que me agrada muito. Os meus pais vinham aqui apanhar lenha, cultivar as terras que escolhiam neste dia, e incutiram na minha pessoa o espirito e a vontade de todos os anos me deslocar ao Carvalhal e participar nesta tradição».
António Vicente Leal da Bendada – «É a terceira vez que aqui venho, convidado pelo amigo António Alfredo Campos. Gosto muito do convívio, para o qual participam desinteressadamente António Pinto e a Esposa, proporcionando uma saborosa refeição. Gosto muito deste local , nas fraldas da Serra da Gardunha, a perto de mil metros de altitude, ameno, de uma grande beleza, que tem prolongamento na vinda e no percurso percorrido. Só para se observar esta panorâmica, vale a pena vir de carro em caminho de terra batida ou fazer uma caminhada de uma dezena de quilómetros.»
António Castanheira Dias do Souto da Casa – «Venho todos os anos com chuva, sol ou neve e enquanto tiver saúde nunca falho».
João Correia Pires de Alpedrinha – «Venho ao Carvalhal porque tenho aqui muitos amigos e é uma forma de conviver. É bom recordar com eles que o Carvalhal é Nosso. Em Alpedrinha também havia baldios nestas circunstâncias, mas o povo não conseguiu os feitos desta grande Gente da Rama do Castanheiro.»
António Alfredo Monteiro Figueira – Souto da Casa/Lisboa – «Venho todos os anos de propósito ao Carvalhal. Identifico-me com esta causa e com estas gentes. Vejo no rosto de cada uma delas ou deles, uma irmã e um irmão.»
Artur Pombo Dias do Tortosendo – «É a primeira vez que aqui estou nesta festa, embora já conhecesse estas maravilhosas paragens. Hoje até o sol se juntou a nós para que este convívio fosse melhor.»
José Manuel Duarte Oliveira “Zé Nhaco” de Alcongosta – «O Povo do Souto da Casa lutou para que hoje esteja aqui a festejar este grande acontecimento. Eles foram os grandes protagonistas que não se deixaram vergar, não tiveram medo.»
Joaquim António Lourenço Monteiro de Aldeia de Joanes – «Há vinte anos que aqui venho, desde que integrei os Caminheiros da Gardunha. Realizámos uma caminhada a pé a este lindo e histórico local. Se não venho, fico melancólico porque aqui encontro muitos amigos que durante o ano não encontro.»
Alexandre Barata do Fundão – «Vim aqui pela primeira vez integrado na RCB onde trabalhava, no centenário que sinalizou este acontecimento. É algo complicado explicar-lhe o sentimento profundo que me traz aqui todos os anos. Na minha opinião tudo isto tem a ver com a nossa liberdade. Aqui há uma manifestação de liberdade e solidariedade de um Povo, de um Grito de um Povo que foi dado neste dia em 1890.»
António Luís Castanheira do Souto da Casa – «Manter a tradição e preservar a história de um Povo, o Povo do Souto da Casa».
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«Aldeia de Joanes», crónica de António Alves Fernandes

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