OS MIS€RÁV€IS

Luís Marques Pereira - Estádio Original - © Capeia Arraiana

Há duas semanas tive a oportunidade de ver jogo de futebol entre o meu Benfica e o Vitória Sport Clube de Guimarães, com amigos do tempo em que não haviam claques organizadas, nem publicidade nas camisolas.

Publicidade no equipamento do Vitória de Guimarães

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A certa altura um dos amigos questionou sobre o que seria aquele BK que as camisolas do Guimarães ostentavam em grande plano. No ambiente onde fui educado a cidade de Guimarães tinha dois significados imediatos, berço da nacionalidade e cutelarias. Afastei a hipótese do BK se relacionar com aspetos de nacionalidade, pois o K não faz parte do alfabeto português, e pensei que fosse a designação comercial de alguma empresa inglesa ou alemã, que tivesse aproveitado os saldos para rentabilizar as fábricas e o saber fazer dos vimaranenses no ramo da cutelaria. A minha curiosidade levou-me a pesquisas que resultaram em pasmo, pois descobri que BK são iniciais do nome de um general angolano (Bento Kangamba).
Pesquisando mais um pouco para saber que tipo de empresas estavam relacionadas a esse nome, fiquei a saber que o general é conhecido no mundo financeiro como empresário da juventude e que consta na página da Interpol (aqui), como procurado por associação criminosa, tráfico humano e exploração sexual.
Grave é a cumplicidade das nossas autoridades que permitem o uso de Portugal para branqueamento de capitais de origem criminosa. É esse capital que paga a publicidade e o esforço dos atletas e enche os relvados e as salas de imprensa com publicidade a um procurado pela justiça. Sabe-se que esta figura faz frequentes desembarques e estadias em Lisboa, onde é conhecido por ocupar para o seu séquito um andar inteiro de um luxuoso hotel da capital.
É também o capital de origem criminosa que tem servido para pagar os vistos dourados que as nossas instituições vendem a todo e qualquer pária. Ainda no campo da desonestidade e da descredibilização, sabe-se que os irrevogáveis que decidem o nosso destino estão a dar aboletamento nas “nossas” instituições financeiras, aos responsáveis por uma das mais velhas e ferozes ditaduras de África. Ficamos a saber que uma empresa estatal da Guiné Equatorial promete injetar 133,5 milhões de Euros no Banif e também alguns milhões no BCP, para permitir a recapitalização indispensável para estes bancos passarem no exame da União Europeia. O Sinistro dos Negócios Estrangeiros, como vista à integração na CPLP, já disse que não há qualquer motivo para desconfiar da credibilidade da Guiné Equatorial. Este dinheiro manchado de sangue permitirá que Teodoro Obiang obtenha legitimidade para continuar as práticas de tortura, prisões arbitrárias e condenações à morte, mas destruirá a por completo a pouca credibilidade da CPLP.
A par da utilização de Portugal para operações financeiras com dinheiro de origem ilícita, consta que empresários portugueses estão a usar as suas credenciais europeias para venderem os recursos roubados aos países africanos. Estes empresários agem como «branqueadores» dos negócios paralelos entre os Bokassas e as empresas de países com políticas de responsabilidade social, que ficam mal na fotografia quando negoceiam diretamente com países onde existem altos índices de corrupção e de repressão e baixos índices de transparência e democracia. À imagem do que se fazia há alguns séculos naquelas paragens, onde os nativos mais preparados para a guerra escravizavam os mais pacíficos para os vender aos negreiros portugueses, assiste-se hoje à cooperação dos corruptos portugueses com os corruptos africanos em práticas criminosas, agora unidos pela cor do dinheiro. Uma só palavra para esta gentalha «ABJECTOS».
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«Estádio Original», opinião de Luís Marques Pereira

One Response to OS MIS€RÁV€IS

  1. aemidio diz:

    Senhor Luís Marques Pereira :

    Um imenso obrigado da minha parte por me ter permitido ler um dos melhores artigos sobre o comportamento de alguns empresários e políticos, não é algo que alguns de nós não saibamos, mas coisas destas não passam na comunicação social controlada por esses mesmos empresários e políticos a quem o senhor chama, e muito bem « ABJECTOS ». Eu, se não fosse pelo respeito que me merecem as prostitutas chamar-lhes-ia filhos da puta.

    António Emídio

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