Portugal precisa dos nossos jovens!

Joaquim Gouveia - Capeia Arraiana (orelha)

Cada dia que passa vai engrossando a coluna de jovens que se prepara para emigrar. Não levam a satisfação de quem procura novas experiências, mas sim a frustração de quem sente que o país onde nasceu lhes rejeitou uma única oportunidade de serem felizes… AQUI.

Manifestação de Professores - Capeia Arraiana

Manifestação de Professores (foto: D.R.)

Era uma vez… um país que há quatro décadas soube conquistar a paz, a liberdade, o direito à educação, ao trabalho e a um salário, devolvendo a todos os cidadãos, o direito de poderem decidir o futuro das suas vidas.
Neste percurso, sinuoso, muitos foram os avanços e recuos, tantos como os governantes e suas políticas, que conduziram Portugal até aos nossos dias. Dito assim, pode parecer que tudo está bem. Não é verdade! Perante um país de elevado capital humano e mão-de-obra altamente qualificada assistimos, diariamente, à fuga de milhares de jovens, na realização de um sonho a que todos têm direito.
Enquanto isto acontece, a nossa competitividade e inovação baixam, a população residente envelhece, desqualifica e atrasa o país. Pode até acontecer que esta seja a última vaga de emigrantes qualificados… Por uma simples razão: se o nosso modelo económico despreza a qualificação deixaremos, com o tempo, de qualificar os nossos jovens. E ficaremos muito próximos dos países subdesenvolvidos, que formam os seus quadros no estrangeiro, ficando a depender destes, para tudo o que exija alguma especialização. Seremos o que já fomos: um fornecedor de mão-de-obra barata, desqualificada e de talentos por formar.
Se a taxa de emigração jovem continuar a subir, Portugal estará condenado por mais umas décadas. O investimento que fizemos, e que permitiu inverter, em tempo record, os nossos indicadores sociais, escolares e de saúde será desperdiçado ou então utilizado, exclusivamente, em benefício dos países acolhedores.
Mas esta situação, não é fruto de uma fatalidade! É sim, responsabilidade de políticas erradas e medidas desconcertadas.
Apesar de termos democratizado e generalizado o ensino em pouquíssimo tempo, guardámos os elogios para a escola do passado, que ensinava apenas, uma pequena minoria, desprezando toda uma geração de mão-de-obra tão qualificada, potenciadora de riqueza e conhecimento do país que a viu nascer, bastando, para isso, criar-lhes essa oportunidade.
E agora, que os nossos amigos, os nossos filhos e os nossos netos partem, questionamo-nos sobre tudo aquilo que estamos a perder: Será que estamos a saber gerir todas as vitórias, conquistadas há quarenta anos?
Será que ainda vamos a tempo de pôr um travão nesta debandada de gente jovem, tão diferente daquela que na década de sessenta deu o salto para terras de França? Claro que sim; basta querer!

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Recortes
1) Passos Coelho, Primeiro-Ministro, questionado pelo jornal Correio da Manhã, «convida» professores desempregados a emigrar quando afirma: «Os professores portugueses podem olhar para o mercado da língua portuguesa como uma alternativa ao desemprego que afeta a classe em Portugal» (…) «Em Angola e não só, o Brasil também tem uma grande necessidade, ao nível do ensino básico e secundário, de mão-de-obra qualificada»;
2) Poiares Maduro, Ministro-Adjunto e do Desenvolvimento (encerramento da Conferência sobre Migrações organizada pela Faculdade de Direito da Universidade Católica de Lisboa) afirmou: «O que não deve acontecer é as pessoas serem forçadas a emigrar porque não têm oportunidades de emprego no seu país. É nosso entendimento que uma política inteligente de imigração, atraindo, por exemplo empresários, pode ajudar a criar oportunidades em falta»;
3) Pedro Gonçalves, Secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, defendeu recentemente, em Paris, que «os jovens mais qualificados devem sair do país por livre vontade, não devem ter necessidade de o fazer»;
4) Miguel Mestre, secretário de Estado da Juventude perante uma audiência de membros da comunidade portuguesa em São Paulo (Brasil) e jovens luso-brasileiros recomendou a todos os jovens «se estamos desempregados, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras, dignificar o nome de Portugal e levar know-how daquilo que Portugal sabe fazer bem».

Como pode o país avançar nesta turbulência de ideias e opiniões?
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«Viver Casteleiro», opinião de Joaquim Luís Gouveia

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