A violência nas escolas

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Nesta espécie de barbárie em que vivemos, uma das coisas que me indigna é a violência exercida sobre professores, por alunos e pais de alunos.

Agressões a professores

Agressões a professores

«O Homem chega a ser homem só através da educação» isto dizia Kant, e tinha toda a razão. Nos dias de hoje estamos muito afastados, mas mesmo muito, desse pensamento filosófico.
O que leva uma criança, ainda na escola primária, a agredir um professor(a)? Em primeiro lugar a má educação hoje reinante na nossa sociedade, depois, a criança estar habituada em casa a fazer tudo o que lhe apetece, sendo assim, torna-se um menino mimado, agindo debaixo dos seus instintos mais que primitivos.
Essa criança deixa o ensino primário e entra no secundário, os alicerces morais e de educação não são nenhuns, a ideologia dominante manda-o ser um consumidor, e até de produtos que o destroem física e psicologicamente, que goze a vida de qualquer maneira, as televisões, só me refiro a estas, fazem a apologia do hedonismo e até do confronto entre gerações, ou seja com os pais e professores. A esse jovem, não lhe interessa mais nada do que satisfazer os caprichos do seu ego. Se o professor diz alguma coisa que não lhe agrada, recorre à violência. Depois da cena de violência, chega a polícia, o jornalista, o INEM e, um novo actor, o psicólogo. Em que fica tudo isto? Passados uns dias, ou até no dia seguinte, esse violento já está sentado na sala de aula a olhar para o professor(a) que agrediu, e este, o professor(a), tem de esquecer, nada aconteceu…Até à próxima, podendo esta ser na faculdade, onde, segundo algumas noticias, de vez em quando há violência também contra os professores, de admirar seria se não houvesse!
Eu sei que nesta sociedade de consumo, nesta sociedade do relativismo moral e ético, quem decide se um homem tem valor, ou não, são os mercados, se um produto tem valor, ou não, são os mercados, a decisão de quem deve governar, e como, é dos mercados, ou seja, o dinheiro sobrepõe-se sobre todos os valores humanos, não admira portanto, tantos dramas familiares, a violência doméstica, a droga, o álcool, enfim, toda uma série de problemas que levam à revolta dos jovens e dos pais. Mas se o culpado é o sistema, revoltem-se contra o sistema que tão mal nos trata a todos, também aos professores, estes também são vitimas! Lancem frustrações e ressentimentos sobre o sistema, não contra os professores.

Não esqueci as pessoas que trabalham nas escolas, nem os colegas dos violentos, ambos são às vezes vítimas de violência.
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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

10 Responses to A violência nas escolas

  1. José Marques Valente diz:

    Efectivamente o “sistema” será a primeira prioridade no combate a estes comportamentos anómalos e anti-tudo. Mas o que têm feito as organizações de professores para alterar este estado de coisas? Será que consideram mais importante que tudo os assuntos que elegem como problemas fundamentais da classe? Será que esperam que sejam os decretos ou as leis a remediarem as barbaridades a que estão sujeitos os seus colegas de classe? Deixem-se de ideologias baratas e datadas e interessem-se, verdadeiramente, pelos autênticos problemas dos Professores!…Devolvam-lhes a dignidade que merecem!… Numa palavra, respeitem os seus eleitores…

  2. João Duarte diz:

    Nem me fales nisso… sei quando começou (com a ML Rodrigues e o Sócrates) e sei que continua sob o Crato.

  3. fernando capelo diz:

    Educar passa, também, por incutir aos alunos responsabilidade social e moral, coisa difícil de fazer incorporar por ser tão desusada na sociedade actual. Há alunos violentos, sim, com os professores, com os colegas, enfim, com tudo e com todos e essa violência é, tão só, uma consequência. Os professores são muito mais vitimas do que responsáveis por tal violência.
    Um abraço amigo Nabais

  4. João Duarte diz:

    O sr. Valente aproveita isto para fazer um ataque aos sindicatos, em vez de o fazer aos papás? Ora, ora… Já esteve numa sala de aulas, não a ter que aturar alunos mal educados, mas os seus papás? É que os alunos até se aturam , o pior são mesmo os papás… Se soubesse o que custam aturar os papás não diria isto.

  5. José Marques Valente diz:

    O “sr. Valente” não quer atacar nada, nem ninguém. Tem opinião baseada no que vai observando e na experiência que a vida lhe deu: foi Professor, Director de Escola, Secretário de Zona, Sindicalizado, Delegado Sindical e Pai.
    Ficam os esclarecimentos para que quem seja tentado a fazer juízos de valor, tenha um pouco mais de informação, antes de atacar tudo e todos, sem acrescentar nada.

  6. João Duarte diz:

    Atacar tudo e todos??? Eu??? Mas o sr. Valente começou logo por atacar os sindicatos, assim sem mais , nem menos. E falou em ideologias datadas, o que não vinha para o caso.Não sei o que um Secretário de Zona, mas sei bem foi o Sóc. e a MLR. E sei bem quem é o Crato. E o que eu sei é que o Crato veio com muitas teorioas que mudava tudo, mas há uma coisa que nunca muda: os papás não mandarem nas escolas, como mandam. E , enquanto isso não mudar, vão continuar os ataques aos professores e a violência sobre os professores, de que falava o António Emídio. É que , hoje, quase ninguém respeita um professor, mas é preciso saber que tudo começou por alguma coisa. Nada apareceu por acaso. Lembro-me bem da frase:”Perdi os professores, mas ganhei a população”. E já agora, aproveio para dizer: nunca a minha mãe ou o meu pai foram a qualquer escola que eu frequentasse. E porquê? Porque eu nunca me portei mal. Será isso o mais importante:os papás ensinarem os filhos a portarem-se bem na escola. Acho que, assim sendo, nunca haverá qualquer problema. Agora se alguns papás são os criadores de problemas, quer o quê? Que os sindicatos resolvam isso?

  7. José Marques Valente diz:

    O sr. João Duarte, continua com a sua; o sr. Valente continua com a dele e nada vai mudar. Pela minha parte continuarei atento e desejando que cada um cumpra as suas obrigações, especialmente as famílias, para que todos sejam respeitadores e respeitados.
    Ponto final.
    Nota: Aproveito para esclarecer que um Secretário de Zona é o equivalente a Delegado Escolar, na cidade de Lisboa, onde fui Professor.
    Passe muito bem, sr. João Duarte e até sempre.

  8. Imaculada diz:

    Continuando os comentários do sr. João Duarte que subscrevo e assino por baixo…acrescento eu sou do tempo que se chegasse a casa a dizer fosse o que fosse que o professor tinha dito ainda levava em cima… porque o que o sr. professor dissesse era uma ordem…. coisa dos tempos. Hoje que se fala tanto em crise e eu sou da opinião que tudo e todos se encostaram á crise, esqueceram-se da crise de valores e do respeito que um adulto simplesmente por ser adulto deveria impor. Eu pergunto… a sociedade está como está… e os filhos dessas crianças como serão? Eu dou a minha opinião … bichos. Os poucos que possam prezar a edução em casa, pela sociedade são considerados os diferentes…. Acho que está tudo dito.

  9. JFernandes diz:

    Embora não concordando com tudo o que os ilustres comentadores anteriores disseram, pois todos foram ou são professores, desta vez também eu, como o sr. João Duarte, entendo que grande parte dos problemas que hoje provocam a violência nas escolas são conduzidos pelos pais dos alunos. A escola deve servir para ensinar e aprender conhecimento. A família deve servir para educar e formar os filhos. Misturar as duas coisas não pode correr bem.
    As associações de pais são um elemento importante nas escolas.Mas não podem ter a pretensão de substituir os professores e muito menos contribuir para a violência sobre eles que é a todos os títulos inaceitável.
    Também o meu pai nunca foi chamado à escola por o seu filho se ter portado mal. Mas estou certo que, se por acaso lá fosse, não era para agredir o professor. Seria naturalmente para preparar melhor o castigo que necessariamente eu teria de levar.
    Por isso, deixemo-nos de devaneios democráticos e cada um faça o que lhe compete: (Professores – ensinem; Pais: Eduquem ) e certamente todos ficaremos melhor e os nossos filhos serão certamente melhor formados.
    Jfernandes

  10. João Duarte diz:

    Quero que fique bem claro que eu não sou um bota-de-elástico em termos educativos. Antes pelo contrário. O que eu acho mal é o que foi feito para que os professores passassem a ser uma classe “maldita” para a generalidade dos portugueses. Isso deve-se, quanto a mim, à propaganda anti-professor que começou no Governo de José Sócrates e que teve como porta-vozes homens como Miguel Sousa Tavares ou Emídio Rangel que tudo fizeram para denegrir ao máximo a imagem dos professores. Eu quero dizer aqui que fui à grande manifestação a Lisboa, aquela dos 120.000 professores, não por causa da avaliação ou qualquer coisa parecida, mas porque já não aguentava tanto ódio aos professores, Fui lá mostrar a minha indignação. Hoje, tudo se mantém igual ou até piorou para a classe docente, só que como este ministro é mais “soft” consegue ter uma parte dos professores a seu favor. Mas de uma vez por todas temos que compreender que, como referem alguns comentaristas por aqui, a Educação começa em casa. E aquilo a que se assiste é à mesma teoria de que os professores estão na escola, não para ensinar, mas para prejudicar os alunos. Enquanto esta mentalidade não mudar, é difícil voltar a haver respeito pela classe docente.

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