D. Dinis – Árvore genealógica

Por Terras de D. Dinis - Maria Máxima Vaz - © Capeia Arraiana

O pergaminho com a representação da família de El’Rei D. Dinis faz parte de um conjunto que representa a Genealogia da Família Real Portuguesa. Foi encomendado por Damião de Góis a um iluminista flamengo, a pedido de D. Fernando, filho do rei D. Manuel, e executado em Bruges no ano de 1530, pelo grande artista Simão de Bening. Deste conjunto restam hoje 11 folhas, tendo-se perdido as restantes. Para nossa vergonha já não nos pertencem. Em 1843 foram vendidas em Lisboa num leilão, a um inglês que as vendeu seguidamente ao Museu Britânico com elevados lucros. São hoje consideradas uma das grandes preciosidades desse Museu.

Árvore geneológica de D. Dinis - Maria Máxima Vaz - Capeia Arraiana

Iluminura com a representação da família do Rei D. Dinis (Museu Britânico)

Ao centro da árvore, temos o Rei D. Dinis, quatro dos seus irmãos à esquerda, e à direita duas irmãs: D. Branca vestida de monja, porque foi superiora do Mosteiro Cisterciense de Huelgas na cidade de Burgos, e a seu lado outra irmã, chamada Constança. D. Branca era muito ligada a D. Dinis, que lhe fez grandes doações. Querem alguns cronistas dizer que a fundação do mosteiro de Odivelas foi influência desta irmã.
Ainda do lado direito e num plano acima delas, estão duas figuras masculinas que representam dois filhos naturais de D. Dinis. Não está legível o nome do primeiro, mas por exclusão de partes, visto que é o único dos 7 que falta identificar neste painel, será um que tinha o nome de Pedro Afonso, visto que havia dois com o mesmo nome. O segundo é D. Afonso Sanches, o filho predilecto do rei. Alguns cronistas são de opinião que este filho era o mais velho, embora não haja certezas, mas sabe-se que já era nascido antes do casamento real.
As guerras que D. Afonso IV moveu contra o rei seu pai, foram motivadas pela convicção que o herdeiro tinha, que o rei se preparava para deixar o trono a este filho Afonso Sanches, coisa que nunca esteve na mente do rei, para quem o herdeiro legítimo esteve sempre antes de todos, pelo sentido de dever de estado que D. Dinis sempre demonstrou. Desde que nasceram os filhos da Rainha sua esposa, todos os documentos os associam ao rei e à rainha e os nomeiam, começando desta forma:
«Eu, Rey Dom Dinis, com minha esposa Isabel e meu filho primeiro e herdeiro Afonso e minha filha Dona Constança…»

O Infante D. Afonso não era o mais velho dos dois filhos legítimos. Mais velha era a sua irmã, a Infanta Dona Constança, mas o rei queria com isso dizer que o Infante era o primeiro na ordem dos herdeiros ao trono.
O filho natural, D. Afonso Sanches, ocupou altos cargos na Corte, tendo chegado a Mordomo-Mor, cargo que já tinha desempenhado seu sogro João Afonso de Albuquerque e só conferido a pessoa da total confiança do monarca. Basta sabermos que a comida para as refeições do rei era provada por ele na cozinha e não a podia perder de vista até chegar à mesa, onde, em presença do rei a voltava a provar, antes de o servir. Esta norma da Corte era uma precaução para evitar crimes por envenenamento.
Afonso Sanches veio a casar com Teresa Martins, filha de João Afonso de Albuquerque, primeiro Conde de Barcelos. Tiveram um filho a quem puseram o nome de João Afonso de Albuquerque e por isso, há quem confunda o neto com o avô, até cronistas. Quem deu pelo erro e esclareceu este assunto, foi o Doutor Frei Francisco Brandão que, ao falar do 1.º Conde de Barcelos, João Afonso, encarregado de negociar o tratado de Alcanises previamente, diz o seguinte:
«…Não era este o neto del-Rey D. Dinis, filho de Afonso Sanches como diz a Chrónica, senão seu avô, D. João Afonso Senhor de Albuquerque…»

Voltando à árvore genealógica, temos em baixo as figuras dos Pais de D. Dinis: o Rei D. Afonso III e a Rainha D. Beatriz.
À esquerda vê-se o rei D. Sancho II e mais abaixo a rainha D. Urraca, avó de D. Dinis e ainda figuras de outros membros da Família Real.
Ao cimo temos o Rei D. Afonso IV, filho de D. Dinis e da Rainha Santa Isabel. Do lado esquerdo, no mesmo plano, estão representados cinco dos seus irmãos, filhos naturais de D. Dinis. Começando da esquerda para a direita temos: a Infanta D. Maria Afonso, recolhida no mosteiro de Odivelas e onde está sepultada. Era a mais nova de todos os filhos do rei D. Dinis. Faleceu cinco anos antes de seu pai, com a idade provável de 18 anos. A segunda figura representa a irmã, mais velha que ela e com o mesmo nome. Esta filha de D. Dinis casou com D. João de Lacerda, que era filho do Infante D. Afonso de Lacerda, o legítimo herdeiro de Castela, como ficou dito em crónicas anteriores. Apesar de ser bastarda, D. Dinis conseguiu casar esta filha com o sangue mais nobre da Europa e herdeiro legítimo do trono dos reinos unidos de Castela/Leão. O casamento realizou-se em Santarém. Segue-se-lhe D. Fernão Sanches e depois dele D. João Afonso, o filho sempre fiel a seu pai, quando D. Afonso IV o quis destronar. Morto D. Dinis, o rei seu irmão não lhe perdoou a fidelidade ao pai e mandoou-o degolar. O quinto da fila é o Infante D. Pedro Afonso, trovador como o rei, cronista e autor do livro de linhagens. Veio a ser o 3.º Conde de Barcelos. Está sepultado em S. João de Tarouca, no maior túmulo do nosso património histórico. É o mais notável dos filhos de D. Dinis.
No topo estão duas figuras ainda. A da direita representa o Infante D. Afonso, primeiro filho varão de D. Afonso IV e praticamente morto à nascença. Diz o cronista que foi levado do berço para o túmulo. A figura do lado esquerdo identificada com o nome de «Dona Orraca» não sendo pessoa ligada a D. Afonso IV não é possível dar sobre ela qualquer informação. Há muitas senhoras nobres com esse nome e até rainhas, mas nenhuma delas parente próxima deste rei ou de sua esposa.
«Por Terras de D. Dinis», crónica de Maria Máxima Vaz

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