Congresso luso-espanhol sobre Alcanices

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

O «Capeia Arraiana» ganhou recentemente uma nova colaboradora de excelência. Refiro-me à Doutora Maria Máxima Vaz, uma assumida sabugalense, professora distinta e investigadora de reconhecidos méritos. Os seus textos aqui publicados, sobre D. Dinis e Riba Côa, comprovam-no.

Congresso luso-espanhol sobre o Tratado de Alcanices - Adérito Tavares

Tratado de Alcanices – Comemorações do VII Centenário

Tive o privilégio de conhecer e conviver com Maria Máxima Vaz em Maio passado quando, a convite do nosso comum amigo José Carlos Lages, ambos colaborámos na realização de uma reportagem sobre Odivelas, D. Dinis e o Sabugal. Eu conhecia alguns dos estudos de Maria Máxima Vaz mas, ali, junto ao túmulo do Rei-Poeta-Lavrador, pude constatar quão vasto e sólido é o seu conhecimento destas temáticas. Obrigado estimada conterrânea e colega pelo seu contributo.
Na sequência das crónicas de Maria Máxima Vaz, vale a pena relembrar o excelente congresso promovido em 1997 pela Sociedade Científica da Universidade Católica para celebrar o VII Centenário do Tratado de Alcanices.
A organização deste congresso internacional (luso-espanhol) resultou, em primeiro lugar, da ideia e do empenhamento do Professor Doutor Manuel Braga da Cruz, ribacudense de Mata de Lobos (Figueira de Castelo Rodrigo) pelo lado materno. Manuel Braga da Cruz, professor e, a partir de 2000, reitor da Universidade Católica, teve todo o apoio da Sociedade Científica da UCP e, em particular, do respectivo Presidente, o antigo reitor D. José da Cruz Policarpo, que pouco depois viria a ser Cardeal Patriarca de Lisboa (1998-2013). (Cabe aqui lembrar que, em 1997, D. José Policarpo era ainda Bispo de Caliábria, uma diocese histórica formada no século VII, que tinha sede em Almendra, no concelho de Vila Nova de Foz Côa). De realçar igualmente é o apoio de todas as Câmaras de Riba Côa, que abraçaram entusiasticamente a ideia e tudo fizeram para que este encontro fosse um sucesso.
Fiz parte da Comissão Executiva do Congresso e, portanto, fui testemunha presencial da forma exemplar como foi planeado e como decorreu. Uma das suas características distintivas foi o facto de ter sido um Congresso descentralizado: a sessão inaugural, em 12 de Setembro de 1997, foi no Mosteiro de Santa Maria de Aguiar (Figueira de Castelo Rodrigo); no dia seguinte, a primeira sessão de comunicações decorreu ainda no Auditório Municipal de Figueira. A partir daí, as sessões foram sucessivamente deslocadas para os outros concelhos transcudanos – Vila Nova de Foz Coa, Sabugal e Almeida (onde aconteceu a sessão de encerramento). Pelo meio, tivemos também o prazer de efectuar uma das sessões em Espanha, graças ao espírito de boa vizinhança e à simpatia do jovem alcaide de Ciudad Rodrigo, D. Francisco Javier Iglesias García.
Entre os objectivos da Sociedade Científica da UCP, ao organizar este Congresso, contava-se o de contribuir para a dinamização da vida cultural das terras de Riba Coa. Para isso, foram realizadas várias exposições nos concelhos ribacudenses, subordinadas a diferentes temáticas: documental em Castelo Rodrigo, arqueológica em Foz Coa, antropológica e etnográfica no Sabugal, militar em Almeida. A excelente exposição do Sabugal, no espaço do antigo cinema D. Dinis, ficou muito a dever ao dinamismo e empenhamento do meu prezado colega e amigo Dr. Carlos Alberto Morgado Gomes, igualmente membro da Comissão Executiva.
O Congresso Histórico Luso-Espanhol sobre o Tratado de Alcanices teve valiosas comunicações de académicos de diferentes universidades espanholas e portuguesas, que muito contribuíram para um melhor conhecimento da história de Riba Côa e do País. Porque teria que os referir a todos, dispenso-me de referir algum. Limito-me a citar uma passagem da brilhante e claríssima síntese apresentada na sessão de encerramento pelo Secretário-Geral das Comemorações, Professor Doutor Manuel Braga da Cruz: «Fazemos votos para que estas iniciativas, com a dinâmica que desencadearam, possam vir a reverter em resultados mais permanentes, designadamente na constituição de museus que atraiam a Riba Côa não apenas a curiosidade dos forasteiros mas a crescente auto-estima dos residentes e dos seus emigrantes.»(1)
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(1) O Tratado de Alcanices e a importância histórica das terras de Riba Côa – Actas do Congresso Histórico Luso-Espanhol, Universidade Católica Editora, Lisboa, 1998, p. 424.
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«Na Raia da Memória», crónica de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

One Response to Congresso luso-espanhol sobre Alcanices

  1. Caro colega e amigo Adérito Tavares, agradeço as suas palavras, de amigo benevolente e generoso. Conhecia os seus trabalhos, na opinião dos docentes, excelentes e indispensáveis auxiliares dos professores de História.
    Foi um prazer conhecê-lo pessoalmente. Apesar do seu reconhecido valor, mantém uma postura simples como todas as pessoas de saber. Obrigada por ter aceite fazer comigo aquele trabalho que revelou as ligações de D. Dinis a Odivelas e a Ribacoa.
    Congratulo-me pela sua responsabilidade na organização e participação no congresso sobre Alcanises e dou-lhe os meus parabéns pela crónica que aqui nos oferece com o registo dessas memórias.
    Aguardo, com interesse as próximas crónicas.
    As minhas cordiais saudações.
    Maria Máxima

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