D. Dinis – Diplomacia e cofres abonados

Por Terras de D. Dinis - Maria Máxima Vaz - © Capeia Arraiana

«Quem diplomacia e abonados cofres tiver… só lutará se quiser…» D. Dinis tinha as duas coisas e por isso se diz que fez tudo quanto quis. Nos anos que se seguiram ao Tratado da Alcanises, os pedidos de ajuda a Portugal por parte de Castela foram uma constante. Ajuda em dinheiro e ajuda militar. Nunca o Rei D. Dinis faltou com essa ajuda ao seu genro Fernando IV.

Rei Fernando IV de Castela -  O Emplazado - Capeia Arraiana

Rei Fernando IV de Castela, O Emplazado (a prazo)

Logo no ano seguinte à assinatura do tratado, foi pedida ajuda militar, o que levou D. Dinis até Ciudad Rodrigo com o seu exército, no verão de 1278, onde veio ao seu encontro a rainha Maria de Molina, el rei Fernando IV seu filho ainda menor e D. Constança sua nora, mas o seu destino era Salamanca. A Rainha santa Isabel com a sua Corte ficou no Sabugal.
Que pretendia a rainha regente de Castela, Maria de Molina em cuja Corte fervilhavam os mais variados e contraditórios interesses, sempre alimentados pela intriga política? A recuperação do reino da Galiza e da cidade de Leão, na posse do Infante D. João seu cunhado. Isto estava acordado desde 1295, nos tratados da Guarda. Foi reforçado em 1296 quando das lutas da Liga contra Castela, superiormente dirigidas pelo rei de Aragão, como já tive oportunidade de dizer. O domínio do Infante D. João, filho 3.º de Afonso X, estava reconhecido nos acordos assinados e reforçada depois com a força das armas do exército da Liga Peninsular.
Portugal não tinha conflitos com a Galiza nem com o Infante D. João.
Mas a rainha, pessoa obstinada, não levando em linha de conta a situação em que nos colocava, instava com D. Dinis, para que fizesse guerra ofensiva ao Infante D. João seu tio e amigo, com o qual nunca teve questões de ordem política nem conflitos de poder. Sempre existiram relações familiares de amizade entre eles. Além disso, Portugal tinha uma extensa fronteira com a Galiza, o que colocava em risco a paz dos dois reinos.
Embora tivesse entrado em terras castelhanas com homens armados, a sua intenção era levar as partes a um acordo e foi isso que diligenciou. A sua proposta foi o cumprimento do que estava acordado, mas a rainha insistiu na guerra ofensiva, o que agastou o nosso rei e o decidiu a regressar a Portugal, até porque o seu irmão D. Afonso, mais uma vez se rebelou contra ele e o forçou a uma guerra que tinha de enfrentar com toda a força e que nunca provocou, tendo razões de sobra para isso.
Vencido e submetido à sua obediência o seu irmão, havia que tratar das dispensas do Papa para os casamentos contratados em Alcanises, visto serem todos parentes muito próximos.
A dezassete de Julho de 1300 estava novamente D. Dinis no Sabugal, não sabendo o cronista dizer-nos se regressava de Castela se caminhava para lá, mas considera provável que a razão desta viagem fosse definir em conjunto com a Corte castelhana, estratégias e recursos para alcançar as desejadas dispensas, visto não haver nesta data outra justificação para o rei se deslocar a terras de Ribacoa.
A dispensa tinha sido pedida logo em 1297. Os monarcas de Portugal e Castela empenhavam-se junto da Santa Sé por obtê-la e já tinham passado três anos.
Finalmente, em 1301 foram expedidas pela Cúria Romana as Bulas de dispensa. A que se refere a D. Fernando IV e D. Constança está datada de 25 de Agosto e a que dispensa para o casamento o nosso rei D. Afonso IV e a infanta D. Brites tem a data de 8 de Setembro do mesmo ano.
Considera o Doutor Frei Francisco Brandão que junto do Papa tiveram grande influência os reis de Aragão, pela amizade que os ligava a Bonifácio VIII e que, tanto D. Dinis como a Rainha Santa Isabel devem ter pedido a sua ajuda.
Tinham os nossos reis boas razões para desejar a realização destes casamentos o mais breve possível, porque a rainha Maria de Molina considerava que o casamento de seu filho com a nossa Infanta prejudicava Castela, por implicar a entrega de muitas terras e desenvolvia esforços no sentido de as reaver, admitindo que poderia ser mesmo à custa da quebra do Tratado. Pelo seu excessivo zelo nesta matéria, nunca Castela deixou de estar envolvida em guerras com os restantes reinos da Península, durante a sua regência.
Desta vez porém, Fernando IV ouviu os conselhos de seu tio o Infante D. João e compreendeu o quanto precisava da ajuda de um sogro rico e generoso como D. Dinis. O casamento realizou-se no Inverno de 1302.
Não passou muito tempo que não se provasse o acerto deste casamento, em favor de Castela. Logo no ano seguinte, 1303, recorreu Fernando IV a seu sogro, pedindo-lhe, para despesas de guerra, um empréstimo de 1 milhão de maravedis, importância que o nosso rei prontamente lhe mandou entregar, dizendo que não era para devolver, pois lhos oferecia.
E a ajuda militar continuava a ser solicitada e atendida na medida do possível, desde que se limitasse a defesa. Guerra ofensiva que implicasse agressão aos amigos não era nunca de considerar para ter o apoio de D. Dinis e seu genro já tinha sobejas provas disso.
Quem nunca desistiu foi Maria de Molina, mas já não era regente desde que seu filho foi tido de maior idade para governar, ao completar 15 anos.
Se as lutas fossem contra os mouros, D. Dinis não levantava obstáculos e participava com os seus exércitos, ao lado do rei de Castela, como aconteceu na defesa de Algeciras, em 1309, não lhe faltando ainda com elevada quantia em dinheiro.
«Por Terras de D. Dinis», crónica de Maria Máxima Vaz

:: ::
Uma lenda não confirmada diz que a sua morte deveu-se à maldição dos irmãos Carvalhal, inimigos do monarca. Fernando IV sentiria um grande ódio por estes dois rivais, João e Pedro Afonso de Carvalhal, e encarregou o seu favorito João Afonso de Benavides do assassínio destes. Houve uma luta, mas como quem morreu foi o favorito do rei, este mandou prender os irmãos, que foram encontrados na feira de Medina del Campo, quando compravam arreios para os seus cavalos.
A pena consistiu em encerrá-los numa cela do castelo de Martos (perto de Jaén) e lançá-los do precipício em poucos dias. Os irmãos Carvalhal declararam-se inocentes, uma vez que tinha agido em legítima defesa, não por assassinato. No momento da sua morte garantiram que o rei seria levado ao juízo de Deus no prazo de um mês, caso eles fossem realmente inocentes. O rei morreu exactamente um mês depois desta execução. Por este motivo, Fernando IV foi cognominado de «O Emprazado».
A lenda não é contemporânea da morte de Fernando e parece uma cópia da maldição que Jacques de Molay, o último grão-mestre da Ordem dos Templários, teria lançado sobre Filipe, o Belo e outros poderosos de França aquando da sua execução. (in Wikipédia).
:: ::

Deixar uma resposta