D. Dinis – a Liga Peninsular contra Castela

Por Terras de D. Dinis - Maria Máxima Vaz - © Capeia Arraiana

A Participação de Portugal na Liga Peninsular contra Castela deu ao nosso Rei D. Dinis a oportunidade de tomar pelas armas as terras de Ribacoa no ano de 1296. Estarão recordados que o legítimo herdeiro de Afonso X de Castela e Leão era seu neto, Afonso de Lacerda, menor de idade à morte de seu avô. Seu tio Sancho IV foi um usurpador que nem esperou pela morte de seu pai e se fez reconhecer pela Corte, para ter legitimidade.

Planta do Castelo do Sabugal - Capeia Arraiana

Planta do Castelo do Sabugal

Por morte dele, ficou o filho Fernando IV seu herdeiro, assumindo a regência a rainha viúva Maria de Molina, mulher astuta e determinada, sempre disposta a fazer alianças com quem no momento lhe desse mais e melhores garantias, alianças que não tinha o menor problema em trair, se isso redundasse no interesse de seu filho.
Caberá aqui dizer que Sancho IV destronou seu pai Afonso X, que passou a residir em Sevilha, onde viveu apagado, os últimos anos de vida, acompanhado por sua filha Dona Beatriz, mãe do nosso rei D. Dinis. Foi esta rainha um exemplo de amor filial, apesar de estar na situação de bastarda. A meu ver, esta bastardia é injusta, pois só o é, porque o papa, usando mais uma vez o seu poder, anulou o casamento do qual ela nascera ainda antes de ser anulado.
Facilmente se compreenderá que por morte de Sancho IV e sendo seu sobrinho Afonso de Lacerda já adulto faria diligências no sentido de tomar posse do trono de que era o legítimo herdeiro.
O melhor aliado deste príncipe foi o rei de Aragão, D. Jaime, irmão da rainha Santa Isabel. Com ele se coligou o Infante D. João, senhor da Galiza, descontente com as tomadas de posição de Maria de Molina, que nunca cumpria os acordos, prejudicando os seus direitos, tentando sempre recuperar terreno cedido anteriormente.
O exército da Liga entrou em Castela em Janeiro de 1296, comandado pelo Infante D. Pedro de Aragão, irmão do monarca aragonês. D. Dinis só posteriormente fez parte desta Liga, pois temos notícia da presença dos seus exércitos em Castela, apenas em Setembro seguinte.
Apesar das diligências diplomáticas da rainha regente, o papa não reconhecia o seu casamento mesmo depois da morte do rei, e Fernando IV continuava filho ilegítimo, o que também tinha algum peso na tomada de posição de D. Dinis, por entender que não seria grande segurança para ele, tratar com um rei ilegítimo. Não tendo o reconhecimento do papa, não gozava da sua protecção, que era fundamental para os reis da cristandade. A situação de Fernando IV era, por essa razão, de grande fragilidade e D. Dinis não via vantagens para Portugal, continuar a apoiar as suas pretensões.
Além disso, sendo D. Afonso de Lacerda parente próximo do rei de França, por ser neto de S. Luís pelo lado materno, contava com o seu apoio também.
O exército da Liga tomou a cidade de Leão e aí fez jurar o Infante D. João, rei de Leão e Galiza. O Príncipe D. Afonso de Lacerda foi jurado rei de Castela.
Dirigia-se D. Dinis para Salamanca quando recebeu a notícia do falecimento de seu cunhado, o Infante D. Pedro de Aragão, chefe dos exércitos da Liga. Foi mais uma das muitas vítimas de uma peste que assolou as tropas, que se viram forçadas a retirar para Aragão, dando – se por desfeita esta Liga.
No regresso a Portugal é que D. Dinis se «assenhoreou da Comarca de Ribacoa», no dizer do Cronista Frei Francisco Brandão, que cito: «Todas as memórias mais certas assentam a 1296 a tomada dos castelos de Riba de Coa neste ano e nesta ocasião da volta que agora fez de Castela. E de certo, do tempo presente por diante, ficou esta comarca no senhorio de Portugal permanentemente.»
Acrescenta que Ribacoa é uma língua de terra com quinze léguas de comprimento por quatro de largura, «lançada de Norte a Sul e cingida da parte de Portugal com o rio Coa … Foi esta comarca reduzida à obediência dos reis de Leão e libertada do poder dos Árabes no ano do Senhor de mil, cento e trinta e nove».
Foi o rei de Leão e Castela, Fernando III, de cognome o Magno que avançou por terras sob domínio muçulmano, conquistando para o reino de Leão, terras para sul do Douro até chegar ao Tejo.
Os historiadores antigos atribuem a fundação do Sabugal ao último rei de Leão, Afonso IX, casado com a nossa Infanta D. Teresa, desconhecendo-se se teria sido uma fundação de novo ou se foram ruínas restauradas.
A este mesmo monarca leonês se atribui a fundação de Vilar Maior, esta porém, uma fundação nova, cuja carta de povoação está datada de seis de Agosto de mil duzentos e setenta da era de César, a que corresponde a era de Cristo de mil duzentos e trinta e dois, estando o rei no Sabugal. Confirmaram esta carta os infantes portugueses seus cunhados, irmãos da Rainha Dona Teresa.
Com o objectivo de engrandecer o Sabugal, deu-lhe Afonso IX por termo, os povoados de Vilar Maior e Caria Talaia, sendo esta povoação dotada de castelo, a qual ficava duas léguas para norte do Sabugal e hoje desaparecida.
Os historiadores afirmam que D. Dinis construiu no Sabugal «uma torre altíssima, como a do castelo de Coimbra», que tinha no fecho da abóbada mais alta, o escudo das armas Reais de Portugal.
O Sabugal, dotado de termo e castelo, foi uma povoação de grande importância defensiva para toda a zona, da nascente do Coa até Almeida.
«Por Terras de D. Dinis», crónica de Maria Máxima Vaz

One Response to D. Dinis – a Liga Peninsular contra Castela

  1. António Alves Fernandes diz:

    Leio com muito interesse cultural os textos de Maria Máxima Vaz. Parabéns!.

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