D. Dinis – questões territoriais e de fronteira

Por Terras de D. Dinis - Maria Máxima Vaz - © Capeia Arraiana

As questões territoriais anteriores ao acordo firmado na Guarda no ano de 1295, à posse de Ribacoa em 1296 e reconhecida em 1297. A usurpação de terras portuguesas na fronteira é muito anterior a 1295. A restituição é uma das cláusulas deste texto ratificado em Ciudad Rodrigo. Tem novos desenvolvimentos no ano de 1296 e só termina em 1297 com o tratado de Alcanises.

Rei Afonso X - O Sábio - Capeia Arraiana

Rei Afonso X – O Sábio

Portugal tinha, naquele tempo, fronteiras com os reinos da Galiza e de Leão, não com o reino de Castela.
Estes três reinos foram reunidos sob o mesmo soberano, por Afonso VI, avô de D. Afonso Henriques, mas por sua morte, foi dividido pelos seus filhos, à excepção da Galiza, que ficou sempre a pertencer ao reino de Leão.
Foi precisamente um dos reis de Leão, Afonso IX, casado com a Infanta D. Teresa, irmã do nosso rei D. Afonso II, que se apoderou de terras portuguesas, em lutas para a defesa dos interesses da rainha sua esposa, direitos que o irmão lhe recusava.
Mais tarde, veio a ser herdeiro dos dois reinos, Leão e Castela, Fernando III, pai de Afonso X, o Sábio.
Nesta altura agravaram-se os desentendimentos com Portugal, porque Afonso X apoiava o Rei português deposto, Sancho II. Invadiu o nosso país e tomou ainda mais terras nas fronteiras.
As questões que antes eram apenas com Leão são agora, em resultado disso, com o rei de Leão e Castela.
Tanto D. Afonso III como D. Dinis consideraram sempre que estavam usurpadas as terras ocupadas no tempo de D. Afonso II bem como no reinado de D. Sancho II e nunca desistiram de as recuperar.
Algumas dessas terras ficavam nas comarcas do reino da Galiza e de Leão e não eram comarcas inteiras, pelo que há menos conhecimento delas.
São os direitos sobre estas terras, além das que já referi no artigo anterior, que o acordo da Guarda nos assegurou.
Depois de ratificado na Cidad Rodrigo, partiu a Corte castelhana para Salamanca e D. Dinis para Beja, onde concedeu foral às vilas de Serpa, Moura e Noudar, a 9 de Dezembro de 1295.
Tendo voltado a Lisboa no fim desse ano, nomeou o Bispo de Lamego para demarcar as nossas terras pela parte da Beira desde o rio Tejo até à foz do Coa e mais três demarcadores daí até à foz do rio Minho. Haviam de vir ter com eles, o Adiantado da Galiza com dois companheiros. No dia 20 de Janeiro de 1296 estavam presentes os portugueses nos lugares combinados – Monforte uns, em Pinhel outros, mas os nomeados pelo rei de Leão e Castela não compareceram, pelo que as terras não foram devolvidas a Portugal.
Diz o cronista Frei Francisco Brandão: “… acabou de conhecer que não recuperaria daquele reino por via de promessas cousa alguma que não fosse ajudada de força e violência …”
Foi esta atitude dos castelhanos que levou D. Dinis a entrar com o seu exército em Castela, no ano de 1296 e a participar na Liga constituída pelo rei de Aragão, para defender os direitos daquele que era o verdadeiro herdeiro do trono de Afonso X, o seu neto, D. Afonso de Lacerda, e cujos interesses ninguém tinha ainda defendido. Era o menor a quem seu tio Sancho IV e Maria de Molina tinham usurpado o trono.
Participavam nesta liga contra Castela, o rei de Aragão, o já conhecido Infante D. João e o rei de Portugal.
Partiu D. Dinis da Lisboa com as tropas e a vinte de Agosto desse ano estava na Guarda. Entrou com o exército por Cidad Rodrigo, dirigindo-se a Salamanca.
Foi nesta ocasião que se assenhoreou da «Comarca» de Ribacoa, constituída pelas localidades de Sabugal, Alfaiates, Vilar Maior, Castelo Bom, Almeida, Castelo Melhor, Vilar Torpim, Castelo Rodrigo e S. Fallices de los Galegos, que o Tratado de Alcanises nos reconheceu em 1297, conjuntamente com as terras usurpadas.

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Deixo mais uma nota, para aqueles que gostam destes particulares.
O casamento da rainha D. Teresa com Afonso IX de Leão, foi anulado pelo Papa, por serem parentes próximos. Já tinham filhos. Afonso IX deixou em testamento o reino a estes filhos, (apesar de ter tido mais), mas não se cumpriu.
A Rainha voltou para Portugal, fundou o Mosteiro Cisterciense de Arouca, onde viveu o resto de seus dias.
Todos os historiadores são unânimes em afirmar que era um casamento feliz.

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«Por Terras de D. Dinis», crónica de Maria Máxima Vaz

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