D. Dinis assina acordo na Guarda em 1295

Por Terras de D. Dinis - Maria Máxima Vaz - © Capeia Arraiana

Todo o processo que diz respeito à posse das terras de Ribacoa está relacionado com a conjuntura política no reino de Castela, que já englobava o reino de Leão no tempo de Afonso X o Sábio. O acordo entre D. Dinis, o infante D. João e os representantes da rainha Maria de Molina que resultaria no Tratado de Alcanises foi assinado na cidade da Guarda a 6 de Setembro de 1295.

Monumento Tratado Alcanices - Capeia Arraiana

Monumento comemorativo do Tratado de Alcanices

O filho mais velho deste monarca, o Príncipe D. Afonso de Lacerda, casado com uma filha de São Luís, rei de França, e que era o herdeiro do trono de Leão e Castela, faleceu ainda em vida de seu pai, mas já tinha dois filhos. O direito hereditário dizia que o mais velho substituiria o pai, na posição de herdeiro. Mas não foi isso que aconteceu.
O segundo filho de Afonso X era Sancho IV, casado com Maria de Molina. Este Infante destronou o rei seu pai e usurpou o trono ao sobrinho, que era ainda criança.
Criou assim uma situação que explodiria após a sua morte, com o aparecimento dos vários pretendentes ao trono dos dois reinos, unidos sob o poder do mesmo soberano, por herança.
Por morte de Sancho IV, o neto mais velho do rei Sábio reclamou os seus direitos. Maria de Molina apresentou também o seu filho, ainda menor, Fernando IV, às Cortes, que o juraram herdeiro.
O Infante D. João, terceiro filho de Afonso X reclamou também o trono, alegando a ilegitimidade dos filhos de Maria de Molina e Sancho IV, uma vez que o Papa considerava nulo o seu casamento, por serem primos.
Havia assim três pretendentes ao trono de Castela.
Foi este Infante D. João que veio à Guarda pedir o apoio de D. Dinis, que não lho recusou mediante contrapartidas para Portugal, apresentadas pelo nosso rei:
– demarcação de fronteiras: recuperação das terras portuguesas usurpadas – Arronches, Aracena, Noudar, Ouguela, Serpa, Moura e terras nas comarcas da fronteira norte, entre Portugal, a Galiza e Leão.
O Infante D. João aceitou e, consultado por D. Dinis, o seu Conselho deu sentença favorável ao acordo.
Quando a rainha Maria de Molina teve notícia deste acordo, enviou à Guarda o tutor do seu filho, com o objectivo de o renegociar, mesmo fazendo concessões ao Infante D. João, caso ele desistisse das pretensões ao trono de Castela. D. Dinis retomou as negociações levando as duas partes a um entendimento e mantendo as contrapartidas para Portugal.
O Infante D. João contentou-se com o reino da Galiza e a posse da cidade de Leão que tinha tomado pelas armas e reconheceu Fernando IV como herdeiro de Castela.
O tratado foi assinado pelas três partes na cidade da Guarda.
Os negociadores castelhanos partiram para Salamanca onde se encontrava a Corte com a rainha regente.
D. Dinis partiu a seguir para Ciudad Rodrigo onde veio ao seu encontro a Corte Castelhana, sendo ali ratificado o tratado.
Foi também marcado o dia da entrega a Portugal das terras usurpadas.
Pontualmente presentes nesse dia os negociadores portugueses nos locais aceites pelas partes, aguardaram debalde a chegada dos castelhanos, que nunca chegaram a vir.
Só posteriormente, no ano de 1296 é que as terras de Ribacoa passam a estar nos planos do nosso rei, por incumprimento deste acordo pelo rei de Castela.
D. Dinis entrou em Castela com os seus exércitos e a força das armas convenceu a rainha regente não só a entregar-nos o que era nosso, como a admitir que era necessário negociar com Portugal a posse das terras de Ribacoa.
E foi isso que Castela reconheceu no Tratado de Alcanises.
«Por Terras de D. Dinis», crónica de Maria Máxima Vaz

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