Acção diplomática de D. Dinis

Por Terras de D. Dinis - Maria Máxima Vaz - © Capeia Arraiana

Tratados efectuados entre os reis da Península Ibérica, devidos à habilidade diplomática do Rei D. Dinis. Várias vezes foi pedido apoio ao nosso rei, pelos herdeiros dos reinos de Leão e Castela. Nunca D. Dinis recusou a sua intervenção. Nalgumas ocasiões foi pedido apoio armado, mas D. Dinis, sem recusar o uso da força, conseguiu sempre levar as partes a aceitarem as suas propostas e a assinarem os tratados acordados.

Maria de Molina (Rainha de Castela) apresenta o filho D. Fernando IV - Capeia Arraiana

Maria de Molina (Rainha de Castela) apresenta à corte o filho D. Fernando IV com nove anos

As questões dinásticas dos reinos de Castela e Leão agravaram-se com a morte de D. Sancho IV de Castela e Leão, filho de Afonso X, o Sábio.
D. Dinis conhecia a correlação de forças, conhecia os direitos e a legitimidade de cada um dos herdeiros, os apoios externos que tinham, nomeadamente no Papado e nos Reinos de Aragão e de França.
Tinha uma estratégia definida, que se revelou na sua forma de agir; sabia as contrapartidas que Portugal podia obter e estava determinado a fazê-las constar nos contratos.
Dois dos três herdeiros vieram ter com D. Dinis à Guarda, onde a Corte se encontrava e onde se redigiu o primeiro tratado que depois foi ratificado na Cidad Rodrigo. Nesse primeiro acordo, cada um dos herdeiros aceitou as propostas de D. Dinis, que procurou dar uma solução de acordo com as pretensões de cada um.
Para além dos interesses dos três herdeiros, D. Dinis fez constar expressamente, os territórios que seriam devolvidos a Portugal e andavam usurpados pelos reis de Castela, dos quais nunca desistimos.
Castela assinou mas não cumpriu e D. Dinis entrou em Castela com um exército, reclamando a entrega das terras que ficaram de devolver à coroa portuguesa e das quais estávamos desapossados desde Afonso X. A estas acrescentou Ribacoa, reconhecidas portuguesa depois, pelo Tratado de Alcanises.
O nosso Rei evitou sempre fazer guerra, mas sabia que as armas eram um bom argumento para fazer cumprir os incumpridores, mesmo que não chegassem a ser usadas.
A única vez que entrou em Castela, a pedido da rainha regente, com a probabilidade de vir a recorrer à força das armas, a rainha Santa ficou com o pessoal da sua casa, na vila do Sabugal – 1298, «para daquela fronteira dar expediente no que fosse necessário». (Frei Francisco Brandão).
A rainha regente tinha pedido ajuda ao Rei D. Dinis, contra as pretensões de um seu cunhado, o Infante D. João, (também filho de Afonso X) ao trono de Castela. O monarca fez-se acompanhar de tropas, admitindo que poderia ser forçado a entrar em guerra e dirigiu-se ao Sabugal. Daqui partiu para Cidad Rodrigo, onde se encontraria com a Rainha viúva, Maria de Molina, que governava em nome de seu filho menor, genro de D. Dinis.
Por estarem tão perto, decidiu a rainha de Castela encontrar-se com a rainha de Portugal em Fonte Guinaldo, levando em companhia a sua nora, D. Constança filha dos nossos reis e já Rainha de Castela, embora de menor idade, para que Mãe e filha pudessem passar uns dias juntas. E assim aconteceu, tendo-se deslocado a Fonte Guinaldo a rainha Santa e regressado depois ao Sabugal, onde aguardou o regresso de D. Dinis.
A sua missão exclusivamente diplomática teve lugar no ano de 1304.
Num conflito entre Aragão e Castela sobre o reino de Múrcia, a pedido dos dois soberanos e por incumbência do Papa, foi o árbitro escolhido para conseguir um acordo entre os dois reis – de Castela e Aragão. Havia outros reis empenhados em conseguir do Papa essa missão, e um deles era o rei de França.
Partiu da Guarda para Tarragona, com um majestoso acompanhamento de 1 000 nobres de linhagem.
Embaixadores de Castela e Leão vieram à Guarda entregar-lhe as chaves de todas as povoações do percurso e oferecer aposentadoria, o que o nosso rei agradeceu mas não aceitou. Acamparam sempre fora dos povoados.
Levou ricos presentes para os soberanos, as rainhas e suas damas e ainda para os nobres. Ficou registada a sua generosidade e grandeza na frase que se generalizou em Espanha – «parece um rei D. Dinis!», quando alguém dava presentes valiosos.
D. Dinis conseguiu os consensos necessários a um bom acordo, que ficaram registados no Tratado de Torrellas, assinado por todos os participantes. Regressou a Portugal vendo aumentado o seu prestígio junto das Cortes dos reinos da península, do papado e de França.
«Por Terras de D. Dinis», crónica de Maria Máxima Vaz

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