Rei D. Dinis organizou a «Defesa Terrestre»

Por Terras de D. Dinis - Maria Máxima Vaz - © Capeia Arraiana

O reinado de D. Dinis ficou marcado por uma política de fomento e de «nacionalizações», no dizer do Professor José Mattoso. Entendo este termo nacionalizações no sentido de o reino estar na posse de tudo quanto lhe pertence por direito e tratados, de estar dotado de instituições de forma que não precise de recorrer às estrangeiras, de serem nacionais e geridas por portugueses as instituições existentes em Portugal e defenderem, em primeiro lugar, os interesses do nosso país.

Fortaleza de Almeida - D. Dinis - Capeia Arraiana

Fortaleza de Almeida (Foto: D.R.)

Uma das medidas para conservação de um reino que se quer independente dos reinos seus vizinhos é a sua defesa terrestre.
Demarcada a fronteira, era preciso defendê-la e D. Dinis não descurou essa defesa.
Reparou e construiu de novo, castelos em toda a linha fronteiriça, nomeadamente os de Moura, Serpa, Olivença, Campo Maior, S. Félix dos Galegos, Ouguela, Sabugal, Alfaiates, Castelo Rodrigo, Vilar Maior, Castelo Bom, Almeida, Castelo Melhor, Castelo Mendo, Avô, Monforte, Arronches, Portalegre, Marvão, Alegrete, Castelo de Vide, Beja e outros.
A função militar e defensiva dos castelos foi reforçada com a construção e reparação de muralhas para protecção, cercando os povoados, sendo-lhe atribuídas as fortificações de Borba, Vila Viçosa, Arraiolos, Évora, Alandroal, Monsaraz, Noudar, Juromenha e ainda das povoações onde ficavam os castelos que acabei de mencionar.
O Infante D. Pedro Afonso, Conde de Barcelos, filho natural de D. Dinis e de Dona Grácia Fróis, faz menção, na Crónica Geral de Espanha, de obras em 27 castelos, mas a Crónica de Portugal de 1419, que se atribui a Fernão Lopes, fala em 44 e a Crónica de D. Dinis, de que é autor Rui de Pina, menciona 46.Tudo leva a crer que tenham ficado muito aquém da realidade.
O nosso melhor especialista em arquitectura militar medieval, Mário Barroca, também grande conhecedor em epigrafia, por inscrições epigráficas que recolheu, permite-nos admitir que o número de sistemas defensivos pode elevar-se a 88. Muitas das obras estão assinaladas com inscrições ou as pedras-de-armas de D. Dinis, como marca de posse e soberania, o que dá credibilidade ao número apontado por Mário Barroca.
«O período dionisino ficou a assinalar a construção do castelo gótico, caracterizado por uma nova concepção de fortificação, permitindo uma defesa activa.» (Pizarro)
É de assinalar a melhoria das condições para quem fazia a ronda das muralhas, a introdução técnica do tiro vertical e os balcões de matacães possibilitando estratégias de actuação de molde a afastar o inimigo da proximidade das muralhas.
José Augusto Pizarro faz a seguinte citação de Mário Barroca: «Cremos que podemos com plena justiça, eleger o reinado de D. Dinis como um momento de viragem na história da nossa arquitectura militar. E, se o triunfo em Portugal do castelo gótico e dos conceitos de defesa activa tivessem de ser associados a algum protagonismo individual, ele seria, sem dúvida, o do rei Lavrador.»
Considerando que as edificações militares precisavam de homens que tomassem a seu cargo a defesa das populações em caso de agressão vinda do exterior, o monarca criou um exército que fosse operacional e cujos elementos pudessem ser convocados a qualquer momento. Era um exército efectivo e permanente e não recrutado apenas ocasionalmente.
Cada Concelho passou a ter a obrigação de armar um determinado número de besteiros, os chamados «besteiros de conto». O rei considerou que não podia contar apenas com os cavaleiros nobres que tinham como obrigação servir a coroa; não era bastante e segura força defensiva. Renovou ainda a instituição dos cavaleiros vilãos que cumpriam serviço militar a cavalo.
«O rei passou então a dispor de um corpo mais profissionalizado, mais disponível, mais fiel e militarmente mais eficaz.» (José Matoso)
«Por Terras de D. Dinis», crónica de Maria Máxima Vaz

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