A autocracia do poder

Joaquim Gouveia - Capeia Arraiana (orelha)

Quando este país despertou da longa letargia a que esteve moribundo durante décadas, o povo saiu à rua e fez: da noite, dia; da tristeza, alegria; da apatia, esperança: da guerra, paz… e sonhou… num futuro melhor em que a verdade e o respeito por quem trabalha quis ver plasmado na Constituição, emergente de um país livre, onde os cravos assumiram o símbolo da Liberdade.

Indignação - Viver Casteleiro - Joaquim Gouveia - Capeia Arraiana

Indignação

Parece que a atual classe política, eleita pelo povo, esqueceu todo um passado recente, que muito nos orgulha enquanto portugueses e, muitos de nós, agentes ativos em processos de mudança, assentes nos pressupostos atrás referidos.
Sim, porque este governo não cumpre as leis deste país, muito menos acredita que, a justiça está nos tribunais e deve ser respeitada por quem a ela recorre.
A greve que está a ser levada a cabo pelos professores, resultado de um fracassado processo de negociações entre o Ministério que os tutela e os vários representantes sindicais, espelha bem qual o sentido do exercício da praxis política, levada a cabo pelo Senhor Ministro da Educação, outrora com um discurso tão antagónico do atual.
Que irritação teve o Senhor Ministro quando tomou conhecimento do parecer do Conselho Arbitral, sobre a inexistência de serviços mínimos na educação!…
Que irritação demonstrou, ontem, o Senhor quando apareceu nos canais televisivos a tentar colocar pais e alunos contra professores, «sacudindo a água do seu capote»!…
Será que o Senhor Ministro esgotou já a sua capacidade de diálogo em dois anos de mandato?
Que confiança poderá transmitir, sobretudo àqueles que o elegeram, quando a palavra negociação só tem o sentido, da orientação que o Senhor Ministro considera assertiva, mesmo quando a política educativa seguida prejudica alunos, encarregados de educação, professores, bem como a instituição Escola?
Será normal que um povo pacífico como o nosso crie ondas de vaias por onde quer que o Senhor Ministro se desloca? Ou será esta, a nova forma de gerir o país, inventada por este governo, onde as palavras indignação popular fazem parte das deslocações dos vários ministros, quando contactam com o país real?
Algo está mal no caminho, cego, destes nossos governantes para quem as pessoas são apenas números, e os ideais políticos deram lugar a imperativos «troikanos».
Subscrevendo José Régio: «…Não sei por onde vou/Não sei para onde vou/Sei que não vou por aí!»
«Viver Casteleiro», opinião de Joaquim Luís Gouveia

Deixar uma resposta