E as crianças, senhor?

Joaquim Gouveia - Capeia Arraiana (orelha)

Sem dúvida que as últimas décadas ficarão na História, por uma diminuição acentuada da natalidade a par da desertificação dos territórios situados no Interior do nosso país. O concelho do Sabugal não fugiu a este flagelo e, na maior parte das suas freguesias, podemos encontrar fortes marcas que evidenciam tal situação.

Escola Primária Casteleiro - Capeia Arraiana

Lar e Recreio da Escola Primária do Casteleiro

Jardins de Infância e Escolas, ano após ano, foram fechando as suas portas por falta de crianças e, os espaços de recreio silenciaram seus gritos de alegria e correrias desmedidas.
Estes edifícios, destinados às aprendizagens, verdadeiros centros do desenvolvimento de competências e da construção da personalidade humana encontram-se, muitos deles, em estado de degradação avançada e despojados dos objetos que ajudaram muitos alunos a crescer, fisicamente e intelectualmente. Quem não se lembra dos «bancos de escola»? Quem não se lembra do seu professor da escola primária…por vezes recheada de histórias, algumas delas, não muito agradáveis de recordar?
Para além de educativo há que referir, também, o papel social da escola, a sua função enquanto pólo dinamizador e difusor de cultura. Daí que o seu encerramento, perpétuo, a que temos assistido representa sempre a perda irreversível de um bem, contribuindo, ainda mais, para o empobrecimento e esvaziamento da nossa região.
Paralelamente a esta realidade e, tendo em conta o aumento da longevidade humana, foram nascendo por quase todas as aldeias deste concelho, Lares e Centros de Dia, muitas vezes paredes meias com as escolas desertas, onde o barulho das crianças deu lugar ao silêncio das paredes.
Estes espaços, que têm como principal missão proporcionarem aos idosos e às pessoas dependentes, os cuidados de saúde e bem estar necessários, cumprem, também, uma função familiar dado que, na ausência desta, assumem-se como verdadeiros agentes de vanguarda desta camada etária que, ainda, povoa as nossas aldeias.
Neste contexto, podemos constatar que no passado as escolas e ruas repletas de crianças, deram lugar a instituições de solidariedade social, todas elas, com idosos em listas de espera.
…Mas como estarão as nossas aldeias daqui por dez anos? Ainda haverá idosos à espera de uma vaga para ficar no Lar?
Ou será que começarão a fechar, tal como aconteceu com as escolas?
E se a natalidade continuar em decréscimo contínuo?!…
«Viver Casteleiro», opinião de Joaquim Luís Gouveia

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