A importância do conhecimento para o Rei D. Dinis

Por Terras de D. Dinis - Maria Máxima Vaz - © Capeia Arraiana

FUNDAÇÃO DA UNIVERSIDADE – Como já foi dito, D. Dinis teve uma educação esmerada, graças ao seu pai, o rei D. Afonso III, que deu mostras de também pensar na instrução dos seus vassalos. Foi este rei que fundou a primeira escola pública, e que funcionou no Mosteiro de Alcobaça, porque era lá que estavam os mestres.

Universidade de Coimbra

Universidade de Coimbra

O centro do saber foi, até ao reinado de D. Dinis, o convento de Santa Cruz de Coimbra, dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. A cultura portuguesa deve muito a este convento e aos Cónegos, mas no século XIII sentia-se a falta de uma universidade. A maior parte dos países europeus tinham aberto já universidades. Quando abriu a portuguesa, estavam em funcionamento pleno, vinte universidades europeias. A primeira foi a de Paris, fundada cem anos antes da nossa.
As especializações em função dos cargos na administração da Justiça e nos vários órgãos da Administração Pública exigiam um conhecimento aprofundado das leis, só compatível com formação superior.
O rei precisava de indivíduos preparados para um bom desempenho dos cargos, mas com formação fora da influência eclesiástica.
Isso só seria possível se Portugal fosse dotado de uma Universidade. Por outro lado, as instituições religiosas também estavam interessadas em ter nas suas fileiras, homens cultos e conhecedores e não deixaram de dar todo o seu contributo para que se fundasse uma Universidade. O pedido foi formulado por «um documento elaborado em Montemor o Novo a 12 de Novembro de 1288 e enviada ao papa Nicolau IV para lhe solicitar a confirmação e a protecção de um Estudo Geral fundado em Lisboa com o consentimento do monarca, o qual seria financiado com as rendas de diversos mosteiros e igrejas portuguesas. O pedido era subscrito pelos responsáveis dessas mesmas instituições, o abade de Alcobaça, os priores de Santa Cruz de Coimbra, S. Vicente de Fora, de Santa Maria de Guimarães e da Alcáçova de Santarém, bem como os reitores de diversas igrejas de Santarém, Alenquer, Sintra, Mafra, Estremoz, Beja, Loulé. Etc.» (Pizarro).
O papa acede a este pedido logo em 1290, ficando assim confirmada a fundação da Universidade de Lisboa, onde se podiam estudar artes, cânones, leis e medicina.
O rei declarou a sua protecção a todos os estudantes que a viessem a frequentar e concedeu à Universidade alguns privilégios.
Além disso, dava a possibilidade, a estudantes portugueses de menos posses, de fazerem os estudos que não poderiam fazer em Universidades estrangeiras.
D. Domingos Jardo, então Chanceler do rei, quis dar o exemplo da protecção aos estudantes mais pobres, acolhendo e sustentando no hospital que era mantido por ele, seis estudantes da Universidade.
Na opinião do Professor José Mattoso, a fundação da Universidade integra-se na política de nacionalizações levada a cabo por D. Dinis. Sobre este assunto diz o seguinte: «Quanto à Universidade, sublinhe-se também o propósito de criar um corpo de clérigos e de juristas que pudessem colocar os seus conhecimentos ao serviço da Igreja e da administração pública nacionais, sem ter de recorrer a instituições estrangeiras, menos acessíveis e porventura menos adaptadas às necessidades nacionais.»
Depois de ter definido com exatidão as fronteiras do reino, de ter criado um exército permanente, quis dotar o país com um Estudo Geral centrado nas áreas onde a falta de indivíduos com a necessária formação se fazia sentir mais.
Mandou construir um edifício de raiz, para instalar a Universidade, na «pedreira», entre o sítio dos Armazéns do Chiado e o sítio do Convento do Carmo. O local era desabitado e rochoso, daí o nome que lhe davam. Onde existiu o edifício da nossa primeira Universidade, veio mais tarde a estar instalada a conhecida Escola Veiga Beirão, ao largo do Carmo.
Nesse edifício esteve o Estudo Geral até 1308, ano em que se transferiu para Coimbra, cidade que a acolheu até 1338. Nesta data veio novamente para Lisboa até 1354, ano de regresso a Coimbra, para em 1377 voltar para Lisboa, até 1537. Nesta data, o rei D. João III, fixou-a definitivamente em Coimbra, donde nunca mais saiu.
Mesmo depois de criado o Estudo Geral, continuou a haver estudantes que se iam formar nas universidades estrangeiras. O mais famoso desses estudantes foi o Dr. João das Regras, formado em Direito pela Universidade de Bolonha.
«Por Terras de D. Dinis», crónica de Maria Máxima Vaz

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