Pensões de reforma

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Este artigo é um comentário a um outro divulgado aqui no Capeia Arraiana, e que tinha também como tema as pensões de reforma.

Casal de idodos

Casal de idodos


Quis enviar um comentário ao artigo do José Fernandes, intitulado «Pensões de reforma – será necessário revê-las?» mas problemas com uma coisa que não domino, a informática, tornaram esse intento impossível, mas não quis passar sem dizer o seguinte: em declarações recentes, um economista neoliberal afirmou que esta mesma geração que agora tem sessenta anos, ou mais, terá de trabalhar para além dos setenta anos, este mesmo economista será, penso eu, um dos que está ao serviço da Banca e das Seguradoras, um «especialista» em questões de reformas e pensões, um daqueles que sabe muito de cálculos matemáticos…
Neste Mundo Globalizado, nesta mercantilização do Mundo, neste pensamento único dominante, um simples exemplo serve para todos os países, então vamos a ele: no Chile, berço do Neoliberalismo, imposto manu militar por um general ditador e assassino, Augusto Pinochet, uma das coisas que foi logo privatizada após o Golpe de Estado que o colocou no poder, foi o sistema de pensões público. As companhias que o administram chegam a oferecer pensões inferiores a 50% do salário dos trabalhadores! Só em Abril de 2013, o mês passado, estou a escrever em Maio, os fundos de pensões privadas no Chile, ascendiam a 129.894 milhões de euros!!! Um de cada três euros, vai para aos bolsos dos administradores, os outros dois são jogados na bolsa e nos negócios com os mercados internacionais.
Aqui em Portugal, os de cima, políticos neoliberais, banqueiros, outros oligarcas e os seus «fazedores de opinião» a pensarem já na privatização do sector de pensões e de reformas, fomentam uma guerra entre o sector público e privado, tem de haver justiça, mas a justiça deles é igualar tudo pelo mais baixo, não com equilíbrio e justiça que deveria haver, exemplo: (números aleatórios) uma reforma pública de 800 euros, passaria a 600 euros, uma reforma privada de 400 euros, passaria a 600 euros, mais justiça? Mais equilíbrio? Mas eles, os gananciosos não querem assim! Querem tudo a 400 euros, ou menos, só assim poderá entrar um euro em cada três, nos bolsos desses proxenetas.
Segundo a imprensa internacional, Sarkozy tentou desmantelar o sistema público francês de pensões para entregar a maior parte, ou todo, a uma companhia de seguros cujo irmão (penso que irmão) era um dos administradores, senão era um o irmão era um familiar muito próximo.
Querido leitor(a), qualquer debate em Portugal sobre o sistema de pensões de reforma, tem por trás a mão da oligarquia que se quer apoderar dele, por isso falam em igualdade e justiça, mas à maneira deles…Se dizem que o sistema está em colapso, para que o querem? Para terem prejuízo?

Quem não está recordado das palavras do ministro das finanças japonês referindo-se aos idosos? Devem «morrer rapidamente» para aliviar o Estado do pagamento de cuidados médicos.
Declaração ainda do mesmo ministro «o problema não tem solução, a não ser que os deixemos morrer e depressa» referindo-se aos idosos.
Estes são os valores do Neoliberalismo em qualquer parte do Mundo.

Mais do que a ganância destes corruptos, é a ignorância que faz com que o Mundo seja o que é.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

3 Responses to Pensões de reforma

  1. fernando capelo diz:

    Amigo Nabais
    Essa conversa de aproximar o público do privado pouco mais é do que um argumento demagógico para cortar no público. Não se inibem mesmo nada de nos chamar “parolos”.
    Cansa … esta gente cansa mesmo!
    Um abração.

  2. O complemento solidário para idosos, tão utilizado pelo governo na sua propaganda, não está a ser suficiente para tirar centenas de milhares de pensionistas da situação de miséria em que continuam a viver. Segundo o Ministro do Trabalho apenas 160.000 pensionistas estão a receber este complemento e o numero de reformados com pensões inferior a 330 euros por mês é superior a 1.560.000.

  3. JFernandes diz:

    Caro A Emídio:
    O tema das pensões de reforma é uma das matérias que vale a pena discutirmos.
    Na verdade, essa parcela monetária acaba por ser uma retribuição resultante daquilo que descontámos ao longo dos anos que trabalhámos e destinada a permitir que enquanto cá andarmos temos possibilidade de ter uma vida condigna.
    O problema principal é que quem gere essas verbas que nós, de boa fé fomos obrigados a entregar, não presta contas a ninguém. Diz só que não há dinheiro…. etc, etc.
    Quanto mais chatos formos, e os reformados ou em vias disso, são-no, mais incomodados se sentirão os responsáveis e mais obrigados a prestar contas se verão.
    Por isso, não devemos desarmar neste tema e devemos obrigar esses senhores a discutí-lo na forma que todos entendamos.
    devemos voltar ao tema.
    Um abraço
    JFernandes (Pailobo)

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