D. Dinis – A história de um rei sábio e justo

Por Terras de D. Dinis - Maria Máxima Vaz - © Capeia Arraiana

«…Foi um Príncipe capaz de ser o primeiro e não um sucessor, em qualquer monarquia.»

José Carlos Lages, Maria Máxima Vaz e Adérito Tavares - Odivelas - Capeia Arraiana

Adérito Tavares e Maria Máxima Vaz em Odivelas junto à rua com o seu nome

D. Dinis nasceu no dia 9 de Outubro de 1261, na cidade de Lisboa, que, no reinado de seu pai D. Afonso III, passara a ser a capital do reino. Foi o primeiro rei a nascer em Lisboa, cidade que sempre afirmou e demonstrou amar especialmente, porque, dizia: «Aqui nasci, fui baptizado e levantado Rei…»
Diz o cronista Frei Francisco Brandão, que este dia devia ser respeitado pelo nascimento de tão grande Rei.
Era dia de São Dinis (ou Dionísio), patrono da nação francesa, e foi essa a razão do seu nome.
D. Dinis era grande devoto deste Santo, que sempre considerou seu protector.
Diz o cronista que desde tenra idade «deu mostras de grande engenho e daquela viveza de juízo com que executou todas as acções do seu governo».
Seu Pai, D. Afonso III, deu-lhe os melhores mestres que havia no Reino e alguns franceses que mandou vir.
D. Afonso III viveu na Corte de França desde os 17 anos. Sua mãe, Dona Urraca, era irmã de Branca de Castela, rainha de França, mãe do Rei S. Luís. Enviou este filho para junto do primo, a fim de evitar o seu envolvimento nos conflitos que havia em Portugal, entre o clero e a nobreza.
A educação recebida por este Infante, na corte francesa, talvez seja uma das razões dos cuidados que teve com a educação do Príncipe D. Dinis.
Com a idade de quatro anos e meio, desempenhou a sua primeira missão militar:
Por determinação de seu pai D. Afonso III, foi socorrer Afonso X, o Sábio, que foi atacado pelos mouros espanhóis e africanos. Portugal enviou auxílio por terra e por mar. A presença de D. Dinis visava despertar o brio dos portugueses nesta luta.
Em razão das doenças que afligiam D. Afonso III, foi D. Dinis associado às responsabilidades da governação ainda em vida do Rei seu Pai e, aos 16 anos e 9 meses de idade, a 20 de Junho de 1278, foi-lhe dada casa própria, com todo o pessoal necessário ao desempenho das suas funções.
A 16 de Fevereiro de 1279, com apenas 17 anos e 4 meses, foi coroado Rei!
No paço real de Barcelona, a 11 de Fevereiro de 1282, celebrou-se, por procuração, o seu casamento com a Princesa D. Isabel, filha do rei D. Pedro de Aragão.
A 24 de Junho do mesmo ano, realizou-se o casamento em Trancoso, já com a presença do Rei.
Isabel tinha 11 anos.
Com 19 anos teve a Rainha o primeiro filho e com 20 o segundo.
D. Dinis reinou 46 anos! Um longo e feliz reinado! As questões que ensombraram, por vezes, os seus dias, nunca foram provocadas por má administração ou tirania da sua parte.
E para terminar os dados biográficos, direi ainda, que El-Rei D. Dinis faleceu a 7 de Janeiro de 1325, na cidade de Santarém, e que os seus restos mortais repousam no Mosteiro de São Dinis e São Bernardo, em Odivelas.
Dizem os seus cronistas que era muito inclinado para as letras e que, só o seu elevado sentido de governação o pôde levar a não se lhe dedicar como seria seu gosto.
Mesmo assim, todos sabemos que foi poeta de grande valor e ultimamente até se descobriu um documento na Torre do Tombo, com uma pauta de sua autoria, o que nos permite admitir que comporia a música para algumas das suas poesias!
O prestígio de que gozava entre os poetas, levou o trovador galego Jhoan a dizer, quando faleceu D. Dinis, que todos os que sabem «bem trobar» devem pôr luto, porque morreu um grande poeta.
O seu desejo de desenvolver a língua portuguesa, levou-o a ordenar que os documentos oficiais passassem a ser redigidos em Português, em substituição do Latim, que até então se tinha usado.
E todos sabemos da criação da Universidade no seu reinado e que mandou traduzir para a nossa língua muitos livros hoje desaparecidos, dos quais, ainda no século XVI, existiam alguns em Veneza.
Um dos que chegou até nós foi a «A História do mouro Rasis», cronista do 1.º Almançor, Rei de Córdova, obra que contém muitas informações sobre a Espanha antiga.
Demonstrou ser um rei sábio e justo, quando criou a Ordem de Cristo, tornando-a herdeira dos Templários.
Os seus dotes de excelente e sábio administrador revelaram-se nas medidas de ordem económica que empreendeu para desenvolvimento do País e criação de riqueza. Todas as áreas lhe mereceram atenção – a agricultura, o comércio, as actividades marítimas, a exploração mineira, a transformação das matérias primas. Foram inúmeras as feiras francas criadas por D. Dinis e legislou no sentido de proteger os feirantes e os produtores. Zelou pela defesa da nossa fronteira, ordenando a construção de castelos ao longo de toda a raia seca.
A orla marítima também foi defendida com a protecção à marinha; protegeu Lisboa dos ataques dos piratas berberes construindo a muralha da Ribeira, para que os mercadores e artesãos tivessem protegidos os seus bens e o seu negócio, que se desenvolvia fora das muralhas da cerca moura, ao longo do Tejo, onde fica hoje a Rua do Comércio.
Fundou povoações e mandou reedificar algumas arruinadas, para que os povoadores ocupassem e cultivassem todo o solo português.
Negociou com os reis de Castela o Tratado de Alcanises para estabelecimento de uma linha de fronteira mais consentânea com os interesses dos dois países. Ficou assim definido o território português não tendo havido até hoje alterações significativas. Por esta razão nos orgulhamos de sermos a país mais antigo da Europa – com um território, um povo e uma cultura própria. E um dos grandes obreiros desta unidade, foi o Rei D. Dinis.
Nunca iniciou nem promoveu guerras e as que teve de enfrentar foram-lhe movidas pelos familiares mais próximos: seu irmão Afonso, mais novo que ele e lhe disputava o trono e seu filho e herdeiro que, ainda em vida do Pai, queria sentar-se no trono.

Adérito Tavares e Maria Máxima Vaz junto ao túmulo de D. Dinis - Odivelas - Capeia Arraiana

Adérito Tavares e Maria Máxima Vaz junto ao túmulo de D. Dinis – Mosteiro de Odivelas

O Capeia Arraiana publica este domingo, 19 de Maio, a primeira crónica da historiadora Maria Máxima Vaz. Uma das maiores, senão mesmo a maior, especialista em El Rei D. Dinis é uma personalidade ilustre e reconhecida na sua terra de adopção – Odivelas – onde lhe foi atribuída o nome de uma rua e de uma escola primária. E para aqueles que não sabem acrescentamos, ainda, que é natural da Abitureira (concelho do Sabugal) e foi professora primária em Quadrazais, Águas Belas, Casteleiro e Santo Estêvão antes de rumar a Odivelas. O Capeia Arraiana está a preparar a pós-produção e edição de uma reportagem (histórica) onde se conheceram pessoalmente e estiveram à fala junto ao túmulo de D. Dinis no Mosteiro de São Dinis e São Bernardo de Odivelas dois dos maiores historiadores do concelho do Sabugal: Adérito Tavares e Maria Máxima Vaz. É um documento, ao vivo, sobre a decisiva influência na História de Portugal de El Rei D. Dinis com o Tratado de Alcanices no Sabugal e com o Mosteiro das Freiras Bernardas da Ordem de Cister em Odivelas.
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«Por Terras de D. Dinis», crónica de Maria Máxima Vaz

4 Responses to D. Dinis – A história de um rei sábio e justo

  1. jose manuel suzano louro diz:

    Foi com muito agrado que li a crónica e mais agrado senti ao recordar a minha infãncia e a influência que teve nela e na minha vida. Beijos de saudade e saúde é o meu maior desejo, para que possa continuar a brindar-nos com a sua sabedoria e conhecimento.

  2. Maria Máxima Vaz diz:

    Meus amigos, eu tenho estudado muito o reinado de D. Dinis, mas isso não faz de mim a maior historiadora de D. Dinis. Maior que eu é sem dúvida o Doutor José Augusto De Sotto Mayor Pizarro, que escreveu um excelente livro sobre D. Dinis. E não podemos esquecer um grande historiador – José Matoso. Foi com os grandes historiadores que eu aprendi o que sei, e continuarei a aprender.

  3. Carlos Manuel Santos diz:

    Quanta emoção esta SENHORA, nesta imagem, me trouxe…”obrigando-me” a recuar o filme da minha vida, seguramente, uns bons cinquenta anos.Quanto me regozijo pelo seu precurso intelectual, pois conheci-a,em Santo Estêvão, colega da minha Mãe (se ler este comentário, era a Maria Ester, do Terreiro das Bruxas…). Retenho ainda na memória o seu profissionalismo de que a minha Mãe falava aliado à simpatia, boa disposição e riso fácil, agradável.
    Desejo-lhe as maiores felicidades pessoais e longa vida.
    Carlos Manuel

    • Maria Máxima Vaz diz:

      Carlos Manuel, obrigada pela amizade e pelas suas palavras. Lembro-me muito bem de si. A sua Mãe foi uma professora e uma colega de excelência. Porque era uma pessoa de excelência. Lembro-me dela com muita saudade e carinho. Possivelmente já partiu … Falo muito nela no grupo de Santo Estêvão, pois os alunos dela perguntam e falam dela com muito reconhecimento. Os anos que passámos juntas foram os melhores da minha vida no ensino primário. Digo, porque é a pura verdade: foi a melhor colega que tive. Recordo também o seu pai e a sua irmã. Espero que estejam bem e desejo para si também, as maiores felicidades.
      Um abraço com amizade,
      Maria Máxima

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