As novas formas da Imprensa regional

José Fernandes - Do Côa ao Noémi - © Capeia Arraiana

Apesar da evolução tecnológica dos meios de comunicação os jornais e livros continuam a existir e ser produzidos também em papel. A leitura de informação a partir de um portal ainda não consegue transmitir ao leitor todas as sensações que um jornal ou livro em papel transmitem (cheiro, textura, peso). Por isso coexistem os diferentes suportes de informação, sendo alguns deles utilizados para divulgar os restantes.

Imprensa Regional Beira - Capeia Arraiana

Imprensa Regional

As pessoas, desde tempos imemoriais, sempre tiveram necessidade de comunicar umas com as outras. No inicio, transmitiam a informação de umas para outras de forma gestual primeiro, depois de forma verbal e só muito depois de forma escrita quando inventaram um código capaz de traduzir o que os sons antes diziam.
A escrita passou a permitir guardar a informação que antes apenas podia ser transmitida entre vivos e enquanto vivos de forma oral.
A escrita permitiu a criação de repositórios de informação que, tendo começado nos pergaminhos acabou nos livros que todos nós temos e lemos. A memória de cada pessoa, disponível para guardar informação, passou agora, com os livros, a ser imensamente ampliada quando comparada com a informação residente apenas na memória das pessoas.
Quase que em paralelo com o aparecimento dos livros sentiu-se de imediato a necessidade de transmitir informação de forma menos compacta, mais acessível e, sobretudo mais dirigida ao universo mais geral de pessoas. Convém recordar que os livros sempre foram caros e nem todos tinham capacidade para os escrever e, a generalidade da população não os podia comprar.
Aí surgem os jornais, as folhas informativas, os boletins locais e, mais tarde a imprensa regional. A imprensa regional tradicional de que temos alguns exemplos nas nossas terras («O Interior», «Jornal do Fundão», «A Guarda», etc.) passou a desempenhar um papel informativo localizado essencialmente destinado a uma região e com uma frequência de edição geralmente semanal, quinzenal ou mensal.
Com o aparecimento de novas formas de produzir e transmitir informação, (Rádio e Televisão) essa imprensa perdeu clientes, mas mesmo assim não desapareceu. Ainda hoje se publicam aqueles periódicos.
O aparecimento e disponibilização da última tecnologia de que dispomos (internet) deu inicio a uma nova fase no domínio da produção e divulgação de informação, tornando-a acessível a praticamente todos.
É assim que se inicia uma nova fase neste domínio que produz portais, blogues e outros sítios onde se pode livremente aceder. A informação foi democratizada, pois está acessível a todos da mesma forma.
O Capeia inicia a sua publicação nesta fase. Criada a partir de um símbolo e tradição, no concelho do Sabugal, foi alargando a sua área de intervenção do ponto de vista dos intervenientes, para além daquele símbolo raiano, mas sem se desviar da cariz regional que, segundo penso, pretende continuar a ter.
Só que agora, com o alargar dos intervenientes, obtém-se uma maior heterogeneidade nos artigos resultante das capacidades e conhecimentos e origens de cada um. A região começa assim a crescer pois como é natural cada um fala do que melhor conhece e do que sabe.
A disponibilidade demonstrada para publicar artigos sobre os mais diversos temas neste espaço foi para mim um desafio e uma das razões que me levaram a continuar a produzir textos para divulgação neste fórum.
Outra razão e esta sim a principal, prende-se com o desejo e necessidade de contribuir, por um lado, para informar e por outro para divulgar a nossa região, as nossas terras, as nossas coisas principalmente naquilo que de único tiverem, para assim incrementar os visitantes e em consequência o desenvolvimento.
Nesta altura o Capeia e outros portais da mesma natureza, apesar de continuarem a ter o epicentro dos seus participantes com origens na região, a verdade é que por força da disponibilidade permitida pela internet passou a chegar a todos os locais.
Mas nem por isso deixou de ser um órgão de informação regional. A qualificação de regional ou nacional agora apenas se diferencia pelos conteúdos produzidos já que a divulgação é geral. Passou é a ter um distribuidor dos exemplares de cariz universal e mais rápido.
A imprensa regional tradicional também foi afectada por estes novos fenómenos e meios de comunicação, mas, felizmente não desapareceu. Ainda hoje as pessoas lêem jornais e livros em papel e continuarão a lê-los. Há sensações que a leitura de um jornal ou de um livro provocam que são únicas e que se não encontram nas novas formas de comunicar (a textura do papel, o cheiro, as imagens).
Por tudo isso, continuaremos a ler jornais e livros à medida que vamos usando as novas tecnologias para massificar e democratizar o acesso à informação. Já o estamos a fazer quando divulgamos as tradições, os costumes, as obras e até os próprios jornais e livros que nalguns casos criaram portais específicos para divulgação online das notícias que depois constituirão as edições em papel.
Espero poder contribuir para esta fase que se atravessa e não desiludir quem me deu essa oportunidade.
«Do Côa ao Noémi», opinião de José Fernandes (Pailobo)

jfernandes1952@gmail.com

José Fernandes, de Pailobo, pequena aldeia anexa à freguesia da Parada, concelho de Almeida, inicia aqui uma colaboração regular sob a coluna «Do Côa ao Noémi», dando continuidade à colaboração esporádica que já vinha mantendo. As magníficas paisagens do vale do Noémi, o imenso património das aldeias que o rodeiam e as tradições populares da região serão as fontes principais de inspiração para os textos que José Fernandes nos vai proporcionar.
jcl e plb

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