António José Vaz – o candidato do PS ao Sabugal

À Fala Com... - © Capeia Arraiana

À Fala Com… António José Vaz – O Capeia Arraiana abre a campanha eleitoral das Autárquicas 2013 no Sabugal com uma grande entrevista ao candidato socialista, António José Vaz, economista, director do Departamento Administrativo e Financeiro da Câmara Municipal de Tábua e ex-presidente da comissão de fiscalização da distrital de Coimbra do Partido Socialista.

À Fala Com... António José Vaz - Candidato PS Câmara Sabugal - © Capeia Arraiana

À Fala Com… António José Vaz – Candidato do Partido Socialista à Câmara do Sabugal (Autárquicas 2013)


– António José Vaz… Quais são as raízes no concelho do Sabugal?
– Todas. O meu pai é natural da Abitureira, freguesia de Vila do Touro. Vivi em Vale de Espinho, fiz os primeiros anos de escola no Sabugal, fui seminarista no Fundão durante quatro anos e regressei ao concelho no nono ano onde andei até ao 12.º e depois fui para Coimbra onde me licenciei em Economia. Acabei o curso, dei aulas durante dois anos e depois ingressei na Câmara Municipal do Sabugal – com o presidente José Freire – como economista durante três anos onde era responsável pelas candidaturas do segundo quadro comunitário. Fizemos muitas, muitas candidaturas das quais recordo especialmente a grande recuperação das fachadas de Sortelha, o mercado municipal, a central de camionagem, a estrada Soito-Ozendo e as estradas da Raia e preparei a candidatura do espelho de água (que acabou por não ser espelho de água) a montante da ponte nova do Sabugal até ao Sol-Rio. Depois, à semelhança de muitos, tive de sair do Sabugal e ir viver para Tábua onde assumi as funções de chefe da divisão financeira da Câmara Municipal. Durante uns tempos concorri e assumi as funções de administrador financeiro da Universidade de Coimbra. Em 2000 fui nomeado director de departamento administrativo e financeiro do Município de Tábua, cargo que ainda exerço actualmente.

– António José Vaz já foi deputado da Assembleia Municipal do Sabugal mas nos últimos tempos não tem sido uma figura presente na actividade política concelhia. Quem é que o convidou para encabeçar a lista do PS às próximas eleições autárquicas?
– Fui deputado na Assembleia de Freguesia de Aldeia da Ponte e depois na Assembleia Municipal do Sabugal em listas do Partido Socialista. O convite foi-me endereçado pelo presidente da concelhia, Nuno Teixeira, que me contactou para me dar conhecimento que o meu nome tinha sido votado em Secretariado da Concelhia.

– Há quem diga que a sua escolha representa um corte com o passado e presente do partido no concelho. Concorda?
– Apenas me foi dito que o António Dionísio – que seria o candidato natural – não aceitou e que o meu nome tinha sido escolhido para encabeçar as listas socialistas e eu como militante e como sabugalense senti que não podia recusar este desafio.

– Acha que, apesar de não viver no Sabugal, conhece a realidade política actual do concelho?
– Tenho estado particularmente atento à evolução da realidade social e política no Sabugal. Tenho a minha actividade política em Coimbra onde exerço cargos na Federação local mas, apesar de não ter tido uma participação política activa nos últimos três anos no Sabugal, tenho feito um acompanhamento do dia-a-dia da vida sabugalense. Continuo a ir ao Sabugal e interesso-me pelo Sabugal como o Sabugal também se interessou por mim. Num casamento tem de haver amor recíproco entre as duas partes.

– Mas, nos últimos três anos há uma realidade política que inclui os actuais vereadores do PS…
– Pessoalmente nunca fui fracturante e sempre defendi que o futuro é feito pela história. Não quero nem desejo que o meu projecto provoque divisões e para evitar qualquer tipo de mal-entendidos já contactei e conversei com a maior parte dos actuais eleitos pelo Partido Socialista.

– Mas é um facto que o actual presidente da Assembleia Municipal, Ramiro Matos, escreveu numa crónica no Capeia Arraiana que estava disponível para integrar uma lista independente…
– É a democracia. Espero que não o faça porque conto com ele – e com todos – para trabalhar. Conto com ele para elaborar o programa porque sei que, apesar de independente, é uma pessoa muito válida e muito importante para o Partido Socialista do Sabugal.

– A pouco mais de nove meses das eleições é normal que pense na constituição dos elementos das suas listas. No caso concreto da Câmara fala-se no nome da engenheira Felismina Rito para integrar a sua lista. Pode confirmar?
– Não posso confirmar. Neste momento apenas está assumido o cabeça-de-lista. Mas aproveito para clarificar que os nomes para integrar as listas socialistas devem ser pessoas válidas, com mérito, com muita capacidade de trabalho, muitas ideias novas e com muita vontade de mudar. Os elementos da equipa vão ser escolhidos pelo candidato em conjunto com a comissão política porque eu gosto de dizer que não sou dono da verdade.

– Desde José Freire que o Partido Socialista não tem o poder na Câmara Municipal do Sabugal. Focando-nos no actual mandato como vê a actuação do actual presidente António Robalo?
– Não queria começar uma campanha eleitoral com uma análise crítica ao actual presidente da Câmara, senhor engenheiro Robalo, mas também não posso deixar de referenciar a falta de visão na actuação e nas grandes opções para o concelho. Nestes últimos anos têm sido feitos investimentos isolados, investimentos restritos e que em termos de mais-valias não se potenciam uns aos outros. Dou como exemplo o turismo. O turismo só pode ser visto num contexto global, como um todo, porque os diferentes recursos – castelos, rio, gastronomia, etc. – isoladamente não atingem os objectivos que se pretendem. E nestes casos os últimos anos têm sido oportunidades perdidas porque devemos apostar numa marca e num produto vendável que se consuma dentro e seja atractivo para fora.

– Esse tema leva-nos a outra questão que tem dividido os sabugalenses. O turismo são as pessoas mas para haver pessoas é necessário bons acessos. No caso concreto da suspensão das obras de ligação à A23 considera que foi uma boa ou má decisão?
– A ligação à A23 é uma questão estrutural. O não decidir é pior que uma má decisão. O actual presidente da Câmara tem conhecimento concreto e total do dossiê e teve o poder de decisão. Para mim é um projecto onde já foi gasto muito dinheiro e que tem de se decidir mas eu só quero ter uma opinião quanto conhecer todos os pormenores do dossiê. Espero, até às eleições, ter acesso aos documentos e conhecer o projecto no seu todo porque, ao que sei, não é público. Seria irracional da minha parte dizer que sou a favor ou contra algo que não conheço em pormenor. Uma das minhas primeiras prioridades é tentar ter acesso ao projecto e depois de o analisar não terei receio de tornar pública a minha opinião.

– E o que pensa dos projectos do empresário António Reis (Ofelia Club) para a Malcata e para o Parque Medieval do Roque Amador…
– Não acredito em nenhum.

– Que solução defende para a empresa municipal Sabugal+ e o que pensa da possibilidade de ser extinta?
– O Governo criou um problema a todas as empresas municipais a nível nacional. A lógica da decisão de alguém que está sentado numa secretária em Lisboa com uma caneta e um esquadro é apenas cortar. Sabemos que é quase impossível conhecer a realidade concreta de cada empresa municipal. Já analisei a situação objectiva da Sabugal+ e a decisão é tão simples quanto isto: tem de obedecer à lei e vai ser extinta porque, apesar de defendermos que a cultura e o turismo não devem dar lucro, a lei não permite que seja financiada pelo orçamento municipal. E assim só há duas hipóteses: integrar a Sabugal+ na Câmara e deixar de ser um organismo autónomo ou criar um serviço municipalizado, com uma certa autonomia, em relação à orgânica municipal. Mas quanto a isto deixo aqui uma certeza: o engenheiro Robalo já devia ter decidido – porque no seu actual formato a Sabugal+ vai mesmo ter de ser extinta – e o presidente tinha a obrigação de apresentar uma solução. A decisão, a solução, está nas mãos do presidente e ele já devia ter sossegado os trabalhadores e os sabugalenses. Considero que a melhor solução para a empresa municipal é um serviço municipalizado porque defendo um serviço autónomo e especializado em turismo, cultura e desporto no concelho do Sabugal. Neste processo deverão ser salvaguardados os direitos dos trabalhadores e os serviços que a empresa municipal está a prestar à população.

– O que pensa da reforma administrativa que prevê a redução de 40 para 30 freguesias no concelho do Sabugal?
– Mais uma vez o Governo traça os rumos do País e concretamente dos concelhos a caneta a esquadro. Pessoalmente sou contra e o Partido Socialista é contra. Já nos retiraram os postos da Guarda Fiscal, depois foram as escolas, a seguir os médicos e enfermeiros, os correios, o padre, e agora as Juntas de Freguesia. O objectivo deve ser com que fique apenas um habitante com a chave na mão, feche a porta e se vá também embora. É uma crueldade o que estão a fazer ao Interior porque estão a matar a identidade da pessoa, da freguesia, do concelho… O argumento da poupança é falso porque o secretário de Estado, Paulo Júlio, já veio dizer que esta reforma possivelmente não poupa nada… Acima de tudo é uma machadada na autonomia e no poder local.

– Ao longo dos últimos anos houve diversas apostas para potenciar os territórios transfronteiriços quer em relação à Comurbeiras, à Pró-Raia, à Serra da Estrela e à Douro-Duero. Na sua opinião que entidade promove actualmente o Sabugal para lá do concelho?
– Aproveito o facto de não viver no Sabugal para fundamentar melhor a minha opinião. O concelho do Sabugal não está a ser promovido porque as entidades não estão a fazê-lo ou não o fazem da forma mais correcta. O Sabugal tem de ter uma imagem única, uma marca, um produto que aglutine todas as nossas potencialidades. Devemos aproveitar os sabugalenses que estão fora para promover os nossos produtos. Tem-nos faltado uma ideia do todo mas para isso é necessário saber ouvir as pessoas. Não conheço nenhum sabugalense que esteja fora que não seja saudosista e que não goste de promover a sua terra. Sempre tive muita honra em ser conhecido em Coimbra como o Tó Zé do Sabugal. Temos de lutar pelo concelho do Sabugal apoiados no pensamento do que é que podemos fazer pelo país e nunca do que Portugal pode fazer por nós.

– O candidato António José Vaz conta com os anteriores presidentes da Câmara – José Freire (socialista), António Morgado (que apoiou António Dionísio) ou Manuel Rito (independente) – para o apoiar na sua candidatura?
– Conto com José Freire, com António Morgado, com Manuel Rito e até com Joaquim Portas tal como conto com todos os sabugalenses… [sorrisos]… A vida é como a condução de um carro. Temos de conduzir a olhar em frente mas sempre apoiados no retrovisor. O passado não pode ser esquecido.
jcl

3 Responses to António José Vaz – o candidato do PS ao Sabugal

  1. João Duarte diz:

    “Já nos retiraram os postos da Guarda Fiscal, depois foram as escolas, a seguir os médicos e enfermeiros, os correios, o padre, e agora as Juntas de Freguesia”, diz o candidato. Sobre a questão do padre não me pronuncio (haverá gente a quem fará mais falta),mas sobre o resto , pergunto: E o PS nada teve a ver com isto? Está inocentinho de todo, nestas coisas que nos retiraram? Como é possível um Partido que assinou o famigerado “memorando” querer deitar areia para os olhos?

  2. Luis de Santarino Fernandes diz:

    Sempre tive a certeza que o meu Amigo António Vaz seria um excelente candidato à Câmara Municipal do Sabugal. Por ser um excelente técnico, talvez! Por já ter alguma/muita experiência política, porque não? Mas sobretudo, porque tem um amor profundo à sua terra.
    Não seria preciso conhecê-lo para perceber, durante esta entrevista, que é um homem de diálogo e de consensos.
    Não tem certezas – todos os que as têm afundam-se com elas – mas tem uma enorme vontade de chegar ao fim da linha e perceber que, afinal, aquele não era o final. Há muito mais para além da sua vontade, porque a seguir a ele outros virão, novas gerações de gente trabalhadora e solidária, que dará por bem empregue o estudo que fizerem.
    Tem uma grande vontade. Por isso, também, entendeu o Partido Socialista “convocá-lo” para um trabalho que não se afigura fácil. Porque se fosse fácil, talvez não fosse para ele.
    Mas um homem determinado, também com a determinação dos cidadãos, consegue transpor barreiras, intransponíveis para o comum dos mortais.
    Por Coimbra, por estas bandas, perderemos um homem competente, sério, intelectualmente acima da média. Mas ganharemos em satisfação porque sabemos que o Sabugal tem um homem à sua dimensão.
    Da parte dos Amigos de Coimbra terá todo o apoio, segundo a velha máxima:
    “António, vai em frente, tens aqui a tua gente”!
    Lá estaremos para a festa pá!

  3. António Paulo Martins diz:

    Conheço o Tó-Zé à muitos anos, não é da minha cor politica, mas não tenho duvidas que será um bom presidente. Não contará com o meu voto, pelo simples motivo de tal como a maioria dos sabugalenses da minha geração ter tido necessidade de abandonar a terra que tanto ama.

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