Do Casteleiro a Buco Zau (1971-74)

Fez há pouco 38 anos. Era o dia 2 de Outubro de 1974. O «meu» avião veio de Luanda e aterrou em Lisboa. Era um dos dois Boeings 744 da tropa. Tinha acabado o pesadelo. O maior pesadelo de sempre. Do Casteleiro a Buco Zau. Nada de muitos pormenores: só um cheirinho. Esta é uma parte não despicienda do património psicológico de cada uma das nossas aldeias.

Por uma vez, e sem exemplo, por causa da efeméride do meu regresso da guerra, hoje saio da rotina desta rubrica e falo «de mim», mas sobretudo de nós, os que por lá passámos. Claro que o meu caso é igual a muitos. Mas é do meu que sei falar. Das marcas, dos traumas, das dores de espírito eternas e fundas. Tão fundas que ainda duram e durarão em mim e em todos nós.
Eu, como tantos jovens da minha terra, tínhamos ido à guerra colonial.
No meu caso, o destino foi uma vilória no meio da floresta virgem do Maiombe, em Cabinda, a 14 km do Congo Brazzaville e a 21 do Congo Kinshasa.
Não vou contar desgraças da guerra. Isso, já está tudo espremido. Foram dias do diabo. 27 meses. Sempre a pensar que podia ser o último segundo. G3, granadas, bazookas, HK 21, lança-granadas-foguete… de tudo. E sempre tudo a rebentar, a disparar, a lembrar que não era treino mas coisa séria. Tudo marcadinho na memória até agora.
Mas não é por aí que quero ir, hoje.
Vou fixar o leitor e prendê-lo a dois ou três pormenores – menores, uma ova, são mas é «pormaiores», melhor: «pormáximos»: também cá estão até hoje.

Esta palavra Mendes
Há coisas que fora daquele contexto não têm qualquer importância. Mas ali tudo ganhou de repente tanto peso psicológico…
Por exemplo – e só para começar este desvio inabitual em quem fala da sua guerra, dos seus traumas de guerra –, a questão de como me chamo e de como me chamam.
O meu nome de baptismo é assim: josé carlos mendes. Pus em minúsculas de propósito, para dizer que aqui se trata apenas de palavras, cada uma por si, sem reportarem à pessoa.
Antes da tropa, em todo o lado, o meu nome era apenas duas palavras. E assim voltou a ser depois daqueles malditos 37 meses. Zé Carlos.
Mas na tropa o meu nome não era esse, não, senhores: era Mendes.
Mendes.
Que estranho.
Aquilo na tropa não é (pelo menos não era) a brincar. Sim, para todos menos para mim, eu era agora Mendes.
Eu ouvia:
– … Mendes.
Ouvia «Mendes», mas não reagia logo.
Só depois é que o meu cérebro traduzia:
– Eh, pá, agora Mendes é igual a Zé Carlos.
E era então que respondia.
Ora aqueles décimos de segundo de atraso na resposta do cérebro foram tão importantes que me marcaram para o resto da vida: é uma situação que me incomodou sempre. Quando me lembro, essa memória ainda me arrasta outra vez para os cenários da tropa.
Muitos e cada um mais complexo que o outro.
Primeiro em Mafra em Julho de 1971, depois em Lamego, na Amadora (á espera de embarque), viagem para Luanda em 2 de Agosto de 1972 (nove horas de avião com o batalhão todo), por fim em Cabinda, junto do Rio Luáli (o que significa rio do ouro – e onde de facto havia, diziam, pepitas de ouro, e onde, sintomaticamente, fui encontrar um fazendeiro de Penamacor, Viriato de seu nome).
Claro que a questão do nome pelo qual me chamavam, visto no conjunto, não tem qualquer gravidade, se comparada com as emboscadas, os tiros, o fogo de reconhecimento, a defesa imediata ou a Curva da Morte, a caminho de Sangamongo e do Chimbete.
… Poupo os leitores a esses momentos horríveis…
Mas chamarem-me Mendes foi tão diferente que acabou por me marcar de forma surpreendente. Estranhamente, isso acabou por ganhar força dentro de mim.

Anotações finais
O Casteleiro e as nossas aldeias estão seguramente cheias de pessoas com memórias destas. Mas poucos falam delas. E menos ainda têm um local onde exprimir essas «mágoas» da vida real. Nesse aspecto, esta é uma história do Casteleiro mas é mais do que isso: é uma história do País todo.
Vejam como simplesmente o nosso nome, uma coisa que ao leitor parece tão simples, no meio das conhecidas misérias daquela desgraçada guerra, acabou por me marcar para sempre. Claro que tudo ali ganhava uma dimensão enorme porque corríamos perigo de vida e isso é que marcava cada segundo.
E, milagre dos milagres, passados estes anos todos, tudo está tão nítido cá dentro. Tudo, em cada pormenor.

… Desculpem ter trazido isto para aqui, mas não pude evitar, por uma vez. É que tudo aquilo ainda dói muito. Basta-me ouvir aqui passar um Puma (é um heli pesado da tropa) e volta tudo ao de cima. E passam aqui tanta vez…
Estive 20 anos sem falar do assunto, tal era o trauma. Um dia, a pedido, escrevi umas crónicas no «Notícias da Amadora». Depois, de forma esparsa, contei coisas destas há uns tempos aqui, aqui, aqui e aqui.
Se tiver algum interesse, dê um olhinho.
E nunca esqueça o mais importante: o meu caso é apenas um em muuuuuitos milhares.

Nota
O ‘Capeia’ tem muitas visitas
– Quero deixar aqui um registo sobre as estatísticas deste blogue, porque vale a pena chamar a atenção do leitor. Trata-se das estatísticas principais de leitura e de popularidade. Registei-as no dia 25 de Outubro, às 10.30 h, e são as seguintes: 1- ESTATÍSTICAS: Visitas únicas – 1 885 159; Páginas lidas – 2 797 800. 2 – VISITANTES: On-line – 12 (em simultâneo naquele momento). 3 – ENTRADAS MAIS POPULARES: 1 – A casa onde nasceu Manuel António Pina; 2 – Praça Manuel António Pina; 3 – Casteleiro: o cultivo do linho; 4 – Sabugal tem fábrica de caldeiras a biomassa; 5 – Palace Hotel de Penamacor já está a funcionar.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

81 Responses to Do Casteleiro a Buco Zau (1971-74)

  1. Jfernandes diz:

    Caro JCMendes:
    Afinal não é apenas a defesa da memória das nossas terras que nos une.
    Também eu, neste caso em 74, e 75 fui deslocado para Angola e fui colocado em Cabinda onde estive até quase à independência. Já não apanhei a guerra que teve, mas ainda deu para ver como eram as coisas. Não estive no BucoZau, mas ainda fui ao Dinge.
    A Meu minha companhia que ficou no aeroporto de Cabinda e era para substituir outra que estava colocada no Miconge, uma companhia de Madeirenses que quando vieram para baixo, apenas tinha menos de 50 elementos, perfeitamente trantornados. Diziam depois os elementos do MPLA com quem tivemos de conviver, que consideravam o Miconge a carreira de tiro dos seus recrutas….
    Este tipo de situações que ambos vivemos, também fazem parte da memória do país e das nossas terras, donde, afinal saíram muitas das munições daquela guerra, nós.
    Um abraço.
    José Pereira Fernandes (Pailobo)

    • José Carlos Mendes diz:

      É que foram 37 meses de tropa, 25 dos quais na guerra, em Cabinda / Bata Sano. Forem «muitos dias, muitas horas» a penar
      (Paulo de Carvalho, aqui: http://letras.mus.br/paulo-de-carvalho/1584000/, para a gente se divertir, que avida não são só défices e carga fiscal…).
      No entanto, se se lembra, a floresta virgem do Maiombe é tão bonita, tão dominadora.

      O Miconge era a pior situação, de facto.
      Mas na minha zona, de cada vez que se passava na Curva da Morte (na foto maior do artigo), era como se fosse o último. E para muitos, foi…

      Repito: é importante conhecermos estes aspectos da memória psicológica das nossas terras – de que nunca aceitamos falar.
      Desta vez, empurrado por alguém, descaí-me… E já pedi desculpa aos leitores.

    • Cidadão do mundo diz:

      Meus caros conterraneos,
      Embora noutro contexto no meu caso, o “serviço militar obrigatório” marcou-nos profundamente. Do ponto de vista pessoal, sobram as violências a que fomos submetidos na juventude. Foi a emigração dos nossos pais, os cursos interrompidos, Mafra, as despedidas no cais de Alcantara…Caro JF, de facto fomos carne para canhão …..Do ponto de vista de um “país” que desviou os seus melhores recursos para uma guerra injusta, para a emigração, também sobram as consequências.
      Desde há 25 anos para cá tenho vivido nesses mesmos países que sofreram a guerra, e que a julgam tão injusta como nós. Conheci muitos antigos guerrilheiros que paravam a guerra (como nós) para ouvir o relato do futebol. Ouvi muitos testemunhos sobre a bravura dos tugas. Dizia Amilcar Cabral que não se revoltava contra Portugal, mas sim contra o regime que oprimia Portugal e os povos africanos.
      Hoje, consigo ler melhor a história. Consigo visualizar e compreender como eram heróis os portugueses que povoaram todos os cantos das ex-colónias, com as cantinas, as redes de recolha de produtos locais, as escolas, os postos médicos, os quartéis . Conseguem imaginar o alcance da construção do caminho de ferro de Benguela, de Cabora Bassa e outras obras?
      Consigo compreender que as injustas relações de produção e de troca, estariam em parte na génese das lutas de libertação.
      Pergunto-me frequentemente, como teria sido diferente o percurso de Portugal e dos países africanos se houvesse um minimo de lucidez e se tivesse interpretado a história no momento certo.
      Face à evolução recente, deixo uma interrogação: As elites politicas e económicas dos anos 60 que nos levaram “inocentemente” para a guerra sob a capa de um nacionalismo provinciano, não se terão refundado, embora em outro contexto? Não estaremos a ser esmifrados por uma nova elite? Os das EDP´s, GALP, Telecomunicações, para não descer muito mais…. por meia dúzia de rotundas que, esgotadas as SCUTS só causam embaraço para quem, tendo migrado, ainda sente necessidade de revisitar as memórias e a solidariedade beirã.
      Um cidadão do mundo nascido na raia

      • José Carlos Mendes diz:

        Caro «Cidadão do Mundo»!
        Que bem expresso. Concordo a 1000%.
        Quanto às actuais elites que nos refundam, nos esmifram e nos amolam, não podia tb estar mais de acordo.

        Mas diga lá ao menos:
        – onde nasceu este «Cidadão do Mundo», cujo anonimato queremos respeitar?

        Pela análise, tem andado muito bem lido nos últimos 40 a 50 anos!!!!
        Um abraço, onde quer que esteja agora…

    • Fernando Moreira diz:

      Boa tarde Jfernandes,
      A que Companhia/Batalhão pertenceu?
      C.Caç. 4245/73?
      Cumprimentos,

      • JFernandes diz:

        Boa Tarde Fernando Moreira.
        A companhia a que pertenci era a CCAÇ 4141/73.
        Ficámos clocados no aeroporto de Cabinda até ao regresso.
        Como disse no comentário, já não apanhámos a guerra que quase todos os restantes apanharam. Apanhámos sim a guerra civil entre o MPLA e a Unita que em Cabinda foi feroz (entre eles).
        Um abraço
        JFernandes

        • Fernando Moreira diz:

          Caro JFernandes, se não estou em erro vocês constituíram reforço do B.Caç. 4611/72 que tinha companhias no Lucola, no Yabe e no Ntó ou constituíam reserva do Comando do sector de Cabinda? O vosso aquartelamento era mesmo no Aeroporto ou no chamado “Brinca n’Areia”? Obrigado desde já.

        • António Cerqueira diz:

          Caro JFernandes, provavelmente estivemos na mesma companhia, mas era 4141/74. Capitão Pimentel.
          Eu era o furriel Cerqueira

      • Joaquim Brito diz:

        Sempre ao ataque Fernando Moreira! Muito bem!

    • José Correia diz:

      Qual a companhia com menos de 50 “elementos”?
      Servi no Bat.Caç. 4913/73 , e essa afirmação é completamente falsa!
      Correia da Silva
      Fur.Mil. da 2ª C.Caç.

    • José Correia diz:

      Companhia de Madeirenses com 50 “elementos”?????
      -Esta informação é completamente……. FALSA!
      Correia da Silva
      Fur.Mil.2ª./Bat.Caç. 4913/73

    • luis leal diz:

      de que companhia fazias parte.
      era a 4611/74

    • José Pereira Fernandes por acaso não pertenceste à Companhia 4141/74, do Capitão Pimentel?
      António Cerqueira

  2. vitor coelho diz:

    É bom ler. É bom lembrar. É bom estarmos ainda por cá para abraçar. No meu caso, sou um pouco mais antigo: : B. Caç. 443, no Quitexe e em Vila Salazar, em 63-65.Apesar de tudo, que saudades! Um abraço do Coelho para o Mendes …

    • Carlos Caio diz:

      Pertenci ao BART 6524/74, depois de termos saído do Bata Sano-Cabinda, fomos até Vila Salazar, chegamos lá em Fev ou Mar 75 e saímos de lá para Luanda em fins Set 75. Foi feio. A luta entre os movimentos foi dura.

  3. José Carlos Mendes diz:

    Sim, ainda bem que «estamos ainda por cá para abraçar».
    Um abraço do Mendes também.

  4. José Carlos Mendes diz:

    Inesperadamente para mim, ao voltar às estatísticas do ‘Capeia’, dou com os resultados sobre «blogs» e vejo que OS MAIS CLICADOS no registo de hoje foram exactamente os que inseri neste artigo sobre a «minha» guerra:
    – bc4910.blogspot.pt/2008/1…
    – lisboalisboa.blogspot.pt/…
    – lisboalisboa2.blogspot.pt…
    – bc4910.blogspot.pt/2008/1…
    – capeiaarraiana.files.word…
    Vejo ainda que nas ENTRADAS MAIS POPULARES o texto que aparece em primeiro lugar é o desta peça: Do Casteleiro a Buco Zau (1971-74).
    Estes registos dão-me a dimensão do interesse pelo tema, apesar de em geral tão pouco abordado.

  5. Idílio Pereira diz:

    Caro Mendes.Regozijo-me pelo facto de encontrar alguém que recalcou as minhas pegadas por terras do Maiombe. Fiz parte do BC 248, anos 62 – 64 que inaugurou o aquartelamento do Batassano – Buco Zau. A capela e duas das casernas que lá foi encontrar foram obra do esforço colectivo da minha Companhia. Logo, fomos vítimas do primeiro impacto terrorista, que se prolongou durante os 20 meses que ali passei.
    As consequências disso foram mais ou menos as mesmas que o meu amigo sente, com algumas diferenças apenas: uma delas é o facto de nós, como caçadores especiais, recrutados e instruídos dentro do conceito patriótico, na altura existente, e, no meu caso, saído do ambiente então vivido nas aldeias do nosso Concelho do Sabugal, onde a ignorância imperava, não sentimos aquela aversão às decisões políticas da altura, notada nas nossas tropas a partir de 1966/67, apesar das baixas sofridas; outra, é o facto de nunca termos pactuado com o inimigo, por este não o merecer, dado que não fomos nós a impôr tal guerra e assistirmos aos espetáculos macabros que os terroristas nos concediam, quando dos ataques à Fazenda Alzira e outras e, ainda, ao tratamento dado aos filhos do Sr. Carvalho, explorador de ouro que vivia próximo da povoação Luali, em que foram cortadas e queimadas nos seus leitos, tendo elas apenas 2 e 4 anos de idade.
    Por isso, caro Mendes, aceito e respeito a sua indignação, assim como o trauma vivido por muitos dos nossos camaradas de armas de então, mas, pelo lado que me toca, devo dizer-lhe que foi para mim uma honra defender parte do solo pátrio que nos foi legado pelos nossos antepassados e que , agora, por uma simples questão ideológica, que me parece bastante obscura, foi entregue, não aos seus legítimos donos, como é o caso de Cabinda, mas sim a interesses de outra ordem que todos nós conhecemos.

    • Joaquim Brito diz:

      Caro camarada Idílio Pereira:
      Gostei muito de ler as suas palavras e de saber que a sua Companhia foi a precursora das “estadias” militares no Bata-Sano.
      Gostava de trocar algumas palavras consigo acerca do Bata-Sano. Para isso deixo-lhe,com um grande abraço, o meu email:
      joaquimbrito@gmail.com

    • Alfredo Correia diz:

      Caro Ilidio,

      Só há pouco vim procurar, no Google, referências aos tempos de Cabinda para além das informações mais ou menos actualizadas respeitantes ao meu B. Caç. 4910/72, que vou acompanhando!
      Tendo lido e, gostado imenso de todos os escritos e testemunhos da autoria do Ex Alferes Mendes, para quem envio um grande abraço, bem como de muitos outros que li com interesse e, sem qualquer pretensão critica pois são, sem dúvida, a expressão das marcas de cada um
      considero este, particularmente, que aqui deixou, muito bem formulado e sentido, exprimindo sem dúvida a RAZÃO, à época , da Justiça, da Solidariedade, da História, enfim da necessidade de defesa da Pátria!
      Depois todos sabemos como a “coisa” evoluiu e não foi, de certeza, o melhor para aquele tão sacrificado POVO.

      Falta apenas dizer que também fui um dos que, como Furriel. de Transmissões/Cripto, incorporado na CCS do B. Caç 4910/72,chegou ao Bata-Sano na noite de dia 7 de Agôsto 72 e, na manhã seguinte, dia 8, aconteceu a emboscada, à Bazoocada, que vitimou o Cap. Bexiga, o Alf. Médico Silvério Marques e o Furr. Caldeira. Foi uma sensação terrível confrontar assim, com tal violência, a realidade da Guerra.

      Um forte Abraço

  6. Manuel Jose Rosa Palma diz:

    Caro JFernandes,pelos comentarios que li pertencemos a mesma companhia. Ate houve uma festa de aniversario em setembro de 1975. Um abraco do Palma de Beja

    • JFernandes diz:

      Caro amigo Palma:
      Passados estes anos todos ainda hoje lembramos situações e pessoas que viveram connosco momentos dificeis.
      lembro-me perfeitamente de si e da grande barba que na altura deixou crescer.
      Espero que tudo esteja bem consigo e com os restantes camaradas daquele “fado”.
      Um abraço.
      Jfernandes

      • Fernando Moreira diz:

        Caros Manuel José Rosa Palma e JFernandes, até hoje não consegui encontrar resposta para a data certa da saída dos últimos militares de Cabinda. Uns dizem-me que em meados de Outubro de 1975, outros dizem-me que por ultimo estiveram fuzileiros no porto de Cabinda a assegurar a evacuação de militares e civis e que também por lá teriam estado tropas Comando. Corresponde à verdade? Para o José Carlos Mendes: É correcto que após a retirada do B.Caç.4910 o aquartelamento do Bata Sano tenha passado para o MPLA? Obrigado.

    • Caro Manuel José, presumo que sejas o furriel Palma.
      Um abraço.

  7. José Carlos Mendes diz:

    Companheiros, companheiros!
    Isto mexeu mesmo connosco.
    Vejam só: um artigo escrito há mais de um ano, ainda hoje se arrasta penosamente nas nossas memórias, porque transporta do melhor mas também do pior das recordações das nossas vidas – pelo menos comigo assim é.

    JFernandes, Palma, Ilídio, Brito, «Cidadão do Mundo», Vitor, Moreira… malta! Estas catarses esgotam-nos, mas fazem bem que se fartam, não é assim?

    Em frente…
    Um gd abraço.

  8. Joaquim Brito diz:

    Aproveito o grande abraço do Mendes para todos nós e desejar a todos os Veteranos de Cabinda, e porque não a todos que participaram numa das maiores epopeias dos portugueses Um Feliz Novo Ano de 2014.

  9. Manuel Jose Rosa Palma diz:

    Caro Fernando Moreira, serve o comentario para lhe dizer que a 4141/73 tinha o aquartelamento no aeroporto. No Brinca na Areia ficavam os Comandos. A companhia que nos foi render a Cabinda saiu de la a 7/8 Novembro/75. Um grande abraco para todos

  10. Fernando Moreira diz:

    Bom dia, Já aqui não vinha a algum tempo e não sabia que tinha aqui este post dirigido a mim. Vamos então à conversa 🙂 : Como penso que devam saber a papelada ou sejam os Arquivos do Sector do Comando de Cabinda não vieram para Portugal, os do Batalhão local (BC-11) muito menos, ou se vieram ninguém sabe onde param e hoje é muito difícil a quem tenta reorganizar a história destes últimos dias consegui-lo com alguma seriedade. Aliado ao facto de que nestes últimos dias muito Batalhão ou Comandos de Companhia também não acautelaram os registos da sua unidade para posterior compilação histórica. restas-nos o vosso testemunho mas também acaba por ser uma dificuldade pois o pessoal militar, de tão maltratado que foi e que continua a ser, também desconfia de qualquer “paraquedista” que apareça a fazer perguntas sobre o Ultramar, entre os quais me incluo, apesar de ter vindo de Cabinda. Vamos então à história: As ultimas forças saem de Cabinda por volta de meados de Outubro de 1975, entre 10 e 15 ao que julgo saber, a partir desta data pode-se dizer que todas as forças militares portuguesas retrocederam para Luanda. Entre elas encontravam-se as forças do B.Caç.4612/75 que saindo de Cabinda na data que refiro partiram depois de Luanda para a Metropole nas datas que refere 7/8Nov75 poucos dias antes da independência.
    Nunca consegui entrar em contacto com nenhum militar deste Batalhão para tentar alinhar umas impressões sobre aqueles últimos dias em Cabinda… pode ser que apareça alguém. Bem como em relação à C.Caç.4141/73. Um abraço.

    • António Aparício Coelho diz:

      Olá boa tarde!
      Sou António Coelho Ex. Furriel Miliciano da Companhia de Comando do batalhão 4612/75 que saiu de Cabinda nas datas atrás referenciadas, tenho uma lista com os nomes de quase todo o pessoal da companhia porque regressei á (metrópole) Lisboa no dia 1 de novembro de 1975 como delegado da bagagem de toda a companhia. Um abraço e fico a guardar contacto Tel – 962307350 ou email acoelho53@gmail.com

  11. Joaquim Rocha diz:

    Acabei de passar por aqui e fui obrigado a entrar ninguem pois ninguem fica indiferente dos que por lá passaram, quando se aborda este assunto seja em que lugar for.
    Estive no Maiombe, Chimbete e Sangamongo e depois Massabi. A minha companhia era independente a CCAV 3419.
    Fui fur enfº e neste momento estou a terminar um livro sobre estas memórias.
    Caso os camaradas tenham conhecimento do fim dos aquartelamentos Chimbete e Massabi, agradecia que me respondessem.

    Um grande abraço,

    Joaquim Rocha

    • Camarada Joaquim Rocha, quanto ao Massabi não lhe sei responder. Quanto ao Chimbete, no decorrer da Operação Mundo Novo, que começou a 15 de Junho de 1970, a qual se tratava de alargar a área florestal em 50 metros para cada lado e alcatroar a picada do Buco-Zau para o Chimbete. Foi uma operação muito complicada, porque deu lugar a muita emboscada e muito tiroteio…
      Entretanto, penso que já em 72 ou 73, (a minha Companhia terminou a Comissão em 71) As autoridades (militar e civil) resolveram, quanto a mim muito bem, acabar com os quartéis de Chimbete e de Sangamongo e fazer um novo,em local mais elevado e redireccionar a estrada para lá.
      Entretanto, se o camarada ( e bem haja por estar a reescrever a história da nossa geração) quiser ver fotos e outras histórias do Maiombe, agradeço que no FACEBOOK procure por: Grupo da cart 2516 e depois na secção fotos, fique à vontade.
      Um abraço
      Joaquim Brito

    • Queria pedir ao dono (ou aos donos) deste site o favor de me indicarem, se for possível o contacto de IDILIO PEREIRA, pois foi ele que “inaugurou” o Quartel do Bata-Sano e eu adoraria trocar impressões com ele. Penso que por qualquer motivo ele nunca mais terá encontrado esta página….
      Por outro lado, se acharem por bem poderão dar os meus contactos ao Idilio.
      Com um grande abraço e muito obrigado pela atenção.
      Joaquim Brito

    • Zé Sustelo Coelho diz:

      Rocha, tropecei neste blog e ainda não li tudo o que por aqui consta o que farei logo que me dê mais jeito. No entanto a ideia é deixar aqui um abraço do Fur. Enf. da Cart 2395 que esteve no Massabi de Agosto de 68 a Abril de 70, altura em que rodou para o Bata-sano onde se manteve até Agosto.

  12. joaquim rocha diz:

    Camarada Joaquim Brito, muito obrigado pela disponibilidade das fotos no facebook, tenho a dizer-lhe que sai do Chimbete nos fins de Julho de 72 rendido pela Ccaç 3408 a qual teve uma emboscada na curva da morte entre o Chimbete e o morro da engª em que morreram o cap Bexiga o medico Silverio Marques e o fur. Caldeira no dia 8 de Agosto . Tinhamos lá um pelotão destacado e que tinha passado no local meia hora antes da emboscada tinham ido á água.. No massabi fomos rendidos em 10 de Novembro de 1973 pela Ccaç 5043. A partir daqui não sei mais nada. Não consigo saber nada sobre estas conpanhias de Ccaç 3408 e 5043.

    Um gd abraço

    Joaquim Rocha

  13. joaquim rocha diz:

    Camarada Joaquim Brito
    se quizer ver fotografias do Maiombe, pode consultar o blog da Ccav 3419

    Abraço

    JRocha

    • Olá Joaquim Rocha:
      De há dois ou três anos a esta parte que comecei a bisbilhotar praticamente tudo que diga respeito aos militares que passaram pelo lindo Enclave de Cabinda, o que quer dizer que tudo que passe pela Internet já vi e revi várias vezes, mas sempre com muito agrado e orgulho pelo que os nossos camaradas, muitas vezes com o sacrifício da sua própria vida, por lá fizeram.
      Aqui vos deixo o link do melhor livro sobre a actividade militar portuguesa em Cabinda, para o caso de não conhecerem ainda:

      docs.google.com/file/d/0B16q2O9XZg47STdHZmVsTlBmeW8/edit

      Com um forte abraço,
      Joaquim Brito

      • Joaquim Rocha diz:

        Obrigado Joaquim Brito

        Um gd abraço

        Joaquim Rocha

      • Joaquim Rocha diz:

        Joaquim Brito
        Penso que está a falar do livro “Cavaleiros do Maiombe” do Inacio Nogueira,
        Eu tenho esse livro, contactei o Inacio Nogueira e ele enviou-me.

        Um abraço,

        JRocha

        • Joaquim Rocha:
          É precisamente esse livro. Quem não se quiser dar ao trabalho de contactar Inácio Nogueira, pode através daquele link chegar ao mesmo. Penso até que será uma boa obra para a nossa juventude ler para ficar a saber com pormenor o que os seus avós passaram…
          Um abraço a todos os veteranos!
          Joaquim Brito

  14. fmoreira diz:

    Joaquim Rocha, o Aquartelamento de Massabi e o de Sala Bendje (Morro) acabaram por passar para mãos do MPLA à medida que as forças militares portuguesas iam retrocedendo o dispositivo militar no território, é difícil dizer a data exacta em que isso aconteceu mas pode-se indicar a ultima unidade a abandonar aquelas paragens. Um abraço,
    fmoreira

  15. Joaquim Rocha diz:

    Obrigado FMoreira
    Não houve probllemas com os TE`s, em que os páras estiveram presentes ?

    Abraço

    JRocha

    • Fernando Moreira diz:

      Pelo que sei não… O problema que houve foi que após o 02Nov74, em que o Brigadeiro Themudo Barata foi preso por uma sublevação das NT apoiados pelo MPLA, as TE saíram de Cabinda e um núcleo ficou-se por Boma Lubinda que pretendiam fosse transformado em Campo de Treino daquela força. Mais tarde houve um incidente num posto de controle com um elemento do exercito português e uma viatura das TE que não respeitou o alto tendo atropelado o referido militar. Acabou por se fazer uma limpeza a Boma Lubinda. Houve também o ataque ao Morro de Sala Bendje por uma força mercenária e com TE que haviam aderido à FLEC de Auguste Tchioufou, na RPC, e que tiveram de ser desalojados por forças Comando depois do local ter sido bombardeado pelos FIAT-G91.

      • José Correia diz:

        Nenhuma força desalojou os insurrectos em Sala Bendje, nem a Força Aerea bombardeou o môrro.

        • Fernando Moreira diz:

          Caro José Correia, tenho encontrado descrições, infelizmente, para todos os gostos. Será que se consegue uma descrição do que realmente sucedeu no Morro de Sala Bendje? É certo que houve forças CMD destacadas para a reocupação do mesmo, estiveram Fiat G-91 estacionados no AM-95 e inclusivamente há um piloto de Puma que refere ter sido atingido numa perna quando procedia à largada de Comandos. Obrigado pelo esclarecimento.

      • José Correia diz:

        Em que datas?

  16. José Correia diz:

    Mayombe : Do paraíso ao….. inferno!!!!

    Caio Guembo + Belize + Massabi

    Um Alfa Bravo

    Correia da Silva
    Fur.Mil. 2ª./BAT.CAÇ.4913/73

  17. Joaquim Rocha diz:

    José Correia

    Depois da C CAÇ 5043 ter saído de Massabi, foi a 2ª /Bat CAÇ 4913 a ultima a sair do Massabi ?
    Como correu a desocupação?

    Um abraço

    Joaquim Rocha

  18. joaquim rocha diz:

    Olá José Correia
    Só sei que quem nos rendeu a N/Companhia CCAV 3419 foi a CCAÇ 5043 que não consigo contactar com ninguém e não sei nada dela.

    Um forte abraço

    JR

  19. Fernando Moreira diz:

    A C.Caç.5043 tem um Blog com endereço electronico : ccac5043@sapo.pt , tente também por este endereço pois este cidadão publicou uma noticia sobre o convívio de 2014. O endereço é o seguinte: amorimnuneslopes@sapo.pt . Espero que tenha sorte.

  20. Correia da Silva diz:

    Bem me parecia……
    E não sou psicanalista!!!!!!!!

  21. jose dias diz:

    sangamongo dinge batassano landana bliz massavi sanga planicie eu passei por eles todos em 74 s condutor dias ou viana como era mais conhecido a todos um abraco

    • Joaquim Brito diz:

      Camaradas fiotes: agora os militares de Cabinda estão todos no FACEBOOK. Procura por nós em CABINDA – TROPAS PORTUGUESAS. Milhares de fotos do Enclaves e comentários estão á tua espera.

  22. IVO DE FREITAS diz:

    BOA TARDE , GOSTAVA DE ENTRAR EM CONTACTO COM CAMARADAS DO BATALHAÕ CAÇADORES 4910 , ONDE ESTEVE O, PENSO O SOLDADE AVEIRO DA MADEIRA QUE JÁ FALECEU E ERA PAI DO CRISTIANO RONALDO , ,

    • Caro Ivo.
      Sou um ex-militar da Ccaç 4246/73 que saiu de Gago Coutinho uns dias antes de vocês chegarem. Regressámos a Luanda como Cª de Intervenção até Set de 75.
      Pelo sei o Bcaç 4910/74 saiu pouco depois de gago Coutinho, foi para o Luso e do luso para Luanda, onde nos teremos cruzado muitas vezes pelas intervenções que tinhamos nos musseques.

      Queira contactar o José Coelho, politico e deputado na assembleia da madeira através do telm 964 780 418 ou pelo E-mail josecoelho03@gmail.com comq uem falei ainda ontem.

      Pretendemos falar com elementos de várias unidades que intervieram em Luanda e quiçá fazer um apanhado e eventualmente um publicação.
      O meu contacto é dgilpereira@gmail.com e o 916 657 269.

      Gil Pereira

      • Caro Gil Pereira
        Penso saber que o BCaç 4910 ainda é dos antigos, sem a menção de ano como os mais recentes. Este Batalhão seguiu para Cabinda em 1972 e toda a sua Comissão foi feita no Enclave e só passou por Luanda para embarcar e desembarcar.
        Tanto alguns membros deste Batalhão 4910 como o madeirense (de gema) Ivo de Freitas da CCaç 2570, estão no Facebook como membros de CABINDA – Tropas Portuguesas. Segue aqui o link: ( se nos leitores da Capeiaarraiana houver militares que passaram por Cabinda esperamos que se juntem a nós): Um grande abraço a todos

        • Fernando Moreira diz:

          Atenção a um pormenor: Existem dois Batalhões 4910 , um de 1972 (4910/72) que esteve em Cabinda o tempo todo da sua comissão e outro de 1974 (4910/74) que nunca esteve em Cabinda. É a este que o Gil Pereira se refere. Cumprimentos.

  23. joaquim REI (primo) diz:

    procuro camaradas do BART 6524/74 que esteve em cabinda, nomeadamente CCS e 2 compnhia em buco-zau 1comp. em sangamongo e a 3 em batassano e por fim em DALATANDO onde fui atingido por uma morteirada perto da padeiria….

  24. jose f gafanhoto diz:

    acabei dever, vossos comentarios ,andei por ai tando zinze emassabi e fiz parte no abrir a picada do samgamongo qualquer um de vos foram render a c. cac 2565 quanto a embuscada ja estava em luanda a espera do barco para o regresso amigos um abr

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