Tertúlia sabugalense reuniu na Casa do Concelho

Jorge Barreto Xavier, ex Director-Geral das Artes, foi o convidado especial de um grupo de naturais e amigos do Sabugal que reuniu ontem, dia 26 de Janeiro, na Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa para jantar e trocar ideias acerca do futuro da região.

«A cultura é o que nos liga», disse Barreto Xavier, que porém considerou que a economia passou a dominar as nossas vidas, em detrimento do tempo livre, do lazer e da cultura, que foram atirados para um canto da nossa existência. Esse facto leva-o a considerar que em Portugal se tem investido muito pouco na cultura enquanto aspecto estruturante do nosso quotidiano.
O ex Director-Geral das Artes, que passou uma boa parte da sua infância no Sabugal, onde estudou e deixou bom amigos, referiu-se ao problema da desertificação do Interior, como sendo fruto da atracção fatal que hoje as pessoas sentem pelas grandes cidades, que oferecem tudo o que necessitam e desejam. O poder central tem culpas no cartório, ao não criar condições para que as populações possam fixar-se no interior de Portugal.
A solução terá de passar por uma «visão integrada», construída a partir de uma reflexão que procure um consenso básico entre as várias forças políticas dominantes. «Tem de haver uma lógica de complementaridade», disse Barreto Xavier, dando como exemplo as termas do Cró, que considerou uma bela infra-estrutura para a qual falta uma aposta diversificada em áreas complementares à do simples termalismo. Só essa aposta poderá garantir o aproveitamento da oportunidade que o Cró proporciona ao concelho do Sabugal e à região.
Outra necessidade é a definição de um modelo de desenvolvimento para o concelho, criando graus de competitividade. «Mais do que um chefe ou um líder, é necessário um projecto elaborado a partir de um consenso para o longo prazo», concluiu.
Após a intervenção do convidado seguiu-se uma viva troca de argumentos acerca do rumo que o concelho deve tomar no futuro, onde sobressaiu a ideia de que o Sabugal precisa de se dinamizar a partir de uma mudança de mentalidades, pondo de lado rivalidades e conflitos estéreis e apostando na junção de esforços entre os que estão no concelho e os que partiram e mantém vivo o desejo de ajudar e de um dia regressar.
Jorge Barreto Xavier é professor do ISCTE, onde também prepara a tese de doutoramento em Políticas Públicas. Para além de Director-Geral das Artes, cargo que exerceu de 2008 a 2010, foi vereador da Câmara de Oeiras com o pelouro da Cultura, membro do conselho de administração do Instituto Português da Juventude, fundador do Clube Português de Artes e Ideias, entre outras actividades de relevo. É autor e co-autor de diversas publicações, com especial incidência nas áreas das artes e das políticas culturais.
plb

4 Responses to Tertúlia sabugalense reuniu na Casa do Concelho

  1. kim tomé diz:

    “o Sabugal precisa de se dinamizar a partir de uma mudança de mentalidades, pondo de lado rivalidades e conflitos estéreis e apostando na junção de esforços entre os que estão no concelho e os que partiram e mantém vivo o desejo de ajudar e de um dia regressar.”

    Se estivessem no Sabugal e assistissem aos crimes patrimoniais que todos os dias aqui se cometem, não diriam isto a menos que fossem cúmplices.

    Quanto aos conflitos estéreis … São os políticos que governam a nossa terra que os estimulam e que os promovem, ou será que temos que deixar destruir o concelho e calarmo-nos?
    Por mim estou em conflito aberto com essa gente que todos os dias destrói a minha terra e que impede os que cá vivem de ser felizes.

    E quanto a ajudar aos que querem regressar, venham cá falar comigo que eu explico o que me fizeram a mim e muitos outros que trabalharam em prol do Sabugal. Mas pior, é que cada dia que passa fazem pior e pior…

    Quando estava a viver em Lisboa e vinha cá de férias também pensava assim, agora que estou cá e vejo as barbaridades e os crimes que se cometem diariamente, já não posso falar com o lirismo que vejo alguns falar.

    Ou será que estas coisas são para mais uma vez tapar os olhos ao zé povinho e dar suporte aos crimes que se têm cometido na Câmara Municipal do Sabugal?

    • Jorge Clara diz:

      Gosto de ler o que escreve este homem que não conheço…
      Sou sensível à forma como clama e estou a seu lado na luta por um mundo melhor.
      Todavia, estranho o facto de nunca ter divulgado o seu projecto para o Sabugal, o que queria implementar e não conseguiu porque o impediram e quem o impediu.
      Será que este senhor sabe de coisas a que chama “crimes” e não as divulga?
      Pois, desta forma, também é cúmplice.

      • kim tomé diz:

        Caro Jorge Clara permita-me que lhe refira apenas alguns aspectos.
        1 – Como pode constatar neste blog fui eu o autor da ideia de candidatar a Capeia Arraiana a património da humanidade, felizmente já é património nacional, muito há ainda a fazer para qualificar e salvaguardar com dignidade este património, contudo a Câmara nunca teve a honestidade de reconhecer o autor da ideia e mais que isso ainda tiveram o descaramento de desvalorizar isso.
        2 – Criei e mantive um projecto que se chama “O BARDO” onde antes do dito “Plano tecnológico” oferecia aos Sabugalenses a possibilidade de utilizar computadores e aceder à internet de forma completamente gratuita, dos políticos e técnicos da Câmara recebi boicotes, injurias e calunias por ter esse projecto, onde muitos aprenderam a utilizar as TIC e onde alguns jovens se entusiasmaram por aprender mais e hoje frequentam, cursos de engenharia nesta área. E isto sem qualquer apoio das instituições.
        3 – Tive a iniciativa e cheguei mesmo a pagar do meu bolso, iniciativas que recuperaram tradições perdidas da nossa terra em conjunto com uma associação cultural local, sem qualquer apoio da Câmara.
        4 – Fui juntamente com a Casa do Castelo o iniciador da Feira Franca do Sabugal, recuperando assim uma tradição medieval que estava perdida e esquecida. Hoje mesmo aconteceu mais uma edição que prova ser esta um factor de animação do centro histórico do Sabugal.
        5 – Foi depois do meu trabalho de estudo e investigação, cujos resultados também foram publicados neste blog que se projectou na comunidade cientifica o interesse pelo estudo e divulgação do património histórico judaico do concelho, que levou à entrada do Sabugal na Rede Nacional de Judiarias. Devo referir que este trabalho foi realizado sem o apoio da Câmara e que, os técnicos da Câmara até o boicotaram, desvalorizaram e prejudicaram em muito. Para além disso a Câmara é responsável pela não preservação de muito do património judaico no concelho.

        E se me permite, por aqui me fico, havia muito mais a referir mas seria demasiado longo para esta resposta.
        Contudo, devo dizer-lhe que nunca desisti apesar de já ter sido agredido fisicamente, o meu carro ter sofrido atentados, ter sido injuriado e caluniado por defender a minha terra e lutar pela preservação do nosso melhor património.
        Eu vou continuar a fazê-lo e não necessito de milhões de euros.

  2. João Valente diz:

    O meu amigo Jorge… ao tempo que não o vejo…

Deixar uma resposta