Pinharanda Gomes homenageado em Lisboa

«A imagem que cada um tiver do mundo será a imagem que o mundo terá dele, porque imagens delidas e sobrepostas no mesmo espelho, aí, onde o pensamento pensa o ser, o próprio ser ascende no pensamento. Tais imagens hão-de ser as palavras, os lares onde o ser habita.»; Pinharanda Gomes, in Pensamento e Movimento.

Santo Condestável - Pinharanda GomesO Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) atribuirá, no dia 19 de Novembro, sábado, a «Medalha de Mérito Cultural» a Jesué Pinharanda Gomes, um dos mais importantes nomes vivos da Filosofia Portuguesa. A cerimónia de homenagem realiza-se pelas 19 horas na Sociedade da Língua Portuguesa (SLP), em Lisboa, em acto contínuo à realização da Assembleia Geral do Movimento Internacional Lusófono. O local é Rua Mouzinho da Silveira, nº.23, em Lisboa. A entrada é livre.
O Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL), que homenageia o filósofo sabugalense, foi fundado em 1975 por Jacinto do Prado Coelho. Agrega as literaturas e as culturas de Língua Portuguesa, está presentemente organizado em vários grupos de investigação.
Jesué Pinharanda Gomes nasceu em Quadrazais sabugal, em 16 de Julho de 1939 e afirmou-se como um dos maiores pensadores da cultura portuguesa.
Há dias, o escritor e advogado José António Barreiros, tomando conhecimento de que Pinharanda Gomes ia ser homenageado, escreveu acerca dele no seu blogue «Geometria do Abismo»:
«Fui há anos à sua casa em Santo António dos Cavaleiros entrevistá-lo. Modesto, discreto, quase hesitava em produzir uma que fosse afirmação definitiva. Tratei-o por “doutor”. Disse-me que o não era. Como nos acompanhava uma estante de livros sobre teologia tentei corrigir, afirmando que seguramente teria estudos no Seminário (como tantos do seu tempo). Disse-me que também não. Era um auto-didacta. As tertúlias de Lisboa tinham sido, nos cafés, a sua sala de aulas. A Filosofia Portuguesa o seu amor.
Trabalhava na Massey Fergunson na venda de tractores. Estudara nas horas livres, pela noite fora. Lera na Biblioteca Nacional no tempo em que ela abria à noite. Tirava à boca para comprar livros. Instruía-se sempre. Escreveu nem sei quantos livros. Tentei encontrá-los todos. Teve a gentileza de me oferecer alguns.
A entrevista era sobre tudo e sobre nada. A minha ignorância impedia-me de formular as perguntas certas, a sua sabedoria vedava-lhe respostas simples.
À saída mostrou-me uma pequena gaiola, extasiado ante uns passarinhos e os ovos que chocavam. A vida cumpria-se. Uma vez cruzei-me com ele na Lapa. Ia consolar o Orlando Vitorino, fazendo-lhe companhia.
Nasceu em Quadrazais, mas renasce como exemplo no coração de cada um. Um dia um jornal, creio que o Diário de Notícias, perguntou-me qual foi a pessoa que mais me impressionou. Disse: Jesué Pinharanda Gomes.»
plb

Deixar uma resposta