Em defesa da Língua Portuguesa

Pegou moda o uso de expressões linguísticas estrangeiras para designar coisas nacionais. Em restaurantes chega a haver cardápios escritos em Inglês, que se tornou a língua dominante, relegando o Português para segundo plano, facto inadmissível e que apenas se verifica pela falta autoridade e de sentido de responsabilidade que grassa no País.

Ventura Reis - TornadoiroHá várias décadas que o Português vem perdendo terreno. Para piorar o panorama e irremediavelmente o comprometer, o governo de José Sócrates introduziu a obrigatoriedade da aprendizagem do Inglês nas escolas primárias. Essa medida, que gerou a simpatia de muita gente, foi um sinal de capitulação no esforço por uma melhor aprendizagem da nossa língua materna. A língua dominante, escrita e falada na poderosa América do Norte e tornada «língua de trabalho» em tudo o que é comunicação internacional, triunfou em toda a linha.
Cabe perguntar onde fica a Língua de Camões e de Gil Vicente, já de si tão maltratada com o recente acordo ortográfico, que a abrasileirou?
Mais uma vez tenho que recorrer aos ensinamentos antigos, nos saudosos tempos em que se defendia, com unhas e dentes, a língua pátria conta todo o género de tentativas em a desvirtuar ou em a relegar para segundo plano.
Ao contrário de hoje, em que o livre arbítrio é a regra soberana, na minha mocidade havia leis que protegiam a língua nacional. Cito um diploma legal de 1930, que se manteve válido durante sucessivas décadas, e que ainda hoje contém os pressupostos para que estivesse em vigor, não fossem os destruidores da nação tê-lo revogado em nome da irresponsabilidade que por aí abunda. Trata-se do Decreto nº.18.281, de 30 de Abril, que logo no seu primeiro artigo determinava: «É proibido o uso de língua estrangeira nas tabuletas, cartazes, anúncios, reclamos, marcas de fábricas ou de comércio nacionais e bem assim nas listas de mesas dos hotéis, restaurantes, casas de pasto e outros estabelecimentos similares».
Como todo e qualquer normativo legal só tem eficácia se para cada dever definir uma sanção, lá estava também a punição pelo incumprimento da obrigação de tudo estar escrito em Português: multa de 50 a 1000 escudos, «conforme ao juiz parecer». Se houvesse reincidência a multa elevava-se para os 5000 escudos e o culpado sujeitava-se a cumprir prisão até 30 dias.
Quanto às placas, cartazes ou anúncios encontrados escritos em língua estrangeira, a lei determinava expressamente a sua imediata destruição pela Polícia Administrativa.
Não se compreende que uma nação antiga de quase nove séculos, com uma língua una e riquíssima, se deixe arrastar para o abismo ao abdicar da obrigatoriedade do uso regular do Português na escrita e na oralidade. A nossa língua nada fica a dever ao Inglês, Francês, Alemão ou ao Castelhano, antes se afirmando como uma das mais completas do mundo, desde logo evidente na riqueza vocabular que contém.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis

3 Responses to Em defesa da Língua Portuguesa

  1. Cuidado, restaurante é palavra afrancesada…

  2. Joaquim diz:

    Concordo, mas deviamos aportuguesar mais as expressões que se tornaram habituais, como fazem os espanhóis. O Português é claro, entende-se bem, soa bem ao ouvinte, é sóbrio não exagera nas consoantes nem nas vogais, e deve ser defendido,

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