Carlos Peixoto alerta para desertificação do Interior

O deputado do PSD, Carlos Peixoto, eleito pelo círculo eleitoral da Guarda afirmou esta esta semana no Parlamento que é tempo do Governo assumir o tema da interioridade como um desígnio nacional.

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A interioridade foi o tema escolhido pelo PSD para a primeira declaração política desta legislatura. O deputado da Guarda, Carlos Peixoto, começou por recordar que «37 anos de democracia criaram um fosso muito maior entre um Portugal promissor (o do Litoral) e um Portugal redutor (o do Interior)». Na opinião do social-democrata, «são os governos, designadamente o de hoje, quem tem de fazer o que os de ontem esqueceram, assumindo como desígnio nacional a obrigação de travar esta sangria».
O deputado beirão, eleito pela região da Guarda, lembrou que de acordo com os resultados dos Censos, nos últimos 10 anos, o distrito de Castelo Branco perdeu quase 13 mil habitantes e o da Guarda quase 20 mil. Aliado a este despovoamento, o parlamentar afirmou que um estudo prospectivo realizado pelas Nações Unidas prevê que, em 2030, 80 por cento da população estará concentrada nas áreas da Grande Lisboa e do Grande Porto, cerca de 8 por cento viverá em cidades médias e só 12 por cento resistirá em todo o Interior. «É, pois, tempo de pormos os olhos em Estados com a nossa dimensão, mas com uma competitividade manifestamente superior», acrescentou Carlos Peixoto.
Carlos Peixoto frisou que é de salutar que as grandes cidades continuem fortes e competitivas, «mas é também premente e patriótico que o resto do País deixe de ser, como diz o adágio, apenas paisagem».
«O PSD sabe que este Governo terá arte, engenho e, sobretudo, coragem para inverter a trajectória do despovoamento e da desertificação de Portugal mais profundo. É tempo desta questão passar a fazer parte do discurso e da prática política. Por isso, o PSD irá propor um amplo debate no seio do Parlamento e fora dele sobre este tema da interioridade, com a audição de entidades públicas e de organismos e personalidades da sociedade civil capazes de dar os seus contributos em prol deste combate que o País não pode deixar de travar. Porque a melhor forma de ajudar o litoral é desenvolver o interior de Portugal», disse ainda o deputado social-democrata Carlos Peixoto.
jcl

3 Responses to Carlos Peixoto alerta para desertificação do Interior

  1. Jose Morgado diz:

    O Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal, diga-se em abono da verdade,tem desempenhado a função, a contento da maioria e apesar de não residente,ainda lhe sobra tempo, para analisar a evolução da população do interior, ora abrangendo a Beira Interior Norte e parte da Beira Interior Sul- a Cova da Beira, ora centrada no concelho do Sabugal.
    Como para factos não há argumentos(os censos), se não fizermos mais que aquilo que abundantemente se diz que se deve fazer, a tendência é para a desertificação total e que algumas Anexas já são prova disso.
    A não ser as actividades sazonais( capeias, festas profano-religiosas, caminhadas e convivios gastronómicos, estes,muitas vezes da iniciativa de não residentes ou de uma franja das poucas forças vivas do concelho, a não ser as de iniciativa municipal, paroquial ou de Juntas de Freguesia mais dinâmicas, o tecido empresarial tem cada vez menos sustentabilidade. Tem que haver mais vida para além dos meses de Julho/Agosto

    • CM diz:

      Como se costuma dizer: De boas intenções…
      Vem agora o Sr. deputado (tardíssimo de mais) tentar dar vida ao moribundo? Claro que a sua intenção é boa, mas não chega. Vejamos:
      1- Falava-se que o que faltava ao interior eram os eixos viários para o aproximar aos grandes centros. Pois bem foi implementada a A23 e A25 e o que trouxeram? Pouco ou nada de novo.
      2- Se os eixos viários eram parte da solução, então agora deixaram de o ser, pois vieram sobrecarregar as poucas empresas que tiveram a coragem de se instalar no interior do país, com as portagens (em que a sua viabilidade, está ferida de morte com estas medidas);
      3- O Governo tenta demarcar-se, deixando de se representar junto das regiões mais distantes dos grandes centros, ao eliminar os Governos Civis, justificando o facto do despesismo. Será que não havia outra forma de o reduzir sem tomar esta medida? No distrito da Guarda estava a ser desenvolvido um bom trabalho.
      4 – As poucas pessoas que restaram (e que já são poucas de acordo com os dados dos sensos), grande parte idosos e dos poucos jovens que restam não existem alternativas de futuro e são forçados a partir.
      5 – Então que fazer ao moribundo? Esperar por um Milagre, pois só mesmo um milagre o poderá salvar. A não ser, que como medidas sancionatórias (repovoamento dos tempos antigos, com recurso a condenados) de alguns ilícitos, se imponham às pessoas a sua redeslocação para as suas origens.
      6 – No meu entender, a resolução já deixou de ser política. Já estamos noutro patamar.

  2. João Duarte diz:

    Parole, parole, parole… Não é sr. Peixoto? A chamada “pomada da cobra”…

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