Sem vez e sem voz

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaA propósito do tema da última crónica e porque todos sabemos como tanta coisa calamos, mesmo que a revolta nos invada, ou porque pouco adiantamos, fica mais um apontamento com que todos concordam, com certeza. Tanta miséria escondida e fome disfarçada que engrossa com a falta de emprego e que se agudiza com tantos impostos e IVAs e só se ouvem as vozes dos que têm poder e força. Há sempre aqueles que «sem vez e sem voz» continuam recolhidos no seu canto à espera de um milagre que salve as suas vidas ou porque já desistiram de lutar. Apetece-me lembrar que…

SEM VEZ E SEM VOZ

Há silêncio nas palavras
Há palavras no silêncio
Fechadas no meio do tempo
Fechadas na confusão
Há confusão no silêncio
Há silêncio no bulício
Palavras sem conclusão.

Pensamentos sem retorno
Desejos tão abafados
Vozes sem palavras, sem sons
Sons abafados tão sós
Isolados, não ouvidos
Na cidade tão sem gente
Palavras sem eco, sem voz.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

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