Santa Catarina na Rebolosa (1)

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaAcordámos com a Rebolosa, bem cedo, pela manhã. A geada quase mágica que caiu sobre o povoado não podia privar-nos dum convívio são e caloroso, onde os sorrisos frescos da alvorada nos recebiam, em festa. «É a festa da Padroeira Catarina, grande Senhora. E pelo que conta a história este povo e suas gentes elegem-na protectora.» Ali respirava um pedacinho de Portugal em que a partilha torna sempre felizes os corações.

SANTA CATARINA NA REBOLOSA

Rebolosa acordou
De manto branco vestida
Mais tarde rompeu o sol
Os sinos chamam à festa
Ali respira-se vida!

Enquanto sai a procissão
Os sinos vão repicando
E os foguetes com tal força
Esquecem o frio aos fiéis
Que vão cantando, rezando!

É a festa da Padroeira
Catarina, grande Senhora
E pelo que conta a história
Este povo e suas gentes
Elegem-na protectora.

Crianças estão na escola
Mas não ficam ali perto
Fecharam-se portas, janelas
E quem quiser estudar
Fá-lo-á longe, por certo.

Só o Tomás ali anda
De sorriso leve e maroto
Feliz por comprar umas calças,
É porque ainda é pequeno…
Alegrias de garoto.

Carina, trabalha na feira
Uma jovem bem bonita!
«Vendemos fruta, castanhas
Depois é comer e beber»
Responde com ar catita.

E lá no alto da Laje
Em mesa posta à maneira
Torresmos, que bons que estão
Reúne todos à volta
Admirando a aldeia inteira.

Novas mesas, mais fogueiras
Onde grupos vão surgindo
Em vários pontos do adro
Aquecem o coração
Todos comendo e sorrindo.

O cheiro é uma loucura
Torradinhos, ai que mimos
E o poeta Leal Freire
Com o seu porte mui distinto
Um raminho dois raminhos…

Pois vamos de mesa em mesa
E petiscos, petiscando
Tudo gira, tudo roda
Até a música dá vida
Come-se o bucho raiano.

Passamos então à «Peña»
Aberta em dias de festa
Mais um ponto de convívio
Para dançar e beber
Jeropiga? Não há como esta!

É uma vez no ano
Santa Catarina a festejar!
«Depois de tudo fechado
Não vamos para a estrada…
É comer, beber, dançar…»

«Malta nova, amiga e unida
Não se arrisca a sair»
Convive ali nas penhas
De bom gosto e de bom grado
Tudo é p’ra dividir.

É o Paulo quem nos diz
«Abrimos em dias de festa
No Senhor dos Aflitos
Santo António e na Capeia»
Festividades tais como esta!

Festas únicas, diz Paula Pinto
Defendendo a tradição
«A cultura popular
Mostra a alma lusitana»
Fala para localvisão.

«Mostrando a alma das gentes»
Sabugal é todo o ano
Desde a capeia raiana
Revela viva a cultura
Mantendo-se vivo, ufano!

O centro do convívio
É a Junta de Freguesia
Onde o nosso amigo «alcalde»
Disse sentir-se honrado
Por receber a Confraria.

«Gostámos de os ter connosco
Nesta festa de tradição»
A comer, a conviver
Afirmou Manuel Reis Barros
Mostrando alguma emoção.

«Quem nunca veio à Rebolosa
Foi bom para nós receber
Quando começou? Não sabemos
Do seu começo ao final
Foi sempre festa a valer!

Todos levam a ordem devida
Para seu porco matar
O simbolismo é bem forte
Reportando-se ao passado
A festa vai continuar.

E quem manda cá no «sítio»?
O Zé Carlos, já sabemos
«Estivemos a conviver
A recordar tradições
A esta Junta o devemos».

Quero rematar afinal
O que senti, digo então
Pois que esta gente boa
Recebe com alegria
Partilha do coração.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

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