Um Justo Pater Famílias

O livro de memórias «Um Justo Pater Famílias», foi apresentado em Agosto na Bismula, terra do herói da história, José Maria Fernandes Monteiro, homem de muitas vivências e pai de uma vasta prole de gente boa e dedicada à memória do seu ascendente.

A vida de um qualquer homem dá um livro, porque cada vida terrena encerra um conjunto de aventuras e desventuras que, compiladas, dão sempre uma história com interesse. Esse lugar comum pode ser válido para a generalidade dos homens, mas o bismulense José Maria Fernandes Monteiro, tem uma história absolutamente peculiar e deveras interessante. Por isso mesmo, um filho seu, Ezequiel Alves Fernandes, resolveu publicar um livro com a história da vida do pai.
O homenageado nasceu na Bismula em 1904, num dia frio de Inverno, vindo falecer em Setúbal, a cidade da sua vida, em 1999, com, portanto, 94 anos de idade.
Em 1924 o jovem bismulense, ouvindo a pregação dos missionários do Coração de Maria, sente o apelo da fé, e deixa a aldeia rumando clandestinamente para Espanha, onde frequenta o seminário e integra a comunidade religiosa. Vai depois para o País Basco, onde exerce as funções de irmão claretiano, pregando a fé.
Em 1930 acompanha uma missão da congregação em Setúbal, e ali se fixa e se dedica à vida eclesiástica até 1944, altura em que decide abandonar a vida religiosa e regressa à terra natal onde tem a sua mãe doente, e onde pensa constituir família. No ano seguinte casa com a sua conterrânea Maria da Piedade, também ex-religiosa, de quem viria a ter 10 filhos.
Na Bismula de antigamente vivia-se com imensos sacrifícios, trabalhando-se de sol a sol, sem que os parcos rendimentos auferidos fossem suficientes para uma vida digna. Em 1961 decide regressar a Setúbal, onde tem amigos e pode dar melhor desafogo à família, que rapidamente vai buscar à Bismula. É sacristão, trabalha como guarda numa fábrica, e assim, enfrentado as dificuldades, vai sustentando a família.
Homem de fé e de princípios, José Maria Fernandes impõe aos filhos uma educação austera quanto aos princípios, mas revelando-se um pai compreensivo e um avô extremoso. Trabalharia na fábrica até aos 82 anos de idade e viria a falecer aos 94 anos.
O exemplo de vida de José Maria Fernandes, o «Pater Famílias», agora em livro, foi um tributo do seu filho, com testemunhos de toda a descendência e de muitos dos que privaram com este grande homem raiano que deixou marcar vivas na cidade de Setúbal, terra que o acolheu, e onde a maior parte da família hoje se encontra fixada.
O livro vai muito para além do relato da vida do homenageado. Na verdade é uma compilação histórica, relatando as formas de vida e a sua evolução no tempo e falando nas principais mutações sociais e políticas ocorridas ao longo da vida terrena de José Maria Fernandes.
plb

One Response to Um Justo Pater Famílias

  1. António Alves Fernandes diz:

    Bem haja pelo brilhante e significativo artigo sobre o Livro Pater Familias, que mereceu esta homenagem e desta recordação para nunca mais ser esquecidas as suaa qualidade civicas, morais, familiares e religiosas
    O seu filho mais velho
    António Alves Fernandes
    Aldeia de Joanes
    Outubro/2010

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