António Augusto Louro – Republicano do Sabugal

António Augusto Louro, nascido no Sabugal em 22 de Outubro de 1871, foi um proeminente republicano, a cujo movimento aderiu antes da implantação da República, assumindo-se também como maçónico e carbonário, em cujos movimentos ganharia especial notoriedade. Foi sucessivamente administrador dos concelhos de Torres Novas, Coruche e Alcanena e esteve especialmente ligado ao desenvolvimento do ensino em Portugal.

António Augusto Louro - Maçonaria - Sabugal - Capeia Arraiana

António Augusto Louro

Filho de António Correia Louro e de Maria José Correia Louro, António Augusto Louro ficou órfão ainda criança, o que o levou a trabalhar desde muito jovem como praticante de farmácia. Do Sabugal seguiu para o Porto e depois para Lisboa, onde ingressou na Escola Médico Cirúrgica. Em 1891, apenas com vinte anos, sai diplomado em Ciências Farmacêuticas e casa no ano seguinte, o que o levou a viver para o Seixal, na margem sul do Tejo, instalando uma farmácia na Amora. Dali vai para Barrancos, no Alentejo, onde abre uma segunda farmácia e inicia actividades de natureza politica e cultural.
De regresso ao Seixal, em 1897, abre um laboratório e novas farmácias na Arrantela e na própria vila do Seixal. Embora de início tivesse aderido ao Partido Regenerador, tornou-se depois num republicano assumido. António Louro preocupava-se especialmente com o problema do analfabetismo, o que o levou a criar as chamadas Escolas Móveis e cursos para adultos. Em 1901 escreveu uma Cartilha Nacional e uma Gramática e Fonologia Portuguesa, pelos quais muitos adultos aprenderam a ler e a escrever. A sua preocupação e dedicação para com a instrução pública foram uma constante na sua intervenção social, que se prolongou após a implantação da República e se manteve nas diversas localidades por onde passou.
Escreveu artigos em diversos jornais da época e empenhou-se no movimento associativo, fundando o Montepio dos Operários e participando nas actividades da Sociedade Filarmónica Timbre Seixalense.
A sua farmácia do Seixal era um pólo importante da luta republicana, realizando-se ali reuniões frequentes, em que participaram figuras republicanas proeminentes como Afonso Costa, António José de Almeida, Manuel de Arriaga, Miguel Bombarda, Brito Camacho e Luz de Almeida.
Presidiu à comissão que organizou a primeira Festa da Árvore em Portugal, realizada no Seixal, em 26 de Maio de 1907, na qual participaram centenas de crianças que cantaram hinos à Natureza e plantaram árvores.
António Augusto Louro esteve ligado à proclamação da República no dia 4 de Outubro no Seixal, Almada, Moita e Barreiro, onde aliás a mesma se assumiu um dia antes do que sucedeu em Lisboa e no resto do país.
Ainda antes da Revolução, António Louro ingressou na Maçonaria Portuguesa, onde ganhou notoriedade. Empenhado na expansão do movimento, fundou uma loja maçónica no Seixal, à qual agregou muitos «obreiros» de grande prestígio. Também se assumiu como Carbonário, lutando pelo ideal revolucionário e republicano e defendendo a separação do Estado e da Igreja.
Após a implantação da República António Augusto Louro foi viver para Alcanena, no distrito de Santarém. Em 1912 tomou posse como administrador do concelho de Torres Novas, com o apoio do Partido Republicano, do qual era militante activo. Em 1913 passa a exercer essas mesmas funções no concelho de Coruche, mas mantém a ligação a Torres Novas, onde funda o Centro Republicano Guerra Junqueiro.
Em 1918 lidera um movimento cívico e político em defesa da criação do concelho de Alcanena. A acção teve pleno êxito, sendo logo no ano seguinte criado o novo concelho, tornando-se António Augusto Louro no seu primeiro administrador. Fortemente dedicado a Alcanena, criou aí um corpo de bombeiros voluntários e a Associação de Beneficência e Instrução Autonómica através da qual se fundaria o Hospital de Alcanena. Em 1922 passa a exercer as funções de Conservador do Registo Civil de Alcanena.
Após a implantação da ditadura, em 1926, passa a fazer oposição ao regime. Integra vários movimentos oposicionistas e participa nas actividades do Movimento de Unidade Democrática (MUD) e na campanha eleitoral do general Norton de Matos.
O ilustre sabugalense, republicano convicto e defensor da democracia, António Augusto Louro, faleceu em 1 de Agosto de 1949 em Alcanena.
Em homenagem ao grande defensor da instrução pública foi dado o seu nome à Escola Básica do 2º e 3º Ciclos do Seixal, agora sede de um Agrupamento Escolar. Foi ainda criado o Prémio Dr. António Augusto Louro, para destacar o aproveitamento e o comportamento de alunos, que pelo seu esforço e dedicação, empenho, exercício de cidadania e espírito de solidariedade, merecem ser alvo de distinção pela comunidade escolar.
Também em Alcanena e em Paio Pires (concelho do Seixal) há ruas com o nome António Augusto Louro, em homenagem ao ilustre republicano natural do Sabugal.
Paulo Leitão Batista

Foi o sabugalense José Dias, proprietário do restaurante Adega Típica Quarta-feira, em Évora, que me elucidou acerca da importância de António Augusto Louro, cedendo-me uma cópia de um artigo publicado pelo Grande Oriente Lusitano por ocasião de uma exposição temporária ocorrida no Museu Maçónico Português em 2005, designada «António Augusto Louro – um maçon há cem anos». Foi nesse artigo que colhi elementos para o texto que acima editei.
plb

4 Responses to António Augusto Louro – Republicano do Sabugal

  1. Não é comentário, é um pedido de informação:

    Tem a certeza que António Augusto Louro veio para Barrancos? Não consigo confirmar estes dados, por cá. A atual farmácia de Barrancos tem origem numa família conhecida como Reganha, mas não consta nada sobre António Augusto Louro.

    Pode contactar-me atravé do presente mail.

    cmb.dasc@cm-barrancos.pt

    cpts
    jacinto Saramago
    http://estadodebarrancos.blogspot.pt/

  2. Jose Rodrigues diz:

    O seu filho Jose Elisio Gonçalves Louro nasceu na vila de Barrancos a 20/08/1893 e foi batizado na Igreja paroquial de N.ª S.ª da Conceição da vila de Barrancos a 13/02/1894, o que comprova a sua passagem por Barrancos (assento de batismo on-line).

  3. Jose Rodrigues diz:

    Corrigindo a data do seu nascimento:
    foi a 22/10/1870, na R. da Pontinha (de então), tendo sido batizado a 06/11/1870 na Igreja paroquial de S. João Baptista da vila de Sabugal (assento de batismo on-line) e sendo filho de Antonio Louro (sem o Correia) e Maria Correia (Louro, por casamento a 04/09/1892 na Igreja paroquial da N.ª S.ª da Conceição da vila do Seixal (assento de casamento também on-line).

  4. Jose Rodrigues diz:

    O casamento referido no comentário anterior é o do próprio Dr. Antonio Augusto Louro com a sua esposa Julia Adelaide Gonçalves (Louro, pelo casamento).
    As minhas desculpas pelo engano.

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