Turismo

No Grande Dicionário de Língua Portuguesa encontramos a seguinte definição para a palavra Turismo: «Tendência de quase todos os países civilizados e de economia algo abastada para viajarem através de países naturalmente pitorescos ou que tiveram longa e brilhante história…».

Romeu BispoPodemos encontrar outras definições mas a definição moderna de turista é «um visitante que se desloca voluntariamente para fora da área da sua residência e do seu trabalho por múltiplos interesses, mas sem ter como motivação o lucro».
O turismo encontra-se presente na actividade humana desde a Idade Antiga, na civilização Grega e chegando até à década de 1950 como actividade residual. Após essa data surgiu o boom turístico que se estendeu até 1973; daí para cá o crescimento tem sido contínuo, embora mais lento. Devido ao seu crescimento, actualmente, assume posição relevante na economia global e de alguns países em particular. O primeiro país em número de turistas é a França, mas a nossa vizinha Espanha em 2008 registou 57,3 milhões de visitantes.
Há diversos tipos de turismo que se vêm afirmando pela sua especificidade: Turismo de descanso de praia, neve ou montanha, Turismo cultural, religioso, desportivo, ambiental, rural, cinegético, gastronómico… Podemos concluir que há imensas nomenclaturas para os diversos tipos de turismo.
Embora tomando a classificação do aspecto dominante, este não é estanque e tem sempre interligações com outros tipos de Turismo. Quem se desloca por um determinado motivo tem de se alimentar, hospedar e distrair.
Será que o Concelho de Sabugal tem afirmação possível no Turismo?
Há sempre espaço de afirmação desde que no Concelho apareçam centros de interesse para os diversos tipos de turismo. Numa primeira análise podemos identificar como possíveis o Histórico-Monumental, o Ambiental, o Termal e o Gastronómico.
Temos vindo a assistir, há muitos anos, à defesa do Turismo como indústria possível de ser implementada no Concelho. Os resultados desta visão estratégica é que são diminutos e nem o facto de sermos vizinhos de Espanha nos traz alguma mais-valia.
Pensamos que é possível fazer algo diferente, e exemplos de melhores práticas não faltam: Belmonte vem há alguns anos a afirmar-se na nossa região. É um nome, uma marca que vai ganhando dimensão e expressão a nível nacional e internacional. Belmonte afirma-se pelo Turismo histórico, religioso e cultural; os resultados já são visíveis nos 80.000 visitantes da sua meia dúzia de museus. São muitos os brasileiros que se deslocam a Belmonte para ver o Museu dos Descobrimentos porque está na terra de Pedro Alvares Cabral, o descobridor. O fenómeno judaico tem vindo a ser aproveitado como motivo para o Turismo religioso.
Sabemos que estão atentos a possíveis atracções e por isso não se coíbem de apontar Sortelha como um ponto de interesse para quem visita Belmonte. O Sabugal, por si, não tem feito a ligação de Sortelha ao resto do Concelho, deixa que sejam outros a explorar o motivo e é, possivelmente, esta a razão porque o turista visita Sortelha e volta pelo mesmo caminho, não chegando ao Sabugal.
O nome «Sabugal» ainda não vende, não há nome ou imagem que se afirme. Ainda não se descobriu ou não se quer descobrir a importância dos Castelos de Sabugal, de Alfaiates, de Vilar Maior ou de Vila do Touro. Por vezes até transparece das palavras e da actuação dos responsáveis como que alguma vergonha daquilo que temos e somos. Os turistas ou simples visitantes valorizam demasiado o Castelo de Sabugal, como construção militar ou monumento medieval. Tem um valor simbólico enorme que vai além do que as pessoas que sempre passaram à sua beira imaginam. Porque não qualificá-lo ou qualificá-los de interesse concelhio? – Possivelmente não têm interesse…
Quando afirmo que não sabemos vender o que temos e somos, basta pensar no desencanto com que alguns visitantes recebem aqueles paus em forma de triângulo (forcão) que acabam por ir parar à garagem porque passado algum tempo já nem sabem o que é, quanto mais o que significam. Quando se oferece um forcão a um forasteiro, este tem de levar uma legenda que faça a explicação do fenómeno e do seu significado, sob pena da perda do valor imaterial do objecto.
Um circuito turístico, uma marca, um conceito, necessita de muitos recursos e alguns anos para se afirmar. É tempo de começar a trabalhar na estratégia que leve aos fins pretendidos.
«Memórias do Castelo», opinião de Romeu Bispo

One Response to Turismo

  1. joao Valente diz:

    Subscrevo por baixo.

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