Memórias sobre o Hospital do Sabugal (6)

Dentro dos contributos para a história do Hospital do Sabugal, apresenta-se mais uma transcrição do Bloco de Recordações do Sr. Dr. Francisco Maria Manso que acaba por ser um texto descritivo da Inauguração do Hospital.

Foi obra de muita doação e muito querer principalmente do seu primeiro benemérito porque além do terreno para a construção foi dando outras valiosas contribuições, da Comissão da Misericórdia, da Câmara Municipal, do Sr. Dr. Manso que também colaborou pessoalmente e de todos aqueles que colaboraram directa ou indirectamente. Foi necessário quase uma década para se inaugurar uma obra necessária a todo o Concelho, mas fica demonstrado que a persistência acaba por vencer.

Outubro de 1934«09-10-1938
Acabo de chegar da inauguração do Hospital, ou melhor dito da sessão de abertura.
Presidiu sua Exª. Reverendíssima o Sr. Bispo auxiliar da Guarda – D. João.
Falou em primeiro lugar sua Exª. R.ª, depois o Sr. Dr. Carlos Frazão que fez um belo discurso elogiando a obra do Sr. Pe. Manuel e mostrando as vantagens do Hospital para os doentes pobres. Seguidamente li algumas palavras e referências a este livro. Falou em seguida o Sr. Cónego “Alvaro” que fez uma bela oração ligando a caridade dos hospitais à religião.
O Sr. Bispo declarou finalmente que é costume dizer-se “está encerrada a sessão”, mas que neste caso ele diria que está aberto o hospital e que ele precisa do carinho de todos.
Passou-se à sala das sessões onde a filhita do Sr. José Maria Baltazar descerrou o “retrato” do SR. Pe. Manuel Nabais Caldeira, tendo usado, nesse momento, a palavra o Sr. Dr. César Louro que elogiou calorosamente a acção do Sr. Pe. Manuel.
O Sr. “Abade Fatela” desta vila tomou a palavra e num discurso entusiasta elogiou também a bela acção do Sr. Pe. Manuel, relacionando a formação dos hospitais com a crença religiosa.
Padre Joaquim Nabais CaldeiraOs bombeiros fizeram ouvir o seu Clarim tocando a sentido e o Sr. Pe. Manuel comovidamente agradeceu pronunciando as únicas palavras, belas e inspiradas, que um homem bom de coração pode pronunciar: “Estou velho pouco mais já posso fazer, mas depois da minha morte peço-lhes que olhem por isto”. Estas palavras são um poema de bem e pronunciar mais seria tirar todo o merecimento a quem as pronunciou, pois delas nasce um infinito de pensamentos e de considerações.
Teve lugar a sessão na enfermaria da esquerda que se encontrava inteiramente repleta pela assistência, vendo-se não só as pessoas de mais representação na Vila, mas ainda muito povo principalmente raparigas que volitavam por todos os cantos para satisfazer a sua curiosidade.
As salas estavam limpas e a impressão colhida por todas pareceu boa.
Como estou de serviço este mês procurarei dar início à obra para que foi destinado, tratando o melhor que posso e sei, os doentes que ali forem internados, ainda que provisoriamente pois não se montou a cozinha e apenas fica um enfermeiro para receber algum doente e vir avisar de que é preciso ir ao Hospital. Se forem necessárias dietas ficou determinado pela “Comissão” encomendar essas dietas em qualquer das pensões, enquanto a enfermagem pelas Irmãs da Caridade se não fizer.»
Romeu Bispo
(Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal)

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