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Cortejo de Oferendas em 1947 – Rendo

De regresso ao Cortejo de Oferendas de 1947, a favor do Hospital do Sabugal, temos hoje a representação da freguesia de Rendo.

Cortejo de Oferendas

Joao Aristides DuarteA freguesia apresenta um Rancho de rapazes e raparigas, que estão a dançar. Ao centro encontram-se um acordeonista, um tocador de ferrinhos e um tocador de pandeireta. Há, também, um senhor que transporta a placa com o nome da freguesia.
Todos os rapazes de Rendo se apresentam com um lenço ao pescoço, de várias tonalidades. Também usam, todos eles, uma boina tipo basco.
Já as raparigas se apresentam vestidas (parece-me) à moda da época e não com as roupas tradicionais nos Ranchos Folclóricos portugueses, que, normalmente, são de épocas mais antigas.
Todos os elementos do Rancho dançam à volta dos «tocadores».
A «molhe» humana, neste local do Cortejo de oferendas é imensa. Há pouco espaço livre para os participantes de Rendo poderem executar as suas danças. Pela fotografia apercebe-se que a multidão estava atentíssima à participação de Rendo, neste Cortejo de Oferendas.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

Atum junta Confrarias em Vila Real Santo António

A convite da Confraria do Atum de Vila Real de Santo António reuniram-se no sábado, 21 de Novembro, na cidade fronteiriça do levante algarvio 13 confrarias gastronómicas de todo o País. Após ter sido entronizado confrade de honra o presidente do município local, Luís Gomes, aproveitou para divulgar que vai ser criado um núcleo museológico onde o atum será rei. A Confraria do Bucho Raiano do Sabugal marcou presença nas festividades do I Capítulo dos confrades do atum.

Foto das Confrarias em Vila Real de Santo António

A viagem de automóvel até ao Algarve foi longa e molhada. A deslocação teve como objectivo representar a Confraria do Bucho Raiano na jornada de apadrinhamento da recém-constituída Confraria do Atum de Vila Real de Santo António.
Os membros das 13 confrarias convidadas concentraram-se na Praça Marquês de Pombal, sala de visitas da cidade desenhada com ruas perpendiculares e casas de dois pisos pelo secretário de Estado do Reino do Rei D. José I.
Antes do desfile dos confrades trajados a rigor pelo centro urbano até ao Centro Cultural António Aleixo os participantes foram presenteados com uma prova de vinhos e degustação de queijos algarvios numa enorme tenda branca montada no meio da praça.
Após a recepção e as boas-vindas a todos os participantes as confrarias desfilaram pelas principais artérias do centro da cidade até ao Centro Cultural António Aleixo
O protocolo da entronização teve lugar no Centro Cultural António Aleixo e foi antecedido de um prelúdio musical interpretado pelo pianista Osvaldo Azul. O pároco local deu início à cerimónia com a benção das insígnias dos novos confrades.
Após a entronizado como «confrade honorário» o presidente do município local, Luís Gomes, revelou durante o seu discurso que tinha sido dado o primeiro passo para transformar a cidade na capital do atum e conquistar novos visitantes pelo paladar. O executivo camarário tinha assinado – momentos antes – um protocolo que prevê o lançamento de um concurso público para iniciar no primeiro semestre de 2010 as obras do núcleo museológico dedicado ao atum.
Os representantes das confrarias madrinhas – Gastrónomos do Algarve e da Chanfana de Vila Nova de Poiares – discursaram na cerimónia do I Capítulo da Confraria do Atum onde estiveram representadas a Confraria do Bucho Raiano do Sabugal, dos Gastrónomos do Algarve, de Baccus, da Chafana, do Melão de Almeirim, do Velhote, da Lampreia de Penacova, do Bacalhau, do Azeite do Fundão e do Queijo da Serra da Estrela e do Queijo da Ilha de São Jorge.
A ementa do jantar incluiu alguns pratos exótico ou pouco habituais. As entradas tinham Muxama de Atum, Estupeta de Atum, Troncos de Atum com sementes de sésamo e Salada de Atum com couscous. Como pratos principais foram confeccionados Orelha de Atum, Feijoada de Atum, Bifinhos de Atum à Portuguesa e Bifinhos de Atum à Vila Real de Santo António. As sobremesas dividiram-se entre salada de frutas e… gelado de atum.
Segundo o Presidente da Confraria do Atum, Luís Camarada, a jornada teve como objectivos a promoção do atum e da cidade e a conquista para Vila Real de Santo António do título de «capital gastronómica do atum».
Recorde-se que a Confraria do Atum – criada em Outubro de 2008 – já realizou diversas actividades, entre as quais uma Estupeta Gigante e, em Maio de 2009, o I Congresso do Atum que decorreu em Vila Real de Santo António.

O Capeia Arraiana aproveitou para estar à fala com o presidente da Confraria do Atum, Luís Camarada. A entrevista com o principal dinamizador da promoção do atum algarvio vai ser publicada na próxima quarta-feira.
jcl

I Capítulo da Confraria do Atum (2)

GALERIA DE IMAGENS – 21-11-2009
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

I Capítulo da Confraria do Atum (1)

GALERIA DE IMAGENS – 21-11-2009
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

Confraria do Atum defende tradições

Em Vila Real de Santo António já chegaram a laborar 30 fábricas de conserva e transformação de atum. Agora resta apenas uma e a Confraria do Atum quer conservar e defender as tradições do levante algarvio.

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jcl

Evolução dos itinerários da capital ao Sabugal (2)

A A23, popularmente conhecida como a Auto-estrada da Beira Interior, passa pelos distritos de Santarém, Portalegre e pelas cidades da Beira Baixa, Castelo Branco, Fundão e Covilhã. Do troço de Castelo Branco à Guarda, existem treze variantes às cidades, vilas e povoações da Beira Baixa e nenhuma na Beira Alta, a não ser no seu terminus no nó com a A25, na Guarda. A bem da verdade deveria ser conhecida como a auto-estrada da Beira Interior Sul.

José MorgadoAssim, tem três variantes à cidade de Castelo Branco (Castelo Branco – Sul – Benquerenças com ligação à N3; Castelo Branco – Oeste com ligação à N233; Castelo Branco – Norte com ligação à N3) a Alcains (N352), a Lardosa (N18), a Soalheira (N18) ao Fundão (Fundão/Sul; Fundão/Norte Zona Industrial; Fund. /Sul Zona Industrial com ligação N18), à Covilhã (Covilhã/Sul; Covilhã/Norte), a Caria (com ligação à Nacional 18-3), a Belmonte (com ligação à R571), à Benespera (com ligação à N18).
A mais de dez anos após a sua construção, esta auto-estrada, permitiu elevar os índices de desenvolvimento económico das cidades que a ela têm acessos de qualidade, mas o mesmo não se passa em relação aos concelhos e povoações limítrofes onde continua a verificar-se acréscimos preocupantes de desertificação e envelhecimento da população.
Está prevista uma via «estruturante» que é fundamental para o concelho do Sabugal, que segundo os responsáveis começa dois quilómetros antes de Vale Mourisco, a partir da estrada de ligação à Guarda, passa no Alto de Penalobo, segue pela Quinta da Ribeira (Bendada), até ao limite do concelho, terminando na zona de Maçainhas (Penamacor).
Os comentários de Virgílio Janela e Jorge Clemente ao último artigo é um óptimo ponto de partida para debater o tema e espera-se que pessoas mais habilitadas e informadas do assunto, dêem o seu contributo.
Segundo as estatísticas do Eurostat do início de 2008, Portugal tinha 2613 quilómetros de auto-estrada; sexto país da EU com maior extensão; 244 metros por cada português.
Com as novas concessões se forem avante, o país vai continuar a subir nas tabelas e a assumir cada vez mais o seu gosto pelas auto-estradas, passando a ter mais de 3000 quilómetros destas vias, onde os carros podem circular até 120 Kms/hora, ficando Portugal como o segundo país com mais metros de auto-estradas por habitante e o quinto em termos de densidade geográfica. As últimas seis concessões (Douro Interior, Transmontana, Baixo Tejo, Baixo Alentejo, Litoral Oeste e Algarve Litoral, com um custo inicial de 2790 milhões de euros, sofreram uma derrapagem (na adjudicação) de 1110 milhões de euros.
O Tribunal de Contas já recusou o Visto à da Douro Interior e à Transmontana, curiosamente as que menos contribuem para a derrapagem – 120 e 177 milhões de euros – , respectivamente.
Os montantes das derrapagens davam para construir «N» variantes das auto-estradas existentes para as zonas mais interiores do país, contribuindo para o acesso e desenvolvimento, destas áreas esquecidas.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Formação profissional em hidrobalneoterapia

Estão abertas as inscrições para um curso de formação profissional em Hidrobalneoterapia orientado pelo Cinágua nas Termas do Cró, no Sabugal e nas Termas da Fonte Santa de Almeida.

CináguaTem início a 4 de Janeiro de 2010 uma acção de formação profissional para técnicos de hidrobalneoterapia e de hidroterapia ministrado pelo Cinágua – Centro de Formação Profissional para a Indústria do Engarrafamento de Águas e Termalismo em parceria com as Câmaras Municipais do Sabugal e de Almeida.
O curso de formação nível 3 com a duração de 1566 horas decorre durante 11 meses e tem como destinatários jovens com idades entre os 18 e os 23 anos com o ensino secundário completo (12.º ano) mas sem qualquer qualificação profissional.
Os formandos com aproveitamento ficam habitados com uma qualificação profissional que lhe dará acesso a candidaturas de trabalho em estâncias termais, clínicas de fisioterapia e SPA’s.
As aulas de formação terão lugar nas Termas do Cró, no Sabugal e nas Termas da Fonte Santa em Almeida.
Para mais esclarecimentos e inscrições devem ser contactados os serviços de apoio da Cinágua (tel. 213874405) e da Câmara Municipal do Sabugal (tel. 271752230).
fr

Agostinho da Silva com estátua em Barca d’Alva

Agostinho da Silva está perpetuado em Barca d’Alva com monumento do escultor Eugénio Macedo. Uma excelente iniciativa do Município de Figueira de Castelo Rodrigo. O monumento ainda não foi inaugurado mas já se encontra no local escolhido.

Agostinho da Silva - Eugénio MacedoO escultor Eugénio Macedo acabou de implantar em Barca D´Alva o monumento ao filósofo, ensaísta e escritor Agostinho da Silva.
A iniciativa foi do Município de Figueira de Castelo Rodrigo, que assim presta uma digna homenagem a Agostinho da Silva, um dos mais insignes e representativos filhos da região.
Trata-se de uma escultura da figura de Agostinho da Silva, sentado num banco, em tamanho natural, com vários tipos de granito e que se enquadra, de forma muito feliz, no anfiteatro ao ar livre, do cais do porto fluvial de Barca D´Alva, onde ficará a receber e a dar as boas-vindas aos inúmeros turistas e passantes que ali confluem. Permitindo-lhes que se sentem e descansem ao lado do grande filósofo, fonte inspiradora para meditar em tão bela paisagem ou, se não for esse o caso, apenas para tirar uma fotografia ao seu lado e levar como recordação.
É mais uma obra, de excelente qualidade artística, do escultor e artista multifaceado Eugénio Macedo, que se revela, desde já, mais um exlibris de Barca D´Alva.
José Manuel de Aguiar

Confraria do Azeite entroniza Paulo Portas

A Confraria do Azeite marcou para o próximo dia 12 de Dezembro, na Covilhã, a cerimónia do VI Capítulo que inclui a entronização de novos confrades e onde se incluem, entre outros, o presidente do Partido Popular, Paulo Portas.

Confraria do AzeiteEntre os novos confrades, provenientes de áreas como a saúde, desportos motorizados, tauromaquia, hotelaria, universidades, empresas e comunicação, contam-se o presidente do Partido Popular, Paulo Portas, o Governador Civil de Viseu, Miguel Machado e o embaixador português em Inglaterra, José Gregório Faria.
A Confraria do Azeite – Cova da Beira, criada em 2004 e sedeada no Fundão, tem por objectivo contribuir para a defesa, prestígio, valorização, promoção e consolidação da qualidade do azeite português, nomeadamente o que se produz na Cova da Beira, concelhos de Fundão, Belmonte e Penamacor.
Consciente da transversalidade e versatilidade do azeite, produto oriundo de muitas regiões de Portugal, a área de acção da Confraria visa, assim, ter um âmbito nacional.
Considerado um dos melhores a nível mundial, o azeite português tem, na Confraria, aquele que é, talvez, o seu principal defensor e promotor institucional e o agente que mais tem pugnado pela imposição do azeite nacional como produto decisivo para a economia como para o equilíbrio da saúde.
Perante a crescente importância económica, social e ecológica da cultura da oliveira, foi considerado fundamental, pelos olivicultores da região da Cova da Beira, a criação da Confraria do Azeite com o objectivo claro de consolidar o azeite e a azeitona de mesa produzidos na região.
jcl

O caldo e as favas de Eça de Queirós

Nenhum escritor português ganha a Eça de Queirós nas referências à nossa cultura gastronómica. Os seus fascinantes textos em prosa abordam recorrentemente a importância do alimento na cultura humana. O comer e o beber são facetas da vida social a que Eça dá presença. Na ficção como nos textos jornalísticos, e mesmo na correspondência, encontramos sucessivos louvores à nossa gastronomia tradicional.

a cidade e as serrasO creme queimado de «A Cidade e as Serras», a sopa juliana e a cabidela de «O Crime do Padre Amaro», o bacalhau com pimentos e grão-de-bico do «Fradique Mendes: Memórias e Notas», a sopa seca e os ovos com chouriço de «A Ilustre Casa de Ramires», são referências obrigatórias para qualquer compilação das receitas literárias queirosianas.
Mas nenhuma das ementas retiradas dos seus livros chega, em estilo e em grandeza, às receitas do caldo de fígado e moelas e do arroz de favas, vertidas nas páginas de «A Cidade e as Serras». É de um enquadramento deslumbrante.
O fidalgo Jacinto chega do luxo de Paris para visitar a sua quinta em Portugal, que mandara sujeitar a obras. Rodeado de confortos, viajou de comboio e aportou na estação de Tormes, onde, inesperadamente, ficou despojado das bagagens, que não chegaram a ser descarregadas, apenas com a companhia do amigo e confidente Zé Fernandes (o narrador), que com ele viajara. Outros desacertos os impediram de se alojarem no solar e, desesperados, acabam por ser conduzidos à pobre mas remediada habitação do caseiro da quinta, o Melchior, que abnegadamente os alimentou e acomodou.
A fome imperava quando os caseiros os levaram à mesa, no meio da maior das humildades, fazendo o melhor pelo fidalgo. Zé Fernandes temeu o pior: aquela alma não estava habituada a outra coisa que não fosse a requintada comida parisiense, rodeada de asseios e aparências, que ali faltavam. A franqueza era muita e louvável, mas a carência e a simplicidade da casa popular portuguesa não deixavam qualquer esperança. O Jacinto sucumbiria à falta dos luxos e dos sabores divinais a que estava habituado. Mas puro engano. A cozinha tradicional portuguesa fez o milagre.
«Uma formidável moça, de enormes peitos que lhe tremiam dentro das ramagens do lenço cruzado, ainda suada e esbraseada do calor da lareira, entrou esmagando o soalho, com uma terrina a fumegar. E o Melchior, que seguia erguendo a infusa do vinho, esperava que suas Incelências lhe perdoassem porque faltara tempo para o caldinho apurar… Jacinto ocupou a sede ancestral – e durante momentos (de esgazeada ansiedade para o caseiro excelente) esfregou energicamente, com a ponta da toalha, o garfo negro e a fusca colher de estanho. Depois, desconfiado, provou o caldo, que era de galinha e recendia. Provou – e levantou para mim, seu camarada de misérias, uns olhos que brilharam, surpreendidos. Tornou a sorver uma colherada mais cheia, mais considerada. E sorriu, com espanto: – “Está bom!”
Estava precioso: tinha fígado e tinha moela; o seu perfume enternecia; três vezes, fervorosamente, ataquei aquele caldo.
– Também lá volto! – exclamava Jacinto com uma convicção imensa. – É que estou com uma fome… Santo Deus! Há anos que não sinto esta fome.
Foi ele que rapou avaramente a sopeira. E já espreitava a porta, esperando a portadora dos pitéus, a rija moça de peitos trementes, que enfim surgiu, mais esbraseada, abalando o sobrado – e pousou sobre a mesa uma travessa a transbordar de arroz com favas. Que desconsolo! Jacinto, em Paris, sempre abominava favas!… Tentou todavia uma garfada tímida – e de novo aqueles seus olhos, que o pessimismo enevoara, luziram, procurando os meus. Outra larga garfada, concentrada, com uma lentidão de frade que se regala. Depois um brado:
– Óptimo!… Ah, destas favas, sim! Ó que fava! Que delícia!»
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

Ao forcão rapazes!

Depois da poeira da batalha eleitoral, é preciso que cada um, entre vencedores e vencidos, saiba encontrar o seu papel, na tradução exacta do mandato que lhe foi confiado pelos votos dos eleitores. Uns e outros, embora de forma diversa, assumiram compromissos e responsabilidades perante os sabugalenses e estes esperam que os seus eleitos estejam à altura de tais desafios.

Câmara Municipal do Sabugal

António Cabanas - «Terras do Lince»Desde o meu ingresso no Instituto de Conservação da Natureza e na Reserva da Malcata, já lá vão mais de 20 anos, tornei-me um amante do Sabugal, da sua riqueza histórica e cultural, das suas especificidades, das suas belezas naturais e, obviamente, das suas gentes. Fui descobrindo, confesso até com alguma inveja, as imensas potencialidades deste enorme município raiano. Alguém, nessa altura, já nem me lembro quem, ofereceu-me uma cópia do «Maria Mim», que estava esgotado, e li um dos exemplares das «Caçadas aos Javalis na Serra da Malcata» que havia na pequena biblioteca da Reserva. Daí para cá descobri, entre outros interessantes comunicadores, esse fascinante escritor, que dá pelo nome de Leal Freire. Tenho adquirido, lido e coleccionado todos os livros do Sabugal, as suas monografias, os estudos, os livros de poesia e romance. E que Rica surpresa ao ler «Celestina», onde encontrei referências ao carlo-miguelista penamacorense Francisco Pina Ferraz!
Apesar do meu feitio, ríspido, tenho granjeado bons amigos nas terras de Riba Côa, na actividade política e profissional, nos convívios gastronómicos, nas actividades de lazer, e, claro, nas inevitáveis capeias. Conheço e sou amigo dos presidentes de câmara e vereadores, permanentes e da «senha», que têm passado pelo Município. Tenho amigos na esquerda e na direita, numa e na outra margem desse belo rio Cuda, acerca do qual o professor Zé Manel lembrava, cheio de oportunidade, que nenhum rio teria foz se não tivesse nascente.
Remato, afirmando que se não fosse natural de onde sou, da Princesa da Cova da Beira, só gostaria de ser de Riba Côa. E dito isto, já se entende onde quero chegar. É que tinha prometido a mim mesmo não escrever uma linha que fosse sobre a política local sabugalense. E se não resisto à tentação de transigir nesta minha promessa, há apenas dois motivos: a actual situação política sem paralelo nas terras transcudanas e a estima que me merecem os seus protagonistas.
Tenho acompanhado o aceso debate político sobre a gestão dos assuntos autárquicos sabugalenses e as recentes posturas dos grupos eleitos, como acompanhei, com interesse a campanha eleitoral, desde o anúncio dos primeiros nomes e a feitura de listas, até ao rescaldo eleitoral. Pelas razões que se entendem, sempre recusei os vários convites dos contendores para intervir neste ou naquele evento que pusesse em causa o meu distanciamento. Mas só nesses.
Na última «Capeia das Capeias», em Aldeia da Ponte, lá estive, entre amigos, ao sol tórrido do Verão, misturado nas conversas tauromáquicas de emigrantes e espanhóis, alguns deles também amigos. Mas a conversa mais absorvente não era sequer em redor dos toiros, mas sim das eleições. Noutros territórios vizinhos, fizera-se uma pausa, uma trégua, foi-se a banhos e esperou-se pela rentrée para se voltar à luta pura e dura da política. No Sabugal, não! Ninguém quis tirar férias, a luta ficou até mais encarniçada, havia um ar pesado que ameaçava borrasca, marcava-se à zona, homem ao homem, taco a taco. No apinhado bar da praça, espaço de homens, juntavam-se os candidatos, sempre rodeados pelos seus mais próximos colaboradores e por candidatos às Juntas de Freguesia. Pagavam-se rodadas e mais rodadas de cerveja. Mas a espuma que pairava no ar, não era a da cerveja dos muitos copos que se bebiam ou dos que ficavam cheios, rejeitados em cima do balcão, era outra a espuma, era outro o éter que as conversas destilavam, entre meias palavras e entre grupos que se faziam e desfaziam, no leva e traz de quem vai despejar a bexiga. Sentia-se que a coisa estava dividida! No meio da confusão de quem apoia a quem, pressentia-se que o PSD estava mais fragilizado do que habitualmente e que o Partido da Terra viera baralhar as contas a uns e outros. Uma incógnita das grandes!
Contados os votos, o povo, mais esclarecido, ou mais alienado, disse o que queria. Se não o disse claramente, foi porque não o quis dizer, o que também quer dizer alguma coisa. Expressou a sua vontade e cada um ficou com um pedaço da manta que, como sempre, não estica: ou tapa os pés ou a cabeça.
Terão agora os eleitos que entender o que o eleitorado disse nas entrelinhas.
Confesso que tenho assistido com alguma expectativa à catadupa de acontecimentos em redor da acomodação no poder. Tranquiliza-me a convicção que tenho de que, apesar da poeira que ainda paira no ar, das feridas por sarar e das diatribes da campanha que alguns tardarão em esquecer, «maioria» e oposição saberão ultrapassá-las com elevação, com sentido da causa pública e do interesse municipal. É assim que sempre procedem as sociedades civicamente evoluídas.
Bem sei que já há quem se posicione para daqui a 4 anos, mas ninguém pense que ganhará o que quer que seja com jogadas precipitadas ou irreflectidas, a tanto tempo de distância. Ganhará, isso sim, quem for mais forte e mais inteligente, atributos que se demonstram na prática da acção política, nas opções e posições assumidas e quantas vezes na recusa da pressão dos aparelhos partidários e dos interesses particulares.
Quem ganha sem maioria terá que ter a humildade de dialogar, chegar a entendimentos duradouros, sob pena de não conseguir garantir a governabilidade e se fragilizar ainda mais. Mesmo quando se ganha com maioria há que ser magnânimo e respeitar as oposições.
Quem perde tem também que assumir as suas responsabilidades. Não há vitórias morais: ganha-se ou perde-se. E quem perde não pode querer o poder para si.
Quem ganha sem maioria sabe o que o espera: que a oposição, se quiser, pode emperrar o exercício do poder. E uma situação pantanosa que perdure será prejudicial ao Sabugal, numa altura do quadro comunitário em que todas as energias devem estar concentradas no desenvolvimento de novos projectos. Um presidente e uma câmara que desperdicem o tempo e as energias a resolver os litígios do poder, dificilmente poderão ter um bom desempenho. Por certo que os sabugalenses não querem que isso aconteça, desejarão antes que a sua câmara os governe com justiça e saber e esteja na primeira linha do combate aos muitos problemas com que o Sabugal, como todo o interior, se debatem.
Não haverá outro caminho, e braços de ferro dão quase sempre mau resultado, designadamente para quem os levanta.
Sempre admirei a forma raçuda como o raiano sabugalense encara a vida do dia e dia e as suas dificuldades. Mais admiro o seu orgulho e a defesa que faz das tais especificidades. Como dizia há dias o Antoine das trutas: isto é como ao forcão, temos que lhe pegar todos juntos!
Ao forcão rapazes!
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

Concelho do Sabugal com baixo poder de compra

Os dados divulgados agora pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos a 2007, indicam que o Sabugal é dos concelhos do país com mais baixo poder de compra, apresentando um Indicador per Capita (IpC) de apenas 51,47.

Na Beira Interior Norte, NUT onde o Sabugal se inclui, apenas a Mêda tem menor indicador per capita (49,19) do que o do Sabugal. A Guarda é o concelho melhor colocado no índice (91,70), seguido Almeida (72,9), Pinhel (58,71), Manteigas (58,49), Trancoso (57,32), Celorico da Beira (55,72) e Figueira de Castelo Rodrigo (54,8).
O Sabugal representa 0,055 por cento do poder de compra nacional e a Beira interior Norte, como um todo, contribui por sua vez com 0,735 por cento.
O IpC pretende traduzir o poder de compra manifestado quotidianamente, em termos per capita, nos diferentes municípios ou regiões, tendo por referência o valor nacional (100).
Em 2007, dos 308 municípios portugueses, 39 superavam o poder de compra per capita médio nacional. Os valores de IpC mais elevados verificam-se nos territórios metropolitanos de Lisboa e do Porto. O município de Lisboa apresenta o IpC mais elevado (235,7), mais do que duplicando o índice nacional, e nas 15 primeiras posições correspondentes a um IpC superior a 120, encontram-se mais cinco municípios da área metropolitana de Lisboa: Oeiras (173,0), Cascais (155,7), Alcochete (144,8), Montijo (137,6) e Almada (121,4). No território metropolitano de Porto, destacam-se os municípios do Porto (170,5), de São João da Madeira (131,7) e de Matosinhos (127,9).
Além dos territórios metropolitanos, também os municípios correspondentes a algumas capitais de distrito revelam, um poder de compra per capita superior à média nacional, destacando-se Faro (141,6), Coimbra (139,1) e Aveiro (134,0). Mereciam, ainda, destaque o Porto Santo (139,9) e o Funchal (135,4), na Região Autónoma da Madeira, e Sines (127,6), no Alentejo Litoral
No referente a agregados regionais, as regiões de Lisboa e do Algarve registam em 2007 os IpC mais elevados do território nacional.
Entre as regiões que ficam aquém da média nacional, destaque para o Norte e Centro do país, onde surgem diversos municípios com um IpC inferior a metade da média nacional.
plb

Estrelinha no céu da Biblioteca Eduardo Lourenço

No dia 21 de Novembro, na Biblioteca Eduardo Lourenço, na Guarda, realizou-se o lançamento do livro «Oh Mãe… conta lá a história de quando eu era uma estrelinha no céu!»

Carla Freire e Cláudia Quelhas«Este livro é um início de vida. A Joana, sua personagem central, acabou de nascer com ele. Também aqui, tal como acontece nos filmes, a personagem cresce em segundos, ao virar da página. A Joana, num só livro passou de um pontinho brilhante no céu a uma menina de vestido, tranças soltas e sapatos mágicos. Mas a Joana tem ainda muito para vos contar, noutras histórias de pé-de-orelha. Não que as orelhas tenham pés, mas movimentam-se, tal como eles, em direcção às coisas que lhes suscitam um certo encantamento, uma certa ilusão de que ali encontrarão um sentido para a vida. Que nesta e noutras histórias que aí vêm, as orelhinhas de todos vocês possam descobrir e ouvir tudo aquilo que a Joana tem guardado entre as tranças. Que ela vos ajude a crescer no maravilhoso mundo da leitura…»

O livro «Oh Mãe…conta lá a história de quando eu era uma estrelinha no céu!» escrito por Carla Freire, advogada, e ilustrado por Cláudia Quelhas, arquitecta, apareceu ao público, numa sala repleta de gente e de calor humano.
As palavras proferidas pelas duas autoras transmitiram a enorme alegria de estarem rodeadas por tanta gente amiga e pelo carinho sempre sincero das crianças presentes em grande número.
A Editora Artez – medicina e arte, representada na mesa por Diogo Cabrita, falou neste momento tão emotivo para todos e que este será o primeiro de muitos que completarão uma colecção dedicada à vivência de uma menina sensível e tão humana que existe na vida real.
A «Casa do Castelo» do Sabugal foi convidada a participar na elaboração dos elementos decorativos (alfinetes de peito) que ilustravam a «lapela» das autoras do livro, Joaninhas… fazendo, neste caso, parceria com uma menina tão especial… a Joana, filha da autora e personagem da história do livro.
Natália Bispo

Junta de Freguesia do Sabugal oferece teatro

Nesta época de Natal que já se respira, a Junta de Freguesia de Sabugal, vai oferecer a todos os interessados, uma peça de Teatro, que terá lugar na salão da Junta de Freguesia no próximo dia 4 de Dezembro pelas 20 horas.

A peça é levada à cena pela Companhia de Teatro «Os Bobos e a Corte» e baseia-se no maravilhoso conto de Charles Dickens, intitulado «O Natal do Sr. Scrooge».
Scrooge é um velho sovina cuja obsessão pelo sucesso financeiro o deixou azedo e sozinho na sua velhice. Mas numa véspera de Natal, Ebenezer Scrooge tem a maior lição que alguma vez podia imaginar, quando os espíritos do Natal do Passado, Presente e do Futuro lhe fazem uma visita, levando-o numa viagem fantástica através da sua vida, que lhe vai abrir o coração para algo muito mais poderoso que o dinheiro: O Amor, os Amigos e a Família.
O maravilhoso conto de Natal de Charles Dickens foi adaptado pelo Teatro Os Bobos e a Corte para um espectáculo fantástico para todas as idades, com especial atenção à Infância e juventude.
Os actores são Luciano Nobre, Marco Esteves e Sofia de Sousa. A adaptação do conto e a encenação são de Marco Esteves.
A Companhia teatral Os Bobos da Corte, vem dia 4 de Dezembro da Amadora ao Sabugal, para proporcionar a miúdos e graúdos momentos de boa disposição e de muito humor. A entrada é livre.
plb

Coppola a preto e branco

Francis Ford Coppola está de regresso, dois anos após ter apresentado «Uma Segunda Juventude». Desta vez o realizador de «O Padrinho» brinda-nos com «Tetro», uma grande obra a preto e branco passada na Argentina e com Vincent Gallo e o jovem Alden Ehrenreich.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«Tetro» é uma história de família e as suas rivalidades que resultam da presença de um pai que é uma figura muito forte. Filmado em Buenos Aires, a preto e branco, «Tetro» conta a história de um jovem de 18 anos, Bennie (Alden Ehrenreich a lembrar os primórdios de Leonardo Di Caprio, até na própria fisionomia), que chega à capital argentina para rever o irmão. O irmão é precisamente o Tetro (Vincent Gallo) que dá nome ao filme. Tetro saiu de casa, onde vivia sufocado pela figura do pai, um maestro de renome que sugava a vida de todos à sua volta, incluindo a família.
Mas é na relação entre os dois irmãos que tudo se passa. A saída de casa de Tetro teve como objectivo escrever. E foi através da escrita que resolveu contar a história da sua vida e da sua família, uma vez mais com a figura do pai no centro. Estes textos nunca são publicados, mas a chegada de Bennie, que quer também saber a sua história que ninguém lhe conta, vai mudar tudo, quando este descobre o manuscrito original.
TetroUma das principais características deste «Tetro» é a utilização do preto e branco. A cor só aparece quando há flashbacks do passado, com pequenos episódios da vida da família Tetrocini no passado, e em cenas de uma peça baseada nos textos de Tetro. E em ambos os casos as cores são demasiado expressivas.
Além desta utilização do preto e branco há outra grande presença em «Tetro»: as luzes e os espelhos. No primeiro caso há um jogo de luzes que vai percorrendo todo filme, em cenas específicas. Não é por acaso que Tetro é especialista em iluminação num teatro. Já os espelhos também têm uma grande força. É o grande espelho na casa de Tetro que mostra o que nós não podemos ver no enquadramento e são também espelhos que ajudam Bennie a decifrar os textos do irmão.
Por fim uma nota para a interpretação de Alden Ehrenreich, um bom achado de Francis Ford Coppola, pois penso que o jovem tem um enorme potencial e ainda pode evoluir bastante, pois este é apenas o seu segundo papel no cinema depois de algumas participações em séries televisivas. Ao ver Tetro fez-me lembrar o Leonardo DiCaprio na sua fase antes de «Titanic». Se continuar assim, prevê-se um futuro brilhante.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Corrupção

Quando a sociedade portuguesa se vê novamente confrontada com «faces ocultas» relativas a faces bens conhecidas de altos dirigentes públicos e políticos importa falar sobre a ética na gestão pública. Sem pretender analisar o conceito de Ética, todos concordamos que o conceito traduz, a forma como aceitamos e definimos o bem e o mal o certo e o errado, o justo ou o injusto. A Ética avalia assim os costumes, aceita-os ou recusa-os e elege as acções sociais moralmente válidas ou reprováveis. Sendo assim, os comportamentos eticamente aceitáveis ou reprováveis, variam ao longo do tempo e do lugar.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Na sociedade em que vivemos a apropriação ilegítima da coisa pública, ou seja o uso ilegal dos poderes da Administração Pública ou Organismos equiparados, com o objectivo de obter vantagens pessoais – Corrupção – ainda é, e digo ainda é porque podemos correr o risco de o deixar de ser, eticamente condenável. É condenável porque a sua prática põe em causa não só a qualidade da democracia como o desenvolvimento económico e social. O último relatório da ONU indica que a corrupção política tem, em todo o mundo, uma factura de 1 bilião de euros todos os anos. Sendo que a maior parte do dinheiro é perdido em bens públicos e na lavagem de dinheiro.
Quanto valerá em Portugal este prática? Qual a sua dimensão? Quais as consequências para quem a pratica?
Estas perguntas necessitam respostas e os casos vindos à opinião pública precisam de um desfecho convincente, de modo a que todos possamos acreditar na Justiça. Começa a ser credível a opinião de que existe sempre violação do segredo de justiça em processos cujo desfecho é duvidoso, permitindo assim que os alegados corruptos possam ter uma espécie de condenação social.
A este propósito é bom chamar a atenção para o facto de terminar no final do ano o prazo para que todas as entidades públicas aprovem «Planos de Gestão de Riscos de Corrupção e Infracções Conexas», que devem conter, nomeadamente, os seguintes elementos:
a) Identificação, relativamente a cada área ou departamento, dos riscos de corrupção e infracções conexas;
b) Com base na identificação dos riscos, identificação das medidas adoptadas que previnam a sua ocorrência (por exemplo, mecanismos de controlo interno, segregação de funções, definição prévia de critérios gerais e abstractos, designadamente na concessão de benefícios públicos e no recurso a especialistas externos, nomeação de júris diferenciados para cada concurso, programação de acções de formação adequada, etc.);
c) Definição e identificação dos vários responsáveis envolvidos na gestão do plano, sob a direcção do órgão dirigente máximo;
d) Elaboração anual de um relatório sobre a execução do plano.
A recomendação da elaboração destes planos foi do Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC), criado pela Lei n.º 54/2008, de 4 de Setembro, como uma entidade administrativa independente, que funciona junto do Tribunal de Contas, e desenvolve uma actividade de âmbito nacional no domínio da prevenção da corrupção e infracções conexas.
Virão estes planos colmatar a falta de coragem política, ou o desinteresse do partido no poder em aprovar medidas anti – corrupção, há muito necessárias e pedidas inclusive por antigos dirigentes socialistas, como é o caso de João Cravinho?
Sabemos que o programa de Governo nesta matéria somente refere no Capitulo VII – Justiça, Segurança e Qualidade da Democracia, que para além do reforço dos meios afectos ao combate da corrupção (não dizendo quais e quantos), importa criar nos serviços públicos códigos de conduta e medidas de prevenção de riscos de corrupção.
Serão então estes Planos a concretização do programa de governo, nesta matéria? Se sim, será muito pouco. Parece-me pela forma como estão a ser elaborados, onde o estão a ser, os Planos responderem a uma mera obrigatoriedade legal e nada mais.
Mas, digamos também que não é só com a simples elaboração de Planos ou Códigos de Conduta que se combate a corrupção. Eles são importantes para sensibilização de todas as estruturas públicas dos riscos associados à sua actividade e como forma de relembrar os 10 princípios enunciados na Carta Ética da Administração Pública.
A corrupção combate-se essencialmente com um Ministério Público forte e independente, uma Policia judiciária com meios humanos, financeiros e técnicos capaz de investigar, uma justiça célere e eficaz.
Contudo, aguardemos a aprovação e divulgação desses Planos.
Como Sabugalense aguardo pelo Plano da Câmara Municipal do Sabugal.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Santa Catarina – Festa com tradição

25 de Novembro é, liturgicamente, o dia de Santa Catarina de Alexandria. Esta cidade sempre desempenhou um papel privilegiado na história da humanidade, tornando-se uma proeminente metrópole cultural, intelectual e económica, cujos restos ainda hoje são encontrados nas suas ruínas e registos históricos.

Santa Catarina - RebolosaAqui, segundo alguns dados históricos, outros lendários, Santa Catarina nasceu de uma família nobre e estudou muito. Quando tinha apenas dezoito anos, apresentou-se ao imperador Maximus, que fazia uma violenta perseguição aos cristãos sob acusação de culto a falsos deuses.
Chocado com a audácia da jovem, mas incapaz de responder aos seus argumentos, Maximus reuniu vários sábios com o objectivo de fazer Catarina abandonar a sua fé. Mas ela sempre terminava vitoriosa os debates e graças à sua eloquência chegou a converter ao cristianismo alguns dos seus adversários, que foram sentenciados de morte.
Furioso por estar sendo derrotado, Maximus prende Catarina. A imperatriz, curiosa por conhecer a jovem que desafiava o seu marido, vai acompanhada de Porfírio, chefe das tropas, até à prisão. Catarina também os converte e eles são martirizados.
Catarina é condenada à morte na roda de tortura, mas basta que ela se encoste na roda para que ela se parta e mate vários pagãos que assistiam. O imperador, enraivecido, ordena que ela seja decapitada. Depois da sua morte, anjos desceram dos céus e levaram seu corpo para o Monte Sinai, onde posteriormente se construiu uma igreja e um mosteiro em sua honra.
Por ter vencido o debate com vários sábios, Santa Catarina de Alexandria foi declarada padroeira dos estudantes.
Santa Catarina - RebolosaÉ esta Santa que deu nome à Festa que se realiza na Rebolosa desde tempos imemoráveis. Uma festa que começa logo pela manhã com a missa e procissão em honra de Santa Catarina. Depois é hora de dar uma volta pela feira, beber umas jeropigas caseiras e preparar os assadores. O fumo começa a pairar de diversos sítios do Largo, uma vez que são muitos os grupos que aqui assam carne e convidam os amigos para saborear este petisco acompanhado do vinho novo da nossa terra. Depois, há a segunda ou terceira parte da festa: uma volta pelas ruas da freguesia, com paragem em algumas adegas típicas e penhas que cá existem. Os visitantes ficam, assim, a conhecer também a Rebolosa, porque a maior parte apenas conhece o centro da freguesia, porque ali se situa grande parte do comércio local. À noite é hora de baile, para aqueles que conseguem ainda dançar! Baile muito concorrido e que terminou já depois das 4 da manhã, apesar de, poucas horas depois, alguns terem de ir trabalhar. Mais uma vez, desde há quatro anos, a Junta de Freguesia da Rebolosa convidou todos os senhores presidentes de Junta de Freguesia do Concelho e o Executivo Municipal. Como manda a tradição, ninguém ou (quase ninguém) abandonou a Rebolosa sem levar a respectiva licença para a matança do porco, emitida pela Junta de Freguesia local. Um gesto simbólico que marca a tradição.
Como alguém também já sugeriu por diversas vezes e de várias formas, fica aqui o repto para que a Câmara, a Junta de Freguesia e Associações da Rebolosa consigam, em conjunto, transformar esta grande festa num evento com mais impacto em toda a região, mantendo as tradições gastronómicas e populares e promovendo o Concelho.
Manuel Rei Barros

Bons exemplos – Finicia (2)

Continuo a trazer aos leitores deste Blogue iniciativas levadas a cabo em alguns Concelhos de Portugal e que constituem bons exemplos de intervenção.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Não me refiro nesta crónica a um Concelho específico, englobando antes um conjunto de 96 concelhos que, um pouco por todo o País, criaram até Setembro de 2009 os Fundos Municipais FINICIA.
Destaco que destes Concelhos, 7 pertencem ao distrito da Guarda – Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Gouveia, Guarda, Manteigas, Seia e Trancoso; e 2 ao distrito de Castelo Branco – Penamacor e Proença-a-Nova.
O FINICIA é um Programa promovido pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento (IAPMEI), vocacionado para o apoio a projectos de forte conteúdo inovador, negócios emergentes de pequena escala e iniciativas empresariais de interesse regional.
Tem como objectivo central facilitar o acesso ao financiamento pelas empresas de menor dimensão, sendo um produto de crédito destinado ao apoio a projectos de investimento desenvolvidos por micro e pequenas empresas no concelho.
Um fundo FINICIA pretende:
– Dinamizar o tecido empresarial do Concelho;
– Estimular o investimento das Micro e Pequenas Empresas do Concelho;
– Melhorar os produtos e/ ou serviços prestados;
– Promover a modernização das instalações e equipamentos.
Um Fundo FINICIA assenta numa Parceria envolvendo obrigatoriamente o Município, o IAPMEI, uma entidade bancária e uma sociedade de garantia mútua, para além doutros parceiros locais e/ou regionais, tendo um capital social máximo de 500.000 euros, dos quais 20% pertencem à Autarquia e os restantes 80% à entidade bancária.
O financiamento a projectos de investimento através do FINICIA é limitado a um valor limite de 45.000 euros por projecto, dos quais 80% revestem a forma de empréstimo bancário de Médio/Longo Prazo, a juros bonificados e os restantes 20% são um subsídio reembolsável sem juros.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Retratos de Álvaro Cunhal em livro

Intelectuais e artistas como Manuel António Pina, Eduardo Lourenço, José Saramago, Vasco Graça Moura, Siza Vieira, Carlos do Carmo, Ramos Rosa, José Rodrigues e Urbano Tavares Rodrigues dão contributos para um livro feito de retratos de Álvaro Cunhal.

O livro «Retratos de Álvaro Cunhal» foi ontem apresentado por António Borges Coelho, na Biblioteca Museu República e Resistência, em Lisboa. O mesmo resultou de um projecto do editor José da Cruz Santos, com arranjo gráfico de Armando Alves.
Quase meia centena de artistas e intelectuais aceitaram dar testemunhos que ficaram no livro. O escritor e jornalista sabugalense Manuel António Pina foi um dos apresentaram o seu testemunho acerca do falecido líder comunista.
«Um homem tem três metros de altura», é o título do texto de Pina, numa evocação de um filme de Martin Ritt sobre o tamanho da dignidade. No testemunho afirma ter partilhado algumas das convicções de Cunhal e ter discordado de muitas outras, ao ponto de não terem estado do mesmo lado sem que estivessem em lados opostos.
Manuel António Pina confessa que se a sua admiração por Álvaro Cunhal o conduz facilmente à melancolia, e a «desejar absurdamente que homens assim, do mesmo intransigente tamanho por fora e por dentro, renasçam, seja lá de que lado for».
José Saramago, por sua vez, diz que ocasionalmente «não esteve de acordo com o secretário-geral que ele foi, e disse-lho. A esta distância, porém, já tudo parece esfumar-se, até as razões com que, sem resultado que se visse, nos pretendíamos convencer um ao outro. O mundo seguiu o seu caminho e deixou-nos para trás», registou o Nobel da Literatura, que também é militante comunista.
Já o ensaísta Eduardo Lourenço escreveu um texto intitulado «A Morte de um Comunista», onde evoca o funeral do velho secretário geral do PCP, para recordar que Álvaro Cunhal apreciaria pouco que se falasse da sua morte nos termos publicitários que a imprensa reserva aos grandes deste mundo. Era esse o ideário de Cunhal, «que lhe exigiu o sacrifício do seu destino meramente individual» em defesa «dos interesses de uma condição e de uma classe que não eram as suas, mas com as quais se iria identificar totalmente» – a classe operária.
O livro inclui também poemas de alguns autores, como Manuel Gusmão, Maria Teresa Horta e Y.K. Centeno. Também contém uma fotografia de Eduardo Gageiro e retratos de diversos artistas.
plb

Uma solução de bom senso

A Catarina tem 4 anos e frequenta o Jardim de Infância, onde aprende, com as tarefas diárias, as regras básicas de convivência em sociedade.

João ValenteUma das tarefas, que exercita para os cargos públicos, consiste no desempenho rotativo do cargo de chefe, no qual tem que distribuir funções aos colegas, zelar pela arrumação e disciplina na sala e ser o braço direito da educadora. Um símbolo do cargo é uma cartolina ao eito, que o chefe exibe, lembrando aos outros a sua autoridade.
Há dias, cabendo-lhe a função de chefe, quando procedia, com auxílio de um quadro com fotografias, à chamada diária dos colegas, a Catarina saltou um dos meninos.
Corrigida pela educadora, saiu-se com esta:
– Toma – e tirando o colar, entregando-o à educadora – dá-o a outro menino, que está visto; eu não sei ser chefe!
Vem isto a propósito das «guerras de Alecrim e Manjerona» que se vivem na autarquia do Sabugal a propósito da nomeação da administração da empresa «Sabugal+».
Se os nossos políticos não sabem ultrapassar as quezílias pessoais a bem do interesse público, estas eleições foram mais um adiamento das soluções para o nosso concelho e nova hipoteca do futuro.
Como era bom que, copiando o exemplar desprendimento da pequena Catarina, dessem a vez a uma geração de novos políticos, para que estes tomassem verdadeiramente as rédeas do futuro do concelho.
O poder e ambição, cegam!
Para esta cegueira e falta de bom senso, só vejo uma solução:
Na Florença do séc. XIII, digladiavam-se pelo poder três facções políticas: os guelfos, os gibelinos, e, dentro destes, os brancos e os pretos. O povo farto de tanta guerra política, alterou a constituição, obrigando os membros do concelho a viverem juntos durante os seis meses do mandato, no palácio do governo. Em suma; encontraram uma forma engenhosa de punirem a ambição e falta de senso dos seus governantes.
Não se entende o presidente e a oposição? Que se apeiem pelos tornozelos uns aos outros como se faz quando se quer amansar o gado.
Dê-se pois ao presidente e a um dos vereadores de cada partido da oposição a administração da empresa municipal.
Os quatro anos de mandato, serão castigo suficiente para todos.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Penamacor – 800 anos de História – LocalVisãoTV

A sessão solene de Encerramento das Comemorações dos 800 anos de Penamacor está marcada para as 15 horas do dia 1 de Dezembro no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

As cerimónias de encerramento dos 800 anos de Penamacor, presididas por Domingos Manuel Bicho Torrão, presidente da Câmara Municipal de Penamacor, terão início com a inauguração da exposição «Vazadas da Memória – Relicárias do Memorial em Homenagem às Terras e às Gentes do Concelho de Penamacor», do escultor a.sáxeo, e da apresentação do livro «Penamacor – 800 Anos de História», que integra as comunicações do ciclo de conferências «O Fio da História» com organização e introdução de Hélder Henriques.

Local Visão Tv - Guarda

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jcl

Cidade da Guarda comemora 810 anos

A Guarda está a comemorar o 810º Aniversário da atribuição do foral à cidade por D. Sancho I, com a realização de diversas iniciativas oficiais, nomeadamente de âmbito cultural e desportivo.

O dia da cidade é 27 de Novembro, data em que se realiza uma sessão solene comemorativa do aniversário da outorga do foral. A sessão será na Sala da Assembleia Municipal e nela acontecerá a entrega do Prémio Eduardo Lourenço 2009.
Nesse mesmo dia haverá ainda um torneio de basquetebol e um sarau musical denominado «Mestres de Capela da Sé da Guarda», que se realizará no Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG).
As iniciativas que constam no programa comemorativo iniciaram-se já no dia 21, sábado, com a realização e um torneio de futebol infantil. No dia 24 ocorreu a inauguração da exposição: «Uma Biblioteca é uma casa onde cabe toda a gente», e procedeu-se à presentação do nº.26 da revista cultural «Praça Velha».
O encerramento das comemorações acontecerá no dia 28, sábado, com a realização do Festival de Música Coral da Guarda, que acontecerá no Grande Auditório do TMG.
As comemorações do aniversário da cidade são uma boa ocasião para ir à Guarda assistir a algumas das actividades culturais e desportivas previstas no programa evocativo organizado pela Câmara Municipal.
plb

Autarcas do PSD apelam a debate interno

Uma dezena de presidentes de Câmara Municipal eleitos pelo PSD, dentre os quais os de Trancoso e Figueira de Castelo Rodrigo, decidiram no último sábado colocar à subscrição dos militantes um documento que solicita à direcção do partido um debate, em Congresso, antes da escolha do futuro líder.

Antonio Edmundo, Presidente da CM FC RodrigoAlém dos presidentes de Trancoso e Figueira de Castelo Rodrigo, também participaram na reunião os de Cantanhede, Covilhã, Arganil, Pedrógão Grande, Penalva do Castelo, Mafra, Cascais e Portalegre. Os autarcas reivindicam à direcção do partido uma discussão da qual saia uma «redefinição da estratégia do PSD para o futuro», a qual deverá ocorrer antes da escolha do futuro líder.
«Há necessidade de uma discussão e o lugar próprio é em congresso nacional», uma discussão da qual saia uma «redefinição da estratégia do PSD para o futuro», declarou à agência Lusa João Moura, presidente da Câmara de Cantanhede e anfitrião da reunião.
Segundo o autarca, o documento agora aprovado em Cantanhede será enviado a todos os presidentes de Câmara e serão convidados os militantes do partido a subscrevê-lo.
«O PSD é um partido do poder local. É importante agitar o partido», observou João Moura, frisando que os autarcas tem uma percepção especial da realidade, em virtude de diariamente estarem em contacto com as populações.
No entanto, a legitimidade de dizer «que queremos discutir o partido», assumida pelos presidentes de Câmara Municipal, também poderia ter sido assumida por outros sectores da sociedade que militam no PSD, explicou.
No documento, os dez presidentes de Câmara afirmam que Portugal, encontra-se numa encruzilhada da sua vida colectiva, marcada por uma profunda crise económica, social e política, situação que «não é explicável, apenas, pela crise internacional».
plb

Orçamento camarário põe à prova Executivo

As divergências entre os eleitos que compõem o executivo podem tornar-se mais evidentes na altura da discussão e votação do orçamento da Câmara Municipal do Sabugal para o ano 2010. O documento está em fase de elaboração e não transparecem sinais de negociação com vista a garantir a sua aprovação.

Para que a Câmara Municipal tenha um orçamento que enquadre a sua actividade em 2010 é necessário que o seu projecto seja aprovado pelo Executivo e depois receba o aval da Assembleia Municipal.
Sucede que a relação de forças resultante das últimas eleições colocou o PSD, partido do presidente eleito, em minoria nos dois órgãos, o que obriga a uma capacidade negocial constante para obter a aprovação das medidas essenciais para a boa gestão da autarquia. O orçamento de 2010 será o maior desafio à habilidade negocial do presidente, que até agora tem somado revezes sucessivos no Executivo, onde não conseguiu o apoio da oposição para a resolução de alguns problemas mais prementes.
Tendo o PSD três vereadores, o PS outros tantos e o MPT um eleito, o orçamento apenas poderá ser aprovado se pelo menos um dos vereadores da oposição se abstiver na votação, dado o voto de qualidade do presidente. Ora isso pressupõe uma cuidada negociação, porque a oposição tem tido uma posição de grande exigência nas reuniões, mostrando não estar disposta a transigir.
O presidente, António Robalo, viu gorada a sua intenção de colocar mais dois vereadores a tempo inteiro, sendo essa proposta negada pelos vereadores do PS e do MPT. Igualmente não conseguiu garantir a continuidade de Norberto Manso na presidência da empresa municipal. O executivo recusou ainda delegar no presidente muitas das competências por si pretendidas. O mesmo se passou em relação às reuniões, que o presidente queria quinzenais mas que o Executivo manteve semanais.
Insatisfeito com a postura da oposição, António Robalo reagiu logo no final da primeira reunião, ditando para a acta uma declaração onde mostrava a sua insatisfação pelas limitações a que estava a ser sujeito. «Não entendo atitudes que considero acima de tudo de falta de espírito democrático e de falta de consideração por quem ganhou eleições e como tal deveria ter as condições mínimas de governabilidade, que desta forma não terei», declarou o presidente. Visivelmente desagradado, deixou mesmo um alerta: «estamos aqui de passagem e tudo o que não fizermos ou fizermos mal, só faz com que se agravem cada vez mais os problemas do nosso Concelho».
António Dionísio deu a resposta na reunião seguinte, recorrendo igualmente a uma declaração para a acta onde justificou as posições do PS no Executivo, baseadas no rigor que era necessário manter na gestão da Câmara para não se onerar excessivamente o Município. «O Senhor Presidente sabe com certeza que quando foi eleito, foi-o no restrito cumprimento da lei, isto é, sabendo previamente que a lei lhe permite ter um vereador a tempo inteiro e que a possível nomeação de outros cabe ao Executivo Camarário que com bom senso deve analisar e decidir», disse o vereador socialista para justificar o voto contra o alargamento do número de vereadores em permanência. E concluiu: «Não é por culpa da oposição que o Partido Socialista efectua que o concelho do Sabugal deixa de progredir rumo a um futuro melhor, assim o Senhor Presidente e a sua equipa saibam apresentar a este executivo as ideias e os projectos para atingir esse fim, que é afinal o que todos desejamos».
Também o vereador do MPT, Joaquim Ricardo, na mesma reunião de dia 13 de Novembro, se manifestou insatisfeito com a ausência de propostas aceitáveis, nomeadamente ao nível da nomeação de um novo conselho de administração para a empresa municipal, facto que o levou a exigir ao presidente a formulação urgente de uma nova proposta para ser votada.
A vida da autarquia não parece fácil, mas o maior desafio será o orçamento de 2010, documento que a breve trecho terá de ser apresentado ao colectivo de vereadores.
plb

Qualquer um serve

Em finais dos anos sessenta do século passado, os jovens da então Vila, hoje cidade, do Sabugal, nas longas e quentes tardes de Verão, iam até ao velho Estádio do Ribeirinho, o «campo da bola», como lhe chamávamos, depois de largarem os seus trabalhos, para jogar uma partida de futebol.

António EmidioComo é natural, não chegavam todos ao mesmo tempo, se chegassem quatro, dois de cada lado, começavam aos «toques», e conforme iam chegando, entravam para um dos lados, até completarem os vinte e dois jogadores regulamentares. Escusado será dizer que qualquer um servia. Ainda me lembro de um, que ao lançar a bola da linha lateral, depois de ela ter saído fora, não levantava os braços por cima da cabeça, como é das leis do futebol, lançava-a como quem lança uma bola de bowling, (também só o fez uma vez), não sabia mais…
Ao lembrar-me deste episódio, comparo-o com o que acontece presentemente a nível político.
Leitor(a), antes de entrar no artigo propriamente dito, quero salientar que o que escrevo não se aplica a ninguém em particular, mas a todos os que o são em geral. Às vezes deturpam o sentido das minhas palavras. E isso faz-se àquele que se quer abater. Se uso o exemplo do futebol no Sabugal, em tempos idos, é porque o vejo mais conforme com aquilo que quero exprimir.
A abertura da política a um qualquer cidadão, ou cidadã, não é negativo, significa democratização da sociedade. O problema surge, e é inquietante, quando os níveis, humano, ético e cultural são baixos. É uma democratização contra a própria Democracia. Podemos considerar isto uma das causas da política estar despojada da sua dimensão ética, da sua missão e sentido originais. Ela é, nos tempos actuais, negócio, prebendas, privilégios e proveito material.
Não me canso de repetir, que há políticos, tanto homens como mulheres, com uma dedicação esmerada ao serviço público. Lutam por valores como a liberdade e a justiça social, não servem a quem lhes der mais.
Os maus políticos, só conseguem caminhar por entre a divisão e o abandono dos bons.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

GNR da Guarda comemora Dia da Unidade

O Comando Territorial da Guarda comemora no próximo a 2 de Dezembro, o dia da Unidade com uma cerimónia militar, a realizar, pelas a meio da manhã no quartel daquela força de segurança.

A cerimónia será presidida pelo comandante operacional da GNR, Tenente-General Meireles de Carvalho. Nela se incluirá uma demonstração do conhecido Carrossel Moto da Guarda Nacional Republicana.
Para a comemoração da efeméride estão previstas outras actividades de carácter militar, religioso e cultural que o Comando da Guarda preparou. Num comunicado assinado pelo comandante da Unidade, o Coronel José Manuel Monteiro Antunes, afirma-se que se pretende uma cerimónia simples mas, como é tradição e apanágio da Guarda Nacional Republicana, eivada do maior brilhantismo e dignidade.
Com a recente reestruturação da Guarda Nacional Republicana, materializada pela Lei Orgânica nº63/07, de 06NOV, a então Subunidade «Grupo Territorial da Guarda» deu lugar, em Janeiro do corrente ano, ao «Comando Territorial Guarda», com responsabilidades acrescidas decorrentes, quer da extinção do Comando Regional (Brigada n.º 5 em Coimbra), quer da integração das valências trânsito e intervenção, ascendendo, por conseguinte, ao escalão Unidade Territorial, orgulhosa sucedânea das suas antecessoras, desde a precursora 4ª Companhia de Infantaria, primeira força da GNR a marcar presença na cidade da Guarda, na honrosa data de 02 de Dezembro de 1914.
Programa comemorativo:
09H00 – Missa de Acção de Graças na Sé Catedral da Guarda.
10H00 – Recepção das Entidades no CMD da Unidade, para Cerimónia Militar.
10H30 – Inicio da Cerimónia Militar.
11H30 – Exibição do Carrossel Motorizado da GNR
13H00 – Almoço de confraternização no CMD da Unidade.
plb

Sabugal+ divide Executivo Municipal

A nomeação do novo Conselho de Administração da Empresa Municipal Sabugal+, está a dividir o executivo camarário sabugalense, que na primeira reunião rejeitou a proposta do presidente de continuidade de Norberto Manso como presidente da empresa.

Museu Municipal do SabugalA oposição, composta pelos vereadores do PS e do MPT, juntou-se e votou contra a proposta do presidente António Robalo, que pretendia dar continuidade à gestão de Norberto Manso. Quatro votos contra três foi o resultado da votação, que na altura agastou o presidente que viu cair por terra a sua intenção de dar continuidade ao trabalho que vinha sendo feito na empresa. Para além da recondução do presidente, António Robalo pretendia também que o Conselho de Administração da empresa incluísse como vogais dois vereadores sem remuneração.
Na reunião do dia 13 de Novembro Joaquim Ricardo, vereador eleito pelo MPT, face à ausência do assunto da ordem de trabalhos, defendeu a nomeação urgente de uma nova administração para a empresa. E deixou claro o que pretende: «Um gestor cujo perfil deverá ser o de um profissional que aceite o desafio de fazer ali uma ambiciosa gestão por objectivos, apostando na qualidade dos serviços prestados e na divulgação das actividades desenvolvidos de modo a aumentar o número de visitantes e utilizadores dos equipamentos a seu cargo.»
Ideia similar foi defendida pelo vereador António Dionísio, do PS, que quer ver eleito para breve um novo presidente para a empresa, em substituição do actual: «Sou de opinião que os lugares de confiança politica devem ser mudados quando mudam as pessoas que os nomeiam, até porque a mudança traz competência e desenvolvimento, sempre no sentido de atingir os objectivos que a Câmara lhe impõe.»
Na última reunião, realizada a 20 de Novembro, António Robalo, pediu ao executivo «carta branca» para escolher a administração da empresa, porém a oposição voltou a juntar os votos, rejeitando a proposta do presidente da câmara e exigindo que o mesmo traga à mesa nomes para ali serem votados.
Parece pois certo que o futuro da empresa não passará por Norberto Manso, que porém se manterá em funções de gestão até que o executivo aprove uma nova administração, uma vez o mandato dos titulares do Conselho de Administração coincide com o dos titulares dos órgãos autárquicos.
A Sabugal+ tem por principal objecto a administração das estruturas culturais, sociais, patrimoniais, desportivas, recreativas, turísticas e ambientais que pertençam ao município, tendo-lhe sido ainda afectada a gestão do processo de construção e futuro funcionamento das Termas do Cró e do Parque de Campismo Municipal.
plb

Ernesto Cunha nomeado adjunto do presidente

O presidente da Câmara Municipal do Sabugal constituiu o seu gabinete pessoal, nomeando seu adjunto o vereador Ernesto Cunha e chefe do gabinete Vítor Proença, que já exercera essas mesmas funções com o presidente Manuel Rito.

António Robalo pretendeu que Ernesto Cunha exercesse funções como vereador a tempo inteiro, situação que de resto manteve nos últimos anos. Porém, face à recusa do executivo em aceitar alargar o número de vereadores em permanência, o presidente procedeu à nomeação do vereador das Lameiras para o cargo de adjunto.
Os únicos eleitos a exercerem funções a tempo inteiro na câmara são o presidente, António Robalo, e a vice-presidente, Delfina Leal. Os outros elementos do executivo reúnem apenas semanalmente na reunião ordinária que acontece à sexta-feira.
O executivo foi informado da composição do gabinete de apoio pessoal do presidente, e levantaram-se dúvidas quanto à legalidade da nomeação de um vereador para adjunto do presidente integrando o seu gabinete. Capeia Arraiana apurou porém que o presidente terá pedido um parecer à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), segundo o qual não existe impedimento legal. O impedimento apenas existiria se Ernesto Cunha exercesse funções de vereador em permanência, o que não é o caso.
Vítor Proença, que embora candidato nas listas do PSD, não foi eleito vereador, vê também garantida a sua continuidade de funções na Câmara, voltando a integrar o gabinete da presidência ao manter-se como chefe de gabinete do presidente.
plb

Figuras típicas (2) – Tonho d’Aldeia

Natural de Aldeia do Bispo (Penamacor), de seu nome António Afonso Ramos, o Tonho era uma das figuras mais típicas que apareceram no concelho do Sabugal, nas décadas de 40 e 50, do século XX.

Joao Aristides DuarteSegundo me disse o João Manata, cuja mãe era natural de Aldeia do Bispo (Penamacor), o Tonho era aí conhecido pelo Tonho Tonho.
No concelho do Sabugal era conhecido pelo Tonho D’Aldeia.
Corria as terras do concelho, sobretudo as que ficavam no caminho de Penamacor para a zona raiana do concelho do Sabugal.
Também era certo e sabido que essa figura típica não falhava uma romaria da Senhora da Póvoa e outras romarias nos concelhos de Sabugal e Penamacor.
Quem acompanhava o Tonho era o seu pai, o seu tio e, por vezes a sua mãe e a sua irmã. Traziam um burro, com uns alforges, que esperavam levar cheio, no regresso à sua terra-natal.
No Soito ficavam instalados na casa da sra. Maria José Martins.
O Tonho dava voltas ao Soito, com o seu pai, cego de nascença e que tocava guitarra feita de folha-de-flandres e o seu tio, que cantava com voz muito esganiçada. As cantigas que eles tocavam e cantavam eram referentes a desgraças que se tinham passado em várias das localidades por onde tinham passado, nomeadamente mortes por enforcamento e outros acontecimentos semelhantes, um reportório que já vinha desde tempos medievais, quando era através das «cantigas do ceguinho» que muitos acontecimentos passavam de boca em boca.
Na época das malhas, ao Tonho e à família davam grãos de trigo e centeio que eles colocavam no alforge, para depois ser vendido e com isso arranjarem algum sustento.
Certa vez o Tonho, no Soito, perdeu o chapéu e, então, passou a pedir um chapéu a toda a gente, até que arranjou muitos. Quando questionado, porque continuava a pedir, respondeu: «Se não pedir é que não me dão…»
Quando o pai e a mãe do Tonho faleceram, o Tonho continuou a vir ao Soito, mesmo depois da morte da sr.ª Maria José Martins. Nessa altura ficava instalado na casa do sr. Alfredo Manso, o futuro sacristão do Soito.
Há uns 15 anos vi o Tonho em Malcata, na Festa de Agosto, no Largo do Rossio. A minha mãe, que o conhecia do Soito, foi-lhe falar. Nessa altura ele disse que só já queria «ferrinhos», isto é dinheiro, já não estando interessado em produtos para a alimentação.
Há três anos, em Monsanto, onde se vendem azulejos e outras recordações do Tonho, e onde aparece sempre escrito «Figura Típica», a senhora da loja comercial referiu, no entanto, que as pessoas do concelho de Penamacor já não lhe davam «ferrinhos», porque constava que alguns familiares lhe ficavam com eles. Quem sabia disso continuava a dar-lhe comida e não «ferrinhos».
Uma das suas características era a de pregar sustos às raparigas. Ainda hoje há quem se lembre (por comentários inseridos em blogues) dos sustos que apanhou, quando era jovem, pelo Tonho D’Aldeia.
A morte do Tonho, que aconteceu no dia 15 de Agosto de 1997, nas Aranhas (Penamacor) foi notícia no «Jornal do Fundão» e noutros jornais regionais da Beira Baixa.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

Aspectos da vida de um grande empresário

Conhecia André Jordan, indirectamente, através de relatos de um amigo próximo que com ele colaborava na ex. Planal, Quinta do Lago e Vilamoura.

José MorgadoTive a oportunidade de o conhecer pessoalmente em Janeiro do corrente ano, na cerimónia de entrega dos Prémios de Turismo de Portugal 2008, cujo júri era por ele presidido e onde constava o projecto da Casa do Castelo do Sabugal.
Ao ter conhecimento do lançamento do seu livro «Posto de Observação 2», não resisto a transcrever, algumas das suas passagens, da maneira de pensar e agir deste grande empreendedor, que era bom que se virasse para o turismo rural em Terras do Riba-Côa, como a Natália Bispo lhe sugeriu na altura.
Judeu, nascido na Polónia, fugiu aos 11 anos com os pais para os Estados Unidos e na sua longa existência, já viveu no Brasil, Argentina, Venezuela, França e Portugal (onde ainda vive). Grande parte da sua família morreu em campos de concentração nazis e só na família directa, tem hoje 11 nacionalidades diferentes.
São dele as seguintes afirmações:
«Visitei o Salazar em 1967, com a minha primeira mulher (casou quatro vezes). Foi uma sessão fascinante e eu que era uma espécie de jornalista, fiz-lhe uma espécie de entrevista; vivi como participante e como observador o 25 de Abril de Portugal; foi uma experiência esquizofrénica, porque eu era um homem de centro-esquerda, democrata; estava então a tentar fazer a Quinta do Lago, mas esta foi intervencionada e voltou tudo à estaca zero, obrigando-me a regressar ao Brasil (…)
«Emociono-me com a arte; também me emociono com música e com livros. (…) Com as mulheres, sou basicamente fiel.A fidelidade é uma característica dos que casam muitas vezes (…) Olhar para um lote de terreno é como olhar para uma mulher bonita. Sempre vem à ideia muitas coisas interessantes para fazer com ela (…)
Tenho com o dinheiro uma relação de respeito, o que não quer dizer que seja obcecado. Sempre me fascinou a mentalidade dos forretas (…) Não pretendo figurar na lista dos milionários. Um dia a Forbes, trazia a famosa lista dos homens mais ricos do mundo e achei graça porque estavam lá todas as pessoas com quem eu tinha acabado de jantar, entre elas David Rockfeller».
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Novo livro sobre o lince-ibérico

A editora Bizâncio acaba de lançar o livro «Lince-Ibérico», o qual aborda diferentes aspectos da biologia do felino mais ameaçado do mundo, ilustrados por fotos de animais em habitat natural onde a sua existência se encontra ameaçada.

Lince Ibérico da Serra da MalcataA publicação é o resultado de uma colaboração do jornalista Paulo Caetano, autor dos textos, e do biólogo Joaquim Pedro Ferreira, responsável pelas fotos, enriquecida também por ilustrações de Jorge Mateus.
Numa altura em que o projecto nacional de reprodução do lince-ibérico dá um passo decisivo com o acolhimento de linces para o repovoamento do seu habitat tradicional em Portugal, chega aos escaparates um livro-álbum muito elucidativo.
Trata-se de uma publicação que apresenta o felino mais ameaçado do mundo nos vários aspectos da sua biologia, que vão desde os hábitos alimentares à reprodução, sempre ilustradas com fotos do esquivo carnívoro obtidas em meio natural em momentos nunca capturados da sua vida quotidiana.
Continuam a chegar linces ao centro nacional de reprodução, situado em Silves, no Algarve, num processo que deverá estar concluído até ao final deste mês, altura em que o centro de reprodução português deverá acolher os 16 animais previstos.
plb

O que faz o veneno é a dose

O tráfico de influências e a corrupção sempre existiram na nossa sociedade. A dúvida mesmo, é se algum dia deixarão de existir! Penso até que estes terríveis defeitos da nossa sociedade estão-nos na massa do sangue, fazem parte da nossa matriz cultural.

Amanitamuscaria

António Cabanas - «Terras do Lince»Naturalmente, que a é grande corrupção, de colarinho branco, a que mais nos preocupa, é essa que é objecto do interesse noticioso, que vende jornais e minutos de rádio e televisão, mas se olharmos para o nível mais baixo, para a arraia miúda, não há actividade na nossa sociedade onde o tique do tráfico não se faça sentir. Desde o pequeno favor, pago com outro favor, com a prenda ou com o voto, ao emprego que se pede para a filha, ao benefício público ou particular de toda a espécie, para já não falar da corrupção na extinta actividade de contrabando, são imensos os exemplos.
Uma amiga recente, da área alimentar, citando Paracelso, dizia, há dias, ao almoço que «o que faz o veneno é a dose». Qual será afinal a dose adequada para a nossa corrupção?
É quase impossível ficar indiferente à avalanche noticiosa de escândalos que nos entra portas adentro, todos os dias. Ainda mal refeitos do escândalo do Freeport, já a Face Oculta atormenta a nossa consciência colectiva.
A verdade é que já nos vamos habituando a ver os alicerces morais da nossa sociedade abalados por autênticos vendavais. Temos na memória casos e mais casos, mal resolvidos, onde sobressai de forma repugnante o inimaginável escândalo da pedofilia. Confesso que esse me custou a engolir, como português senti-me até envergonhado. Inicialmente não acreditava que ídolos da comunicação, diplomatas, políticos, advogados e outros homens famosos, símbolos de virtude e de sucesso, pudessem cometer tão hediondos crimes e que rapidamente se faria o desmentido, com os respectivos pedidos de desculpa. Um dos acusados apressou-se a fazê-lo na TV, chorando em frente às câmaras que lhe eram tão familiares e fiquei aliviado. Tudo não passava, afinal, de pura difamação! Sol de pouca dura! Estava ainda para cair em catadupa «o Carmo e a Trindade», com as histórias mais sórdidas, contadas em pormenor, vasculhadas até ao tutano, a alimentar o nosso mais profundo e mórbido voyeurismo.
Porém, ao fim destes anos todos, de processo em processo, de juiz em juiz e de requerimento em requerimento, já ninguém acredita que haja condenados. Receamos até que alguns acusados, em vez de acusados se transformem em vítimas e venham a receber do Estado, ou seja, do nosso bolso, chorudas indemnizações.
É que, se os acusados são gente da alta, os seus advogados são autênticas vedetas, recrutados na nata dos melhores, dando àqueles a tranquilidade e a segurança de uma absolvição anunciada.
Como se de uma novela brasileira se tratasse, as alegadas práticas criminosas que têm sido noticiadas nas últimas semanas, mais uma vez, alimentam as conversas do dia a dia, motivando-nos sentimentos de repulsa e de inquietação, como se os vivêssemos por dentro. Agitam as nossas vidas, envolvem o nosso dinheiro e pessoas nas quais acreditámos ou que deviam merecer a nossa confiança. Põem em causa os sistemas conexos ao aparelho de estado.
Mais uma vez, a comunicação social, mormente as televisões, tratam do assunto, de forma necrofágica, e vampírica, esquecendo-se imediatamente dele, caso deixe de cheirar mal, ou se outro assunto que cheire ainda pior lhes atraia o sentido.
Mais uma vez a languidez da Justiça deixa-nos a sensação de que os criminosos ricos e poderosos ficarão impunes. É verdade que são «condenados» na praça pública, esmagados pelo poder imenso da comunicação social e nesse rolo compressor, algumas vezes, são apanhados também os inocentes, que nunca mais voltam a endireitar as costas. Mas a verdadeira justiça, a da própria Justiça, essa, raramente se faz.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

O lanche partilhado, de Augusto Gil

A Balada da Neve é o poema mais conhecido de Augusto Gil, escritor guardense cuja obra se inspira na cidade mais alta e na gente que a habita. Embora nascido (em 1870) no Porto, foi para a Guarda ainda petiz e ali cresceu e se fixou, mau grado alguns períodos de afastamento, nomeadamente em Coimbra enquanto estudante universitário e depois em Lisboa onde ocupou cargos na Administração Pública.

Gente de Palmo e MeioPara além da poesia, Augusto Gil também se aventurou pela narrativa, de onde se destaca o livro «Gente de Palmo e Meio» que é, afinal, uma colectânea de contos de grande profundeza humana. São trechos da vida de crianças, umas pobres outras ricas, ainda algumas remediadas, que evidenciam a enorme sensibilidade do autor para os dramas que o rodeiam. As histórias centram-se em Lisboa, e relatam curiosas peripécias de petizes, que comovem o leitor.
Alguns dos contos referem o sofrimento das crianças que vivem em extrema carência, ajudadas por uns e enxotadas por outros. Também retratam miúdos corajosos que, sozinhos, desafiam o mundo, num sinal da maturidade que a vida difícil lhes proporcionou. Ainda há outros onde impera a ironia ou o fino humor. O contos «O Pobrezinho Honrado» retrata a vida madrasta de um menino de Manteigas que desceu a Lisboa com o pai para o ajudar na profissão:
«- Donde és tu menino?
- Ê cá sou de Manteigas…
- Sim? E tens pai?
Dilatou-se-lhe a boca num sorriso claro que acendeu um brilho maior na chama dos seus olhos límpidos.
- Antão não havêra de ter pai!…
- E que vida é a dele?
- Vende fazenda coma mim…»
Augusto Gil relata em traços fortes esta gente pequena, que comia sopa desenxabida ou pequenos nacos de pão migado no leite, quando não apenas uma peça de fruta. São relatos de comida pobre, num mundo desventurado.
Mas, no que toca a comeres, ninguém fica indiferente ao conto «A Santinha», que expõe a bondade de uma menina, «linda como o luar, de boca fresca e rubra que nem uma cereja mordida». Filha de gente abastada, vivia numa grande quinta, brincando só, à sombra de um cedro gigante:
«A criada desceu com o lanche numa salva, poisou-lha no banco de sobro, ao pé do cedro e, furtando-lhe um beijo, foi-se.
Os dois filhos do feitor, nem que lhes tivesse dado o faro da pitança, surgiram do lado oposto e quedaram-se numa atracção muda, a dois passos da bandeja…
A Lili ergueu o guardanapo, a ver: e seis olhos caíram ao mesmo tempo sobre um pastel de folhado, uma fatia barrada de manteiga e um cacho d’uvas moscatéis.
Pegou no cacho e ofereceu-o ao mais velho.
Tirou o pastel e deu-o ao mais novo.
Por fim, erguendo o que restava – era a fatia – levou-a à boca…
Mas um cachorrito ladino, vindo d’algures, a dar à cauda, acercou-se do grupo, de focinho no ar e pupila reluzente, com os latidos e migalhices que estavam mesmo a dizer:
- E eu?!…
A Lili sorriu; e depois de reflectir por uns instantes, privou do pão a sua boca e chegou-o à boca do cãozito, num doce gesto, resignado e vagaroso…»
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

Amar em Nova Iorque

Pedro Miguel Fernandes - Série BDepois de «Paris, Je t’aime», que se pode dizer obteve um sucesso razoável, chega agora «New York, I Love You». A ideia é a mesma. Juntam-se alguns realizadores conhecidos, actores que o grande público também conhece e filmam-se várias curtas-metragens que contam histórias de amor cujo cenário é uma grande cidade.

A ideia é original, pois cada uma à sua maneira, estas são duas cidades românticas quanto baste para espíritos apaixonados. Mas se no primeiro se notava algo de novo, agora isso não sucede. Contudo uma das mudanças é que aqui não há paragens entre as curtas e as personagens vão aparecendo em curtas distintas, dando uma ideia de interligação e um conjunto que o anterior passado em Paris não tinha.
New York I Love YouPara os cinéfilos este «New York, I Love You» traz um atractivo, que é a presença de actores que há muito não via, como James Caan, que está brilhante como dono de uma farmácia, ou Eli Wallach, o mítico Vilão do filme «O Bom, o Mau e o Vilão», que pensava já não estar entre nós, no papel de um velhote rabugento que está sempre a resmungar com a sua também idosa esposa.
E depois temos de tudo um pouco. Curtas bastante românticas, como a que foi realizada Shekhar Kapur, passada num hotel e com uma interpretação que me agradou bastante, a cargo de Shia LaBeouf, cómicas, como a realizada por Brett Ratner, outro dos nomes que me surpreendeu, e até uma história filmada por Natalie Portman.
No fundo este é um filme para quem está apaixonado e a próxima paragem já está definida. Xangai, na China, será a próxima cidade do projecto de curtas românticas.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Municípios e Agenda 21 – Pensar global e agir local

A Agenda 21 é o principal documento que resultou da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano, realizada no Rio de Janeiro em 1992. A principal preocupação deste documento é o futuro do planeta a partir do século XXI e a sua intenção é assegurar o desenvolvimento económico, social e cultural das comunidades locais e respectivos países com maior justiça social e sem prejuízo do meio ambiente.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»O capítulo 28 da Agenda 21 refere que: «Devido ao facto de muitos dos problemas e soluções abordadas na Agenda 21 terem as suas raízes em actividades locais, torna-se um factor determinante para o cumprimento dos seus objectivos a participação e cooperação dos poderes locais. Os poderes locais criam, dirigem e mantêm infra-estruturas económicas, sociais e ambientais, supervisionam processos de planeamento, estabelecem políticas e normas de ambiente locais e participam na implementação nacional e sub nacional de políticas ecológicas. Como nível de governação mais próximo das pessoas, elas desempenham um papel vital na educação, mobilizando e respondendo ao público para promover o desenvolvimento sustentável.»
O projecto que a CDU apresentou aos eleitores nas últimas eleições autárquicas, assentava nos vectores deste desenvolvimento, dizendo nós que pretendíamos um concelho economicamente viável, um concelho socialmente coeso e solidário, um concelho culturalmente vivo, aliando a tradição à modernidade e um concelho ecologicamente sustentável para as gerações futuras. Independentemente dos resultados eleitorais obtidos, que são insignificantes, volto hoje a reafirmar que o futuro do Sabugal passará obrigatoriamente por este caminho. Contudo, dizíamos nós, e escrevi numa das primeiras crónicas neste blogue, que o desenvolvimento só seria possível na e com a participação de todos. Alias, a própria Agenda 21 apela a um processo participativo, de envolvimento de todos na identificação dos problemas e na definição das prioridades.
Dizia que voltaria a estes temas, mais tarde e talvez quando fossem conhecidos os documentos de gestão do município – Orçamento e Grandes Opções do Plano. Voltei agora porque entretanto li a crónica do Ramiro Matos e o seu apelo vem ao encontro de um desafio que eu considero importante. Ele chama-lhe «Convenção» eu chamar-lhe-ia «Jornadas de Reflexão». Mas, no fundo os objectivos são os mesmos. Envolver todos os Sabugalenses na definição dos problemas e na definição das estratégias locais que façam do Sabugal um concelho viável.
O formato ou os nomes, são aqui indiferentes. Se pode funcionar somente no concelho do Sabugal ou também em outras zonas onde estejam muitos sabugalenses (Lisboa, Porto ou Paris), se podem ser constituídos grupos de reflexão ou funcionamentos em plenários, etc., serão coisas a analisar. Contrariamente ao Ramiro, penso que pensar o Sabugal terá que ser mais que uma convenção, terá que ser um movimento constante. Como se consegue? Aqui reside a nossa capacidade de encontrar soluções.
É preciso unir esforços, vontades e saberes. Unir o poder político e a sociedade civil. O associativismo e os indivíduos e pensar Sabugal. Encontrar práticas que não sejam só para o poder institucional, nomeadamente a Câmara Municipal, utilizar, mas também o mundo empresarial, o movimento associativo, as escolas, no fundo todos. Por tudo isto não respondo ao Ramiro pelo seu e-mail, respondo por aqui e publicamente que estou mobilizado e pronto a avançar.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Santinho Pacheco é o governador civil da Guarda

O Conselho de Ministros, por proposta do ministro da Administração Interna, Rui Pereira, aprovou esta quinta-feira, 19 de Novembro, a nomeação de António Santinho Pacheco para Governador Civil da Guarda.

O ex-presidente da Câmara Municipal de Gouveia, substituiu Maria do Carmo Borges, que manifestara vontade de sair do cargo. O nome de Santinho Pacheco era falado nos bastidores como possível novo Governador Civil, o que hoje se confirmou.
Santinho Pacheco é membro do Secretariado da Federação Distrital da Guarda do Partido Socialista e da Comissão Nacional do partido. O novo governador civil tem 58 anos e para além de presidente da Câmara de Gouveia foi deputado à Assembleia da República pelo Partido Socialista. Foi ele que, enquanto deputado, propôs a integração da freguesia de Vale da Amoreira no concelho de Manteigas. Também enquanto deputado integrou as comissões parlamentares de Administração e Ordenamento do Território e de Saúde e Toxicodependência
O Conselho de Ministros nomeou hoje todos os novos governadores civis dos 18 distritos do Continente.
Além de Santinho Pacheco, foram também nomeados pelo Governo José Barbosa Mota (em Aveiro), Manuel Monge (em Beja), Fernando Moniz (Braga), Jorge Gomes (Bragança), Maria Alzira Serrasqueiro (Castelo Branco), Henrique Fernandes (Coimbra), Fernanda Ramos (Évora), Isilda Gomes (Faro), José Carvalho (Leiria), António Galamba (Lisboa), Jaime Estorninho (Portalegre), Maria Isabel Santos (Porto), Sónia Mendes (Santarém), Manuel Malheiros (Setúbal), José Joaquim Guerreiro (Viana do Castelo), Alexandre Chaves (Vila Real) e Miguel Albuquerque (Viseu).
plb

Feira Franca no Largo do Castelo do Sabugal

O Largo do Castelo será mais uma vez o local onde decorrerá a Feira Franca, a realizar na cidade do Sabugal, no próximo dia 29 de Novembro de 2009.

Feira Franca no Largo do Castelo do Sabugal

«A primeira menção duma feira portuguesa vem registada no Foral de Castelo Mendo de 1229 que se realizava três vezes no ano, durante oito dias de cada vez. Todos os que a ela concorressem, tanto nacionais como estrangeiros, teriam segurança contra qualquer responsabilidade civil ou criminal que pesasse sobre eles. Entre os privilégios que mais favoreceram o desenvolvimento das feiras portuguesas há que mencionar o que isentava os feirantes do pagamento de direitos fiscais, nomeadamente portagens, a que se dava o nome de feiras francas.»
«A partir do reinado de D. Afonso III (1248-1279) multiplica-se o número das feiras e ampliam-se as garantias e os privilégios jurídicos concedidos aos feirantes. O fomento do comércio interno por meio da instituição de feiras, teve como consequência o aumento populacional de determinadas zonas pouco povoadas, para além de engrandecer os rendimentos da coroa.»
Agora que já sabe, fica desde já o convite para uma possível visita à Feira Franca do Sabugal, onde poderá encontrar alguns produtos do concelho, nomeadamente, produtos artesanais, enchidos, queijos, produtos agrícolas, velharias e antiguidades.
Esta é uma iniciativa da Casa do Castelo e do Bar «O Bardo».
jcl (com CMS)

Patrulha de França comemora 50 anos de Astérix

Para comemorar o quinquagésimo aniversário de Astérix, criado em Outubro de 1959, a esquadra «Patrouille de France» presta homenagem aos gauleses mais famosos, com um filme espectacular realizado por Eric Magnan.

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jcl

Bons exemplos – Proença-a-Nova (1)

Inicio hoje um conjunto de pequenas crónicas onde pretendo trazer aos leitores deste Blogue iniciativas levadas a cabo em alguns Concelhos de Portugal e que constituem bons exemplos de intervenção.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Começo por Proença-a-Nova, localizada no distrito de Castelo Branco, com uma área de 395km² e 8849 habitantes em 2008.
Em 2005 teve início o Programa «PROGRIDE – Uma Comunidade, uma Família», tendo como entidade promotora a Câmara Municipal, entidade executora, a Santa Casa da Misericórdia de Sobreira Formosa e um conjunto alargado de 15 entidades parceiras: Município, Juntas de Freguesia, Centro Distrital da Segurança Social, Pinhal Maior – Associação de Desenvolvimento do Pinhal Interior Sul, Centro Social Cultural Recreativo de Montes da Senhora, Centro de Dia de Peral, Santas Casas da Misericórdia de Proença-a-Nova e de Sobreira Formosa, CPCJ de Proença-a-Nova e REAPN (Rede Europeia Anti-Pobreza Nacional).
No âmbito deste Programa foram desenvolvidas diversas acções, das quais saliento:
– Criação e dinamização de uma Ludoteca – A Bibliomóvel percorre as localidades mais isoladas do Concelho permitindo à população requisitar livros, DVD’s, jornais, revistas e consultar a Internet, tendo como objectivo que as pessoas mais afastadas e com difícil mobilidade tenham acesso à cultura e ao entretenimento;
– Unidade Móvel de Saúde – Tem como objectivo principal tornar a saúde mais «acessível» a uma população marcadamente idosa e geograficamente isolada. Constituída por uma carrinha medicamente equipada, a Unidade percorre as localidades do concelho realizando rastreios de glicemia, colesterol, triglicerídeos, tensão arterial e peso. Para além disso pretende ser um centro de aconselhamento e esclarecimento de dúvidas;
– Recuperação de Habitações Degradadas – Destina-se a dar condições de habitabilidade a famílias vivendo em situações degradantes e sem posses económicas para proceder às obras necessárias;
Banco de voluntariado – Tem como objectivo principal ser um espaço de aproximação entre os interessados no trabalho voluntário e as organizações promotoras do mesmo;
– Linha de Apoio Social – É uma linha gratuita que se encontra disponível 24 horas por dia e que tem como objectivo proporcionar a grupos desfavorecidos e geograficamente isolados um maior apoio;
– Banco Solidário – Recolhe bens doados pela população para posteriormente os entregar a pessoas carenciadas. Bens como electrodomésticos, alimentos, brinquedos, vestuário, etc.;
– Apoio a Associações – Faz o levantamento das necessidades em termos de equipamentos do Movimento Solidário e Associativo do Concelho, e cria condições para ultrapassar essas necessidades sem encargos para as Associações;
– Animação sócio-cultural – Tem como objectivo incentivar a vida colectiva, possibilitar o acesso ao lazer, à cultura, ao desporto e ao entretenimento, da população idosa.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Estamos lá!

Portugal apurou-se para o Campeonato do Mundo de Futebol 2010, a disputar na África do Sul, com um golo de Raul Meireles, aos 55 minutos, no Estádio Bilino Polje, em Zenica, Sarajevo. A selecção nacional partiu em vantagem para este encontro depois de ter conseguido um triunfo sobre a Bósnia-Herzegovina, igualmente por 1-0, na primeira mão do «play-off» disputado em Lisboa no Estádio da Luz.

Esta manhã os jornais desportivos, com manchetes muito originais, dão conta disso mesmo.

jcl