Investimento público na floresta (J. M. Monteiro)

Na sequência da tragédia provocada pelos recentes incêndios no concelho do Sabugal entendemos colocar, publicamente, aos candidatos duas questões. Depois da candidatura de António Dionísio (PS) e de Ana Isabel Charters (CDS-PP) é agora tempo de saber o que pensa o candidato da CDU, José Manuel Monteiro.

José Manuel Monteiro - CDU– Se estivessem no poder como actuariam para colmatar no imediato as dificuldades dos agricultores em arranjar alimentos para os seus animais?
– Em primeiro lugar o que haveria a fazer era a distribuição de alimentos para o gado pelos agricultores afectados, uma vez que o gado ficou sem alimentação. Julgamos saber que a Câmara Municipal do Sabugal já disponibilizou isso. Aqui está uma boa medida. Assim, os criadores de gado afectados poderão, no imediato, resolver a situação. Parece-nos também que a declaração de calamidade pública, solicitada pela Câmara Municipal deverá ser acatada pelo Governo e as verbas solicitadas, após um apuramento correcto, deverão ser entregues aos criadores de gado de forma célere.
A criação de um seguro agrícola público, financiado por fundos comunitários, que permita garantir um rendimento mínimo aos agricultores em casos de calamidades públicas como secas, temporais, granizo, incêndios, epizootias, etc. é, desde há muito, uma das propostas do PCP para colmatar estas situações catastróficas.
– Como pensam investir na reflorestação de videiras, oliveiras, carvalhos e outras árvores no concelho?
– A causa maior dos incêndios é a desertificação (humana e agrícola) a que as nossas aldeias estão votadas. E as consequências da política agrícola comum (PAC) e as políticas nacionais que lhe estão subjacentes e que têm causado a destruição da agricultura e abandono forçado dos campos por falta de rendimento e as dificuldades de escoamento das produções.
A Câmara Municipal poderá colocar os seus técnicos florestais a trabalhar, em parceria com as Juntas de Freguesia, no sentido de serem apuradas as árvores que melhor se enquadram na paisagem e para serem concedidos apoios dos fundos comunitários para as catástrofes. Mas, não se deve esquecer que o Governo tem também uma grande responsabilidade. O Governo PS não explica porque razão a floresta não é rentável ou é abandonada – nada diz, por exemplo, sobre a estagnação ao longo dos anos do preço da madeira.
Na reflorestação da área ardida, no concelho do Sabugal, poderá ver-se, também, a vontade do Governo no investimento público, uma das suas grandes bandeiras. Não basta investir em grandes obras. O investimento público num sector como o florestal, poderá ser de grande interesse nacional e é, com certeza, de grande interesse para o concelho do Sabugal.
jcl

3 Responses to Investimento público na floresta (J. M. Monteiro)

  1. Maria diz:

    Também para que é que os senhores da Capeia fazem perguntas difíceis?

    Logo o candidato que nem pensava meter estas coisas da floresta no Programa…

  2. joao valente diz:

    Podia ter feito demagogia, prometido mundos e fundos, mas não fez. Sóbrio, correcto, focando o cerne do problema (desertiicação e abandono da agricultura) e os responsáveis (a política agrícola nacional e comunitária) até elogiou uma iniciativa da Câmara…

  3. Maria diz:

    Também pode ser heterónimo do candidato da CDU…

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