O desrespeito para com as senhoras na via pública

Em nome do respeito e da decência antigamente era proibido contender com as senhoras que transitassem na via pública, facto considerado transgressão grave e punido com multa pesada.

Ventura ReisNa actualidade deixou de haver respeito pelas senhoras, que na via pública são alvo de constantes piropos e piadas de mau gosto, quando não de assobiadelas e até de gestos obscenos, sem que as autoridades intervenham em sua defesa. Este é um sinal claro de que a moralidade e o acato andam muito por baixo, pois assistimos a uma imparável degradação da vida social.
Não era assim no meu tempo de rapaz. Nós também gostávamos de raparigas lindas e elas prendiam-nos o olhar, mas tudo era feito com recato e, acima de tudo, com muito respeito.
A lei vigente não deixava espaço para brincadeiras de mau gosto. Era textualmente proibido incomodar ou ofender as senhoras interceptando-lhes a passagem, dizendo-lhes galanteios irónicos e ofensivos, dirigindo-lhes gestos e palavras injuriosas ou persegui-las à saída das casas de espectáculos. Se um agente policial encontrasse um indivíduo em flagrante delito era de imediato detido e conduzido à esquadra a fim de ser autuado com multa.
Além do mais essa lei virtuosa protegia as senhoras que fossem alvo da transgressão, impedindo a polícia de colher o seu nome e a morada e de as forçar a ir à esquadra. O agente devia proceder a este serviço com a maior rapidez e com o devido recato, a não ser que a visada quisesse formalizar uma queixa. Mas mesmo neste caso a lei era clara na protecção da moralidade pública: «As senhoras não devem ser forçadas a repetir as palavras que lhes foram dirigidas, mas simplesmente devem declarar se elas foram incorrectas ou impróprias de serem pronunciadas».
Assim se protegiam as senhoras dos galanteios impróprios proferidos por rapazes mal formados. Era bom que, em nome da moral e da decência civilizacional, essa norma legal fosse repristinada.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis

3 Responses to O desrespeito para com as senhoras na via pública

  1. Seria também altamente benéfico para o Sabugal que se começasse a dar uso ao pelourinho que está no largo de S. Tiago. No tempo em que os meliantes, bandoleiros, gatunos, rapazes atrevidos e mulheres com vassouras voadoras lá eram expostos, chicoteados e até enforcados, não havia insegurança nas ruas.

    Hoje toda a gente rouba e é mal educada e ninguém paga por isso. Como forma de desenvolvimento tecnológico o Sabugal deveria também chamar o cientista responsável pela criação do célebre Frankenstein, mandar reavivar o intendente Pina Manique e põ-lo a patrulhar as ruas do Sabugal, que andam uma pouca vergonha.

  2. Kim Tomé diz:

    ehhe
    por acaso ate gostava de apanhar uma multa por galantear uma senhora com palavras improprias para consumo.
    Seria a ASAE a tratar do assunto?

  3. António Moura diz:

    Que saudades da mulher objecto.
    Levava porrada em casa (mais do que hoje) mas era protegida na via pública porque evidentemente era, ou viria a ser propriedade de alguém.
    Então e os piropos de que são alvo os senhores que transitam na via pública por parte de raparigas mal formadas? Quem protege esses coitados?

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