Em defesa da extinção do lobo

Quando eu era garoto tinha um medo tenebroso aos lobos, que no meu imaginário era um animal muito feroz que comia as crianças se as apanhasse desprotegidas.

Ventura ReisPor isso havia receio de andar à noite. Não havia iluminação pública e o lobo atacava na escuridão. Para o meu medo, e o dos demais catraios, porque todos viviamos horrorizados com a perspectiva de um lobo nos saltar ao caminho, contribuíam bastante as histórias que se contavam nos serões.
A narração mais fantástica era a do João dos Namoros, que foi cruelmente atacado pelos lobos quando vinha de Vila Boa para o Soito e foi por eles devorado, de nada lhe valendo os gritos de socorro e a rápida acorrência do pai que veio de espingarda aperrada ao seu encontro, mas apenas já encontrou os seus sapatos com os pés metidos dentro.
Na verdade o lobo é um animal selvagem e muito nocivo, porque ataca os animais domésticos, sobretudo as ovelhas, e também é um perigo para quem se aventura a passear pelos campos. Por isso havia noutro tempo uma lei que premiava aqueles que contribuíssem para a destruição dos lobos.
Segundo um decreto do governo, datado de 1917 e que por basto tempo se manteve válido, por cada lobo ou loba não prenhe recebiam-se 20 escudos, por loba prenhe o prémio já era de 30 escudos e por cada lobacho, ou cria de lobo, havia o direito de receber 5 escudos. Estas somas eram garantidas pelo orçamento dos Serviços Florestais e Aquícolas, sendo recebido através das câmaras municipais.
Também se organizavam montarias ou batidas, tendo em vista dizimar o animal feroz, recebendo também aqui um prémio aquele que atingisse mortalmente um lobo.
A modernidade tornou catita a defesa dos animais, sejam domésticos ou selvagens, dóceis ou indomáveis. Mas a verdade é que devemos diferenciá-los e admitir que animais nocivos como o lobo que assalta os redis, a raposa que ataca os galinheiros, ou até o porco bravo que fossa os campos de cultivo, devem ser dizimados e extintos para que tenhamos uma vida melhor.
Claro que há que dar razão aos que defendem a preservação das espécies na perspectiva de que as gerações vindouras as possam conhecer e admirar. Mas para este caso, que considero justificado, bastará que animais como o lobo, o leão ou o tigre tenham o seu lugar no cativeiro dos jardins zoológicos ou em parques vigiados, onde em segurança poderão ser contemplados.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis

5 Responses to Em defesa da extinção do lobo

  1. Tó Sousa diz:

    Agora concluo que tem razão plena o Dr João Valente: os posts do Ti Ventura são humorísticos.
    De facto isto não é para levar a sério, tratando-se antes de abordagens a diversos assuntos em estilo jocoso e irónico. Assim sendo, até perdoo ao homem algumas das suas afirmações em crónicas anteriores que eu cheguei a levar a sério.
    A. Sousa

  2. Nabais diz:

    De facto este tipo de post nem deviam ser colocados aqui, que direito tem o senhor de dizer que certas espécies deviam ser extintas e mantidas em cativeiro para, as gerações futuras poderem admirar.

    Tudo o que existe na terra faz falta, e mantém a cadeia equilibrada, quando falta algum elemento é quando há pragas e maiores estragos.
    fica a reflexão ….

  3. António Moura diz:

    Eu bem queria fazer um comentário inteligente ao que acabo de ler, mas infelizmente, o esforço seria de tal forma complexo que certamente ficaria louco no processo. Portanto é melhor não comentar.
    No entanto começo também a suspeitar (não sou o único) que este senhor (mesmo que exista) não existe de facto, e que ele é apenas um instrumento ao serviço de qualquer coisa ???
    Obviamente, se acharmos que este nível de conteúdos merece discussão,
    serei obrigado a reconhecer o esplêndido achado para o blog. Mas sinceramente, será que temos assim tanta energia para desperdiçar ???

  4. fernando lopes diz:

    Este senhor é que devia estar no zoo!…

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