O cinema pode ser a melhor escola do crime

Noutro tempo era rigorosamente interdita a exibição de filmes de incitamento e glorificação ao crime, bem como os considerados atentatórios da moral, situações que eram rigorosamente fiscalizadas pela Inspecção Geral dos Espectáculos.

Ventura ReisEram tempos de muito rigor, aqueles que corresponderam ao surgimento do cinema enquanto arte e espectáculo popular.
As explicações das películas eram sempre escritas em linguagem portuguesa corrente, para que todos as compreendessem. Por outro lado, não era permitido exibir fitas perniciosas para a educação do povo, designadamente as que contivessem cenas de maus tratos e de torturas a homens e animais, personagens desnudas, bailes lascivos, operações cirúrgicas, execuções capitais, contactos íntimos entre casais, assassínios e roubos com arrombamento.
Talvez se considerem essas limitações excessivas, mas tenha-se em atenção que as proibições visavam não apenas proteger a moral vigente, mas também, e muito especialmente, evitar que pelos pormenores de certas cenas se pudessem avaliar meios e aprender métodos empregados para se cometerem delitos.
Hoje, em nome da irresponsabilidade, tudo é permitido. Em consequência, algumas fitas de cinema que passam nas salas de espectáculos e até na televisão, são autênticos ensinamentos de como se podem cometer crimes. É aí que muitos dos delinquentes aprendem os métodos que depois utilizam na execução das maldades que cometem.
Um enredo e suas cenas que indiquem como um determinado grupo criminoso organiza um assalto a um banco ou a perpetração de raptos, violações e assassínios, constitui, as mais das vezes, um verdadeiro ensinamento e uma incitação velada ao crime e à violência.
Muitos dos crimes hoje sucedidos vêm dessa escola pública e irresponsável, que assim deixa que a sociedade actual cave a sua própria sepultura.
Sei que estão pensando que este idoso está senil e que já não tem noção no que diz. Pois digo-lhes que antes faço um aviso de plena lucidez: reintroduza-se a fiscalização preventiva das artes, em especial na do cinema, seja nas salas de espectáculos, na televisão ou pela agora chamada internet, como forma de se garantir que o crime não tenha escolas livres e gratuitas, de onde depois os delinquentes partem para nos infernizar a vida.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis

9 Responses to O cinema pode ser a melhor escola do crime

  1. Onde aprenderam Calígula, Estaline, Jack “o estripador”, Alves dos Reis, Al Capone, Bonnie & Clyde, Zé do Telhado, Robin Hood, Dona Branca, Goebbels, Rosa Casaco, Hirohito, Bin Laden, Charles Manson, Audas, Ditalco, Minuros…?

    Não tenho dúvidas quanto à lucidez do senhor, que pela forma como escreve, está comprovadamente activa. É o conteúdo que não faz sentido. Não há idade para aprender coisas novas, só é necessária humildade.

    Decerto valoriza o papel da família na formação do indivíduo. Pois bem, é esse papel que devemos considerar, não a fugaz influência de hora e meia numa sala de cinema.

  2. Então nesse tempo era só a PIDE que ensinava a praticar crimes…?
    Lembre-se do que o Homem fez a Jesus Cristo quando ele tinha 33 anos de idade.
    Tenha juízo e deixe de cometer crimes contra a LIBERDADE.
    Obrigado.

  3. João Duarte diz:

    Fiscalização preventiva, como escreve, é um bom eufemismo para designar Censura ou Exame Prévio, que existia, antes de 25 de abril de 1974.

  4. Zé Morgado diz:

    Actualmente as melhores escolas do crime, são as funções que desempenham alguns politicos nos crimes de colarinho branco e as prisões
    nos restantes crimes.

  5. Jorge Clemente diz:

    Pois é Sr.Ventura, o que escreveu concordo plenemente. Mas esta semana, deu-se um passo importante: O Responsável do canal “pornogràfico” demitiu-se ou foi demitido, não importa agora. Assim a Televisão ficou mais rica. Vamos esperar pela mudança, pode ser que seje para melhor… porque pior será impossivel. Aqui, os sucessivos governos tiveram culpas no cartório. Quando foram atribuidos os 2 canais privados, jà se sabia que 1 iria ser para a Igreja. Logo,ao ganhar, deveria existir uma obrigação de que a ser eventualmente alienado, o detentor deste canal seria obrigado a seguir a linha da Igreja, e não uma linha completamente oposta. Na altura existiam 3 projectos para 2 canais,e o grande derrotado foi o projecto do Dr. Proença de Carvalho. Se fosse para transformar um canal da Igreja em canal “pornogràfico”, mais valia entregarem os canais ao projecto derrotado e à SIC, certamente a cultura dos Portugueses hoje teria subido mais uns pontos…

  6. João Duarte diz:

    Hoje a coisa mais fácil que há é dizer mal dos políticos. São todos uns corruptos e uns ladrões. E quem diz isso é, normalmente, não-político e apartidário. Os banqueiros passam por “meninos do coro” comparados com os políticos, apesar de roubarem à farta (tem-se visto).
    Por isso é que eu gosto de dizer: eu sou um POLÍTICO e faço gala de o ser. Não ganho um tostão com a política, mas não sei viver sem política. Para mim, como POLÍTICO que sou (e faço gala de o ser) a política é uma coisa fantástica. Viva a política!!!

  7. pedro diz:

    Ó Sr. Ventura, quantos anos tem o verdadeiro autor? 45 ou 55 anos? É que esta fotozita e este sr. Ventura Reis são um alter-ego muito engraçado de alguém que não revela a sua identidade. Esconde-se por detrás de um pseudo-ancião para desculpar os pensamentos reaccionários, mas na verdade é alguém bem perto e conhecido de nós… Querem uma aposta?

  8. joao valente diz:

    Este texto só pode ser uma piada de mau gosto. O maior bem do homem é a liberdade. A liberdade é que torna meritório que seja um cidadão exemplr, um homem bom solidário e fraterno. Sem liberdade o que é o homem?

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