Roteiro da castanha

Tive conhecimento da iniciativa da Câmara Municipal do Sabugal de um estudo e levantamento dos castanheiros monumentais e históricos que ainda existem no concelho.

José MorgadoLembrei-me logo do castanheiro do Soito, do Sr. José Augusto Pina Rito, que já está classificado há anos e que ele tem grande preocupação em divulgar e preservar.
Nunca tanto como agora, se traçaram e traçam, na Beira Interior Norte e Trás-os-Montes, rotas históricas e temáticas, sobre as mais diversas realidades.
Desde a rota das aldeias históricas, rota dos castelos fronteiriços, rota dos descobrimentos, rota das antigas judiarias, rota da Lã, até a uma infinidade de rotas pedonais, de motards, de cavalo e até de Porches.
Também é muito conhecida a rota da castanha, orientada pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e patrocinada por fundos estruturais da União Europeia, por duas regiões de turismo, por uma Associação Regional de Agricultores e pela Direcção-geral de Agricultura.
O concelho do Sabugal e até todo o distrito da Guarda, ainda não fazem parte deste roteiro.
No entanto o castanheiro, fez parte da cultura das Terras do Ribacôa. A sua madeira, sustentou as suas casas, os seus «galhos» aqueceram as noites frias, permitiram a feitura artesanal de mobiliário rústico e apetrechos agrícolas diversos.
A sua folhagem e ouriços serviam para estrumar as terras e os frutos crus, assados, em «caldudo» ou cozidos, matavam a fome a muita gente e até em anos de excesso de produção, ração para animais.
De tal modo foi a sua expansão que deu nome a povoações e lugarejos e por isso mesmo, ainda hoje, apesar das doenças que os têm afectado ao longo dos anos, ainda se encontram árvores seculares por todo o concelho.
O castanheiro pode viver mais de1000 anos e a sua presença reflecte as alterações climatéricas que sofreram.
Os percursos que a referida rota da castanha apresenta, são uma tentativa de conhecer e interpretar, por enquanto cinco regiões da castanha de Trás-os Montes e que unidos formam a rota da castanha e que são:
Percurso Milenar – Miguel Torga no seu livro Novos Contos da Montanha, destaca o castanheiro de Lagarelhos, como a árvore de todas as contemplações e ter a idade do mundo. (Parque natural de Montesinho);
Percurso da Judia – É uma das variedades da castanha – a judia. Avistam-se soutos a perder de vista (vila de Carrazedo de Monte Negro tida como o santuário da castanha;
Percurso das Fagaceae – A família dasfagaceae inclui espécies como o carvalho e o castanheiro (Terras de Lampaça e da Ledra, Serra da Nogueira e Cachão da Malhadinha);
Percurso Dourado – A rota oferece a possibilidade de conhecer o castanheiro, como espécie multiusos (Vale de Vila Pouca de Aguiar, Serra da Pradela);
Percurso Paisagista – Permite apreciar o valor paisagístico do castanheiro, sua dimensão, densa folhagem, expressiva floração e a coloração dos ouriços. (Alfândega da Fé, Serra de Bornes, Macedo de Cavaleiros).
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Deixar uma resposta