Os Raianos contra o forcão nos Açores…

Paulo Adão - um Lagarteiro em Paris - © Capeia Arraiana

Há várias semanas foi publicada aqui, a notícia de uma capeia com forcão na Ilha Terceira, em ocasião das festas Sanjoaninas.

Festas Taurinas SaoJoaninas - Ilha Terceira - Açores - Capeia Arraiana

Festas Taurinas SaoJoaninas – Ilha Terceira – Açores

Essa notícia solicitou de imediato alguns comentários, manifestando alguma curiosidade face à este evento e alguma inquietação. Nos últimos dias apareceu mesmo uma petição online (já com mais de 500 assinaturas), contra este evento. Todos os assinantes, manifestam algum desconforto face à esta iniciativa. Todos, estamos preocupados de uma maneira ou de outra, de perder uma tradição, com tanto valor, em favor de uma Ilha, com outras tradições taurinas, e com poder para fazer aquilo que nós ainda não soubemos fazer, ou seja reconhecer esta tradição como património da raia. O nosso amigo Kim Tomé fala disso no seu comentário ao artigo, outros na página da petição falam numa associação das aldeias do forcão, das juntas de freguesia, de outras entidades com interesses no concelho, para patentear o forcão e a capeia arraiana, ideias a serem ser exploradas e porque não concretizadas.
Faço duas leituras desta situação: de um lado a união raiana dos «filhos da raia» em fazer tudo o que seja possivel para defender, dando ideias em favor destas e outras tradições raianas. Demonstra, como estamos preocupados com a situação social, cultural, presente e futura do nosso concelho e das nossas aldeias, mesmo se por vezes não conseguimos manifestar ou fazer mais por isso.
Mas do outro lado, demonstra, também, talvez insconscientement e sem maldade, que iniciativas privadas e sem consenso, podem destruir grandes tradições. Vimos debates acerca dos recentes festejos de carnaval entre Aldeia do Bispo e o Sabugal, voltamos a assistir com este evento à uma situação menos positiva (à primeira vista) para o sabugal e as aldeias do seu concelho. Quem se ofereceu para «ensinar» os açorianos a pegarem ao forcão, talvez não tenha pensado nas consequencias, mas na realidade, ou porque não sabemos bem o que se seguirá à esta iniciativa, todos estamos preocupados.
Seria bem que «os professores» do forcão dessem a cara e explicassem a razão e as vantagens que esta iniciativa vai trazer ao concelho.
Seria mais positivo trazer açorianos às capeias da raia, que levar o forcão para os açores, mas isto é só a minha opinião.
Será talvez a ocasião e o momento oportuno, para que os poderes locais, Câmara, Juntas, Casa do concelho, Associações e outros, se sentassem à mesa e discutissem de uma solução rapida e definitiva para defender e definir este património que nos une.
Força raia, o forcão é nosso.
Um abraço desde Paris.
«Um lagarteiro em Paris», opinião de Paulo Adão

13 Responses to Os Raianos contra o forcão nos Açores…

  1. jclages diz:

    Amigo Paulo Adão

    Desta vez estou em total desacordo com a tua mais do que livre e pertinente opinião.

    Prometo-te para sábado uma opinião pública sobre o assunto.

    Aquele abraço raiano até Paris.

    José Carlos Lages

  2. Paulo ADÃO diz:

    Esse é um dos lados muito positivo do “capeiaarraiana” e uma das razões de eu participar … aceitar que cada um tenha a sua opinião e que cada um torne publica a sua.
    É com as diferentes opiniões, que poderemos avançar pessoalmente e fazer avançar ou progredir aquilo porque lutamos, neste caso o nosso concelho. Mudar de opinião porque percebemos e partilhamos a opnião dos outros é um sinal de progresso.
    Abraço raiano desde Paris.

    Paulo ADÃO

  3. Kim Tomé diz:

    1 – A Capeia Arraiana é originária da Raia Transcudana.

    2 – A Capeia Arraiana é uma expressão cultural única no Mundo.

    3 – A Capeia Arraiana é uma actividade de origens populares que caracteriza e marca profundamente a cultura Arraiana Transcundana.

    4 – É necessário reconhecer a Capeia Arraiana como uma manifestação cultural única que deve ser reconhecida e partilhada com a humanidade.

    5 – É necessário proteger a Capeia Arraiana por forma a garantir que, a cultura que a criou e desenvolveu possa continuar a pratica-la no seu território de origem de forma sustentável.

    6 – A Capeia Arraiana tem condições e características para motivar milhões de turistas a virem (ao concelho do Sabugal) ás terras Transcudanas.

    Tendo em consideração estes pontos que parecem reunir consenso, estou convicto que:

    Levar a Capeia Arraiana para os Açores é descaracteriza-la por ser retirada do seu meio geográfico e sócio cultural.

    Levar a Capeia Arraiana, nos moldes que nos foi dado a conhecer, para os Açores é exporta-la para outra região, colocando em risco a existência da Capeia Arraiana como expressão cultural dos Arraianos Transcudanos.

    Corre-se o risco de em breve vermos milhares de turistas Americanos e não só, a irem aos Açores para ver e participar na Capeia Açoreana, enquanto aqui esperamos ansiosamente por mais turistas sem que se tire partido desta evidente mais valia.

    A possibilidade de exportação da Capeia Arraiana para os Açores, vem alertar para a necessidade URGENTE de obter o seu reconhecimento pela UNESCO como Património Intangível da Humanidade Originário da Transcudania, único no mundo.

    O reconhecimento da Capeia Arraiana como Património Intangível da Humanidade parece ser a forma mais eficaz de garantir a origem e a manutenção da tradição na sua região de origem.

    Pelo que foi dito e por muito mais parece-me que deveria ser tomada a medida cautelar de não levar a Capeia Arraiana para fora da região Transcudana, a não ser que seja por motivos promocionais e praticada por Transcudanos.

    Isto é sucintamente o que me parece, estas são as razões pelas quais me coloco de braço dado com o Paulo Adão, e com todos os que pretendem criar mais valias para o Sabugal apoiadas nas verdadeiras tradições culturais.

    Ou seja, considero que a Capeia Arraiana faz parte dos tais Conteúdos que é necessário qualificar, apoiar e promover, para que o nosso concelho beneficie do produto da cultura e tradições que os nossos antepassados criaram, mantendo assim de forma sustentável essa mesma cultura.

  4. Kim Tomé diz:

    Nota ao post anterior.
    Sou um apaixonado pelos Açores, tenho na minha vida as melhores recordações ligadas a elas.
    As pessoas, as paisagens, o mar sempre presente, os vulcões e a gastronomia tão típica são para mim motivo de saudade.
    Que não se veja no que disse qualquer tipo de sentimento xenófobo.

  5. joao valente diz:

    Não tem sentido essa do forcão nos Açores! Tem o mesmo que teria na Raia a tourada á corda dos Açores! Que contexto social e cultural tem o forcão nos Açores? Há o ritual da escolha, corte seca da madeira? da construção? do incerro, do pedido da praça, do desencerro?

  6. luizz diz:

    Nasci e vivo na ilha Terceira e ao ler o post fiquei surpreendido. Conheço bem a cultura desta ilha e duma coisa tenho a certeza: podem ficar todos bem descansados porque o que deve ter passado (se é que que passou alguma coisa) foi apenas alguma brincadeira isolada. Aqui quem manda é a tourada à corda. Só no Verão passado foram mais de 200 na Terceira (nºs oficiais).
    E para dizer a verdade acho que a notícia é falsa, porque eu estou bem inserido aqui no meio tauromáquico e nunca tal ouvi.

    Cumprimentos

    Luis

  7. fh diz:

    Gostava de saber é quem é que foi o esperto que teve a ideia de levar o forcão para os Açores…
    Tirem-nos a única coisa que nos confere unicidade e quero ver como é que ficamos…
    Quem fez as coisas que as assuma…

  8. António Moura diz:

    Em Panplona, as largadas em honra de San Firmín fascinaram Hemingway, que ao transpor para duas das suas obras fizeram com que ele se torna-se no seu maior embaixador. Hoje são internacionalmente conhecidas e visitadas por pessoas dos quatro cantos do mundo.
    Quem sabe se o nosso Hemingway não se chama Açores, ou Açores mais reconhecimento da UNESCO… Cuidado com a pureza das coisas, tudo evolui, a própria largada de San Firmín perdeu toda a sua componente religiosa, adaptou-se e cresceu para uma projecção mundial totalmente descaracterizada do contexto que lhe deu luz, alias é o que nós também queremos fazer (as Capeias não nasceram para os turistas, esse é um fenómeno novo).
    Que o nome Arraiana possa ser transportado para o mundo através da nossa peculiar Capeia, e que desse facto possam nascer oportunidades agora insuspeitas, é para mim motivo de oportunidade que em vez de combatida, deve ser acompanhada de bem perto, e até por dentro.

  9. Mono diz:

    Que discussão sem sentido nenhum.
    Imaginemos o contrário, trazer açorianos da Terceira para virem ao Sabugal demonstrar a tourada à corda.
    PASSA PELA CABEÇA DE ALGUÉM PEGAR NA TOURADA À CORDA E TOMA-LA COMO UMA TRADIÇÃO DO SABUGAL???
    Humm… Nop!
    Porquê?
    Porque aqui a tradição é a Capeia, e não a tourada à corda. Quanto muito, seria vista como uma tradição diferente de viver o mesmo espírito e mais nada.
    O fazer a capeia na Terceira é exactamente a mesma coisa, com a vantagem de dar o nome de Sabugal a conhecer aos terceirenses.

  10. Kim Tomé diz:

    Pah oh mono
    eu li que era “ensinar a fazer”
    Ora ensina-se para quê, para que o aluno(s) possa(m) mais tarde repetir.
    Digo eu!…
    E isto é diferente de ir uma “embaixada” demonstrar e promover a capeia, tas a ver!?
    Ou seja, na 1ª hipotese é ir ensinar a fazer.
    Na 2ª é ir mostrar como se faz.
    (Como exemplo, o que se passa no Campo Pequeno)
    É nesta pequena diferença. talvez semântica, mas real, que esta o problema.
    Nada me faria tocar as campainhas (de S. Martinho) se fosse os daqui a ir la fazer uma capeia, como não me chateia eu comer morcela de cebola de S. Miguel (que por acaso é muito boa), o que me chatearia era ver os da Terceira a fazer capeias e a velhota ali da esquina a fazer morcela de cebola, tas a ver!?

  11. Tiago diz:

    Ja chega de tanto misterio, quem são os ditos senhores que vão ensinar pegar o forcão nos açores, já esta na hora de dar a cara………..

  12. fernando lopes diz:

    Kim Tomé, palavras em cheio!
    É exactamente essa a questão! Mostrar e ensinar são coisas completamente diferentes!

  13. Marketing “Viral”

    O “Tango” a “Salsa” a “Rumba” de quem é? É dançado em Paris por Franceses, em Saarburg por Alemães… no entanto todos sabem e respeitam a sua origem…

    O importante a retirar de toda esta discussão e confronto de ideias/opiniões – é o efeito buzzmarketing que o assunto está a suscitar.

    Este tipo de acções pode ainda estimular a notoriedade da marca “Pega ao Forcão” – assim como gerar buzzmarketing positivo obtendo motivos de comunicação que nos aproximem do público e dos OCS – órgãos de comunicação social.

    E aqui temos de reconhecer o contributo dos Açorianos – e saber retirar partido disso.

    Carlos Meirinho Carrilho Rito

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