Concertos Míticos – GNR no Sabugal

João Duarte - © Capeia Arraiana (orelha)

Na noite de sábado, dia 24 de Junho de 2006, teve lugar o concerto dos GNR, no Sabugal.

Os GNR formaram-se nos finais de 1979,no Porto, mas tiveram a sua estreia discográfica com o single «Portugal na CEE», já depois do boom do Rock português, em 1981.
Foram uma das bandas sobreviventes a esse boom, juntamente com os UHF.
Quando o concerto do Sabugal teve lugar só já era membro da formação inicial Tóli César Machado.
Rui Reininho, o carismático vocalista dos GNR, só entrou para os GNR em 1982.
Nesse ano a Comissão de Festas do São João apostou num programa forte: GNR e Da Weasel, para além de uma orquestra espanhola e uma «revista à portuguesa» com Luís Aleluia.
O palco principal foi mudado da sua localização habitual, tendo sido virado para o bar, o que se mostrou uma decisão acertadíssima, uma vez que o som estava impecável.
O recinto estava repleto. Quem viu o recinto, de cima do palco, como eu vi, pôde ter uma ideia de como estava a abarrotar.
Os GNR, desde o final dos anos 80, mantém um trio fixo (Reininho, o baixista Jorge Romão e Tóli) e os restantes músicos são convidados, não fazendo parte integrante da banda.
Tóli foi baterista dos GNR durante muitos anos, até que passou para a guitarra.
No concerto do Sabugal, os GNR fizeram acompanhar-se por baterista, guitarrista e teclista convidados, que se juntaram ao trio.
O concerto iniciou-se com o tema «Popless», um tema calmo, do álbum do mesmo nome.
No segundo tema da noite regressaram ao início da banda, com «Espelho Meu», tema que era o lado B de «Portugal na CEE». Neste tema, lá pelo meio, houve lugar para devaneios sambistas, com o teclado, pelo que Rui Reininho aproveitou para dançar um bocadinho.
GNR no SabugalLogo a seguir «atacaram» com «Sexta-Feira (Um Seu Criado)», um tema mais Rock.
Seguiram-se «Ana Lee» e «Efectivamente», um dos temas mais conhecidos da fase mais criativa da banda do Porto.
Veio, depois «+ Vale Nunca», seguido por «Bem-vindo ao Passado», outro tema mais relaxante. Foi aqui que Rui Reininho aproveitou para dizer: «É com prazer que estamos no Sabugal, mas é a primeira vez que estamos aqui. O que andaram a fazer estes anos todos, que nunca se lembraram de nós?»
«Sangue Oculto», o tema que Rui Reininho cantou em dueto com Javier Andreu (dos La Frontera) no LP «Rock In Rio Douro» foi o tema seguinte.
Tóli abandonou a guitarra e passou à concertina no tema seguinte, o muito aplaudido «Dunas», um dos emblemas dos GNR.
Para surpresa de muita gente seguiu-se o tema «Inferno», um original de Roberto Carlos de que os GNR fizeram uma versão, que se tornaria um relativo sucesso. O disco onde este tema foi incluído seria lançado na semana a seguir ao concerto, mas Rui Reininho nem referiu esse facto (pelo menos poderia aproveitar para fazer alguma publicidade!).
Quase no final do concerto houve ainda tempo para «Asas (Eléctricas)» e, no fim, novo regresso ao melhor dos anos 80 com «Piloto Automático». Jorge Romão, que se mostrou um elemento sempre activo em palco, subindo para os estrados da bateria e para os monitores, agarrou, então, num instrumento de percussão curioso e dirigiu-se à multidão, pedido a sua participação no acompanhamento da canção, ao mesmo tempo que referia que o recinto estava repleto.
Os GNR saíram para os bastidores e regressariam para um encore, a pedido do público.
Muito bom este concerto dos GNR, no Sabugal.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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